Quem segura Nikolas?
Manifestação convocada pelo deputado federal mineiro contra ministros do STF ganhou concorrência — de outros apoiadores de Bolsonaro
O incômodo está posto de forma mais clara desde a caminhada de Minas Gerais e Brasília protagonizada por Nikolas Ferreira (PL-MG, foto), mas o deputado cassado Eduardo Bolsonaro já verbaliza sua desconfiança em relação ao deputado federal mineiro desde o ano passado.
Nikolas convocou para 1º de março uma manifestação contra Lula e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, estes últimos protagonistas do ruidoso escândalo do Banco Master.
O ato contempla também a cobrança pela derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria.
Assim como ocorreu durante a caminhada feita pelo deputado mineiro, os bolsonaristas mais ligados à família tentam diluir seu protagonismo e convocam uma manifestação no mesmo dia, mas concentrando as atenções em Jair Bolsonaro, pedindo anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e sem mencionar os ministros do STF — ou Nikolas.
Quem lidera?
O fato é que, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) calcula cuidadosamente sua candidatura presidencial, pisando em ovos em relação ao desgastado STF, o grande expoente atual da direita no Brasil se apresenta como líder popular, promovendo manifestações que contentam e mobilizam brasileiros de forma que os filhos de Jair Bolsonaro não conseguem.
O meme do “meu amigo Flávio”, que os bolsonaristas tentaram surfar a partir de piada do humorista Murilo Couto, passou longe de qualquer manifestação virtual de Nikolas, que tem mais do que o dobro de seguidores que o filho 01 de Bolsonaro no Instagram.
Enquanto Flávio está escorado no legado eleitoral do pai, Nikolas já conseguiu se descolar da família, de uma forma que o governador de São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda não conseguiu — e talvez nem sequer tenha disposição para tentar.
Mobilização
Além de Nikolas, apenas o MBL e seu partido Missão tentam canalizar o incômodo da população com a atuação dos ministros do STF. Os outros atores políticos, inclusive a família Bolsonaro, tateiam com receio sobre como se comportar.
Talvez o cuidado com que a família Bolsonaro trata hoje do STF faça sentido diante do histórico recente, cujo destaque foi a prisão do patriarca, mas, diante da disposição e do aparente destemor de Nikolas, a timidez contra Toffoli e Moraes soa muito mal.
Nikolas saiu ganhando nessa disputa de forças à direita no episódio da caminhada e conseguiu arrancar até um elogio, meio a contragosto, de Eduardo. A competição por protagonismo se repete agora, e a maré parece tender a favor do deputado mineiro.
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