Temperatura baixa para impeachment no STF
Pesquisa Genial/Quaest indica que maioria dos deputados federais não aposta em impedimento de ministro do Supremo no futuro
Os aliados de Jair Bolsonaro tratam a eleição para o Senado no próximo ano como prioridade, já que o ex-presidente está inelegível e sob julgamento por tentativa de golpe de Estado.
O cálculo envolve a perspectiva de conseguir maioria das 81 cadeiras, para eleger o presidente do Senado e poder especular com a abertura do primeiro processo de impeachment um de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) da história.
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É por isso que o ex-presidente tem pedido aos apoiadores para lhe darem 50% da Câmara e 50% do Senado, algo que repetiu na manifestação de domingo, 29 de junho, na avenida Paulista (foto).
Para conseguir metade dos senadores na legislatura que se inicia em 2027, bastaria aos bolsonaristas repetir o desempenho da eleição de 2022, quando o aproveitamento foi de 51,85%.
Temperatura baixa
Mas a grande maioria dos deputados federais com mandato atualmente não aposta na possibilidade de um impeachment, nem mesmo os de direita, que estariam mais próximos politicamente de Bolsonaro. É o que indica pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2 de julho.
Para 65% dos 203 deputados ouvidos, o Congresso Nacional não deverá aprovar o impeachment de um ministro do STF “no futuro”. Apenas 22% acreditam que sim, e 13% não responderam.
A pesquisa consultou 40% dos 513 atuais detentores de cargo na Câmara, de 7 de maio a 30 de junho, tem margem de erro de 4,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Quando se trata dos deputados que se identificaram como “de oposição”, 51% não apostam em impedimento de ministro do STF, contra 44% que responderam “sim”. No caso dos deputados “de direita”, a crença é ainda menor: 57% não acreditam no impeachment, e 34%, sim.

Incomodados
No caso dos deputados independentes, 68% não acreditam num impedimento no Supremo, assim como 94% dos governistas. Esses números se tornam mais eloquentes quando combinados com aqueles que indicam incômodo dos parlamentares com o STF.
Para 49% dos parlamentares ouvidos, o Supremo “sempre” invade as competências do Congresso. Para 28%, os ministros do STF invadem as competências do parlamento “às vezes”, e apenas 12% escolheram a opção “raramente”, e 5%, “nunca”.
Além disso, subiu de 40% para 48% a avaliação negativa dos deputados sobre o trabalho do STF — a positiva foi de 34% para 28%. Mesmo assim, eles não enxergam perspectiva para a pauta bolsonarista de retirar do cargo pela primeira vez um ministro do STF.
A pesquisa divulgada nesta quarta-feira indica que o desafio dos bolsonaristas em 2026 é maior do que parecia, pelo menos sob a perspectiva de quem lida com política diariamente no Congresso Nacional.
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Comentários (4)
Ita
02.07.2025 15:36Político que chega a Brasília (Congresso Nacional) vez por outra tem pendências na Justiça - eleitoral ou não, aí não pode contrariar de quem julga. Esse é o verdadeiro SISTEMA: eu te protejo você me protege e tocamos o barco.
JOSE ROBERTO CARRARA
02.07.2025 14:43Isso se chama no jargão popular, o famoso rabo preso,,,,,
Fabio B
02.07.2025 13:47A única chance de tirar o protagonismo do STF é uma nova constituição.
Clayton De Souza pontes
02.07.2025 13:45Os processos engavetados de parlamentares podem andar, no caso de resolverem afrontar a autoridade do STF