Trump mira Europa com tarifa de 50%; dólar se desvaloriza imediatamente
Medida esconde uma lógica simplista: a de que tributar fortemente o produto estrangeiro resolve, por si só, os desequilíbrios estruturais do comércio global
Donald Trump (foto) nunca foi um político afeito a gestos diplomáticos sutis.
Ao sugerir uma tarifa fixa de 50% sobre produtos da União Europeia, a partir de 1º de junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos mais uma vez escancara seu estilo truculento.
A justificativa? Um suposto “tratamento injusto” por parte do bloco europeu nas relações comerciais.
A consequência imediata? Uma tensão crescente no já fragilizado tabuleiro do comércio internacional, onde aliados históricos parecem cada vez mais inclinados a virar adversários estratégicos.
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Um velho inimigo: o déficit comercial
Trump volta a bater na tecla do déficit comercial, acusando a União Europeia de impor barreiras protecionistas, manipular moedas e dificultar a atuação de empresas norte-americanas.
O número citado – um prejuízo de 250 bilhões de dólares por ano – soa como um mantra para o eleitorado nacionalista que o apoia.
A medida da tarifa fixa vem embrulhada com o selo de “America First” (América em primeiro lugar), mas esconde uma lógica simplista: a de que tributar fortemente o produto estrangeiro resolve, por si só, os desequilíbrios estruturais do comércio global.
O problema é que esse tipo de tarifa afeta diretamente cadeias produtivas integradas, empresas multinacionais e, claro, o bolso do próprio consumidor americano.
Europa procura novas amizades
Do outro lado do Atlântico, a União Europeia já não parece tão disposta a suportar as idiossincrasias da Casa Branca.
Com o endurecimento do tom vindo de Washington, o bloco europeu reativa relações comerciais com a China, estreita laços com o Canadá e estuda alianças com conglomerados econômicos alternativos.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, foi clara ao afirmar que o comércio global “nunca mais será o mesmo” após as últimas medidas de Trump.
O recado é direto: se os EUA se isolarem por opção, o resto do mundo seguirá em frente por necessidade.
O gosta amargo do protecionismo
A história recente mostra que o protecionismo de Trump costuma vir em formato de espetáculo.
Em 2 de abril, tarifas semelhantes já haviam sido impostas contra a China e, em sete dias, os mercados globais perderam mais trilhões de reais em valor de mercado.
Quando o pânico bateu à porta, o próprio governo recuou em 90% das medidas.
A lógica de criar caos para depois “negociar” sob pressão parece ter se transformado na nova política externa dos EUA.
O efeito colateral? Uma quebra de confiança generalizada, que transforma aliados em meros espectadores desconfiados.
A matemática da chantagem
O que Trump talvez não esteja mensurando é o impacto de médio prazo que essa retórica de confronto pode causar.
O incentivo ao “Made in USA” (Fabricado nos EUA), com isenção tarifária para produtos fabricados em solo americano, é bonito no discurso, mas ignora o tempo, o custo e a complexidade de realocar cadeias produtivas inteiras.
Enquanto a indústria americana tenta se adaptar, seus insumos importados já chegam mais caros, pressionando a inflação e, por tabela, os juros.
A fatura do protecionismo é paga com crescimento mais lento e investidores de olho em portos mais previsíveis — como o Canadá, o Japão e até o Brasil, que começa a flertar com ganhos de competitividade.
O isolamento como estratégia?
Trump parece querer aplicar ao comércio exterior a mesma lógica de um reality show: causar impacto, gerar manchetes e, no final, forçar adversários a negociar com ele nos termos que desejar.
Mas a política comercial não é feita de temporadas e, sim, de confiança acumulada.
O isolamento voluntário pode até agradar setores mais radicais do eleitorado, mas é um péssimo negócio para a economia real.
No xadrez global, quem vira as costas ao jogo corre o risco de perder a partida por WO.
Se os EUA seguirem por esse caminho, pode ser que não seja a Europa quem sairá enfraquecida, mas o próprio império que um dia liderou o mundo com a capacidade de influenciar outros países através da atração e da persuasão, em vez de usar a força, ou seja, que um dia liderou o mundo com o “soft power” da previsibilidade.
Pedro Kazan é profissional do mercado financeiro desde 1999, empreendedor e palestrante, formado em Engenharia de Produção com ênfase em Engenharia Econômica pela UFRJ. De 2002 a 2004, fez parte do Controle Operacional da Mesa Proprietária do Banco BBM, de onde saíram os fundadores das mais renomadas Assets do Brasil, como SPX, Kapitalo e Navi. Desde 2004 dedica-se à Gestão de Recursos e Assessoria de Investimentos Private. Fundador do canal de educação financeira KZN Investimentos. Nascido no Rio de Janeiro. Vivendo em Lisboa.
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Comentários (1)
Antonio Carlos
23.05.2025 10:46Ariano do kremlin está combinado co kremlin para destruir UE