STF preocupa (muito) mais que fake news
Pesquisa Meio/Ideia indica que o argumento dos ministros para se defender não colou e que eles mesmos acabaram encarados como a maior ameaça à democracia
O Supremo Tribunal Federal (STF) encampa desde 2019 uma batalha contra as fake news, que seus ministros classificam como uma forma de ataque à democracia quando usadas contra o tribunal.
Nos últimos sete anos, os juízes do STF usaram a ameaça das fake news para combater até verdades, como no caso da censura à clássica capa de Crusoé sobre “o amigo do amigo do meu pai”.
Resultado: hoje, 42,5% dos brasileiros, quase metade da população, consideram “concentração de poder no Judiciário” como “o que mais ameaça a democracia”, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 8. A opção “desinformação e fake news” foi marcada por apenas 9,7%.
O item “Corrupção dos políticos” foi escolhido por 16,5%, “Polarização esquerda/direita” foi a opção de 13%, “influência estrangeira” é a maior preocupação para 9,1%, e 4,3% disseram que a democracia brasileira não está ameaça. O restante, 4,7%, não soube responder.
Foram ouvidos por telefone 1.500 eleitores de 3 a 7 de abril, a margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais e o nível de confiabilidade, de 95%.
Ameaça à democracia
A preocupação com fake news levou o ministro Alexandre de Moraes (foto) a bloquear por um mês inteiro a rede social X, durante a eleição municipal de 2024.
O tribunal também alterou o Marco Civil da Internet para aumentar a responsabilização das plataformas de rede social, as famigeradas big techs, sobre o conteúdo publicado.
Nada disso serviu para blindar os ministros do tribunal contra as verdades que advogam contra a reputação deles. Enquanto alegavam combater mentiras, os juízes do Supremo frequentavam empresários e políticos com interesses sob julgamento no tribunal.
Essa conduta chegou ao ápice da degradação institucional no caso do Banco Master, que desgasta Moraes, Dias Toffoli e, agora, Kassio Nunes Marques, cada um por seu motivo, mas todos com a mesma essência: o conflito de interesses.
O STF se agigantou nos últimos anos, em nome da defesa da democracia e da República, e, como indica a pesquisa publicada nesta quarta, ironicamente acabou se transformando, aos olhos de quase metade do Brasil, na maior ameaça àquilo que alega defender.
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