Plot Twist em CPMI do INSS é derrota de Lula, Motta e Alcolumbre
Oposição aproveitou brecha dada pela base governista e conseguiu eleger o presidente da investigação e o relator
Há uma frase famosa no automobilismo atribuída ao pentacampeão mundial argentino Juan Manuel Fangio, segundo a qual “corrida só se ganha após a bandeirada”. Isso vale para a F-1, vale para o futebol, vale para a vida.
E vale também para a política. Embora, em várias situações, os acordos firmados entre integrantes do Congresso possam, em determinado grau, garantir algum nível de previsibilidade, mesmo em situações consideradas complexas.
O que se viu nesta quarta-feira, durante a sessão de instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), não foi somente uma derrota do governo Lula. Foi também um claro recado aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Tradicionalmente, presidentes e relatores de comissões parlamentares mistas de inquérito são eleitos por acordo comandado pelas presidências da Câmara e do Senado. Uma Casa fica com a presidência; a outra, com a relatoria. E tudo certo.
Na teoria, Omar Aziz (PSD-AM) seria o presidente e Ricardo Ayres (Republicanos-TO), o relator. Ayres, inclusive, deu entrevistas já apontando qual seria o ritmo de trabalho. Cantou vitória na véspera.
Mas, como diz o poeta, há sempre um “mas”, um “porém”, um “entretanto”. Davi e Motta combinaram o jogo com a base do governo, mas esqueceram de chamar a oposição para a conversa. Sem combinar os termos do acordo com a oposição, caberia ao governo, ao menos, garantir que tivesse votos suficientes para emplacar relator e presidente.
Não foi isso o que ocorreu. Pelo menos três parlamentares governistas faltaram à sessão desta quarta-feira, dando lugar a três parlamentares da oposição. Era o cenário perfeito. Assim, a oposição conseguiu emplacar Carlos Viana (Podemos) na presidência do colegiado e Alfredo Gaspar (União-AL) na relatoria.
Não há que se falar em quebra de acordo com a oposição. Os parlamentares apenas aproveitaram uma brecha dada pelo próprio governo para comandar uma investigação que tem o condão de desgastar — e muito — o governo Lula nos próximos meses. Pior: o resultado desta quarta demonstra que nem Motta nem Alcolumbre conseguem mais ter o controle total sobre a atuação dos parlamentares bolsonaristas no Congresso.
Por muito tempo, criticou-se a forma atabalhoada de atuação dos deputados e senadores bolsonaristas. Parece que, aos poucos, eles pegaram o jeito. E isso pode mudar diametralmente a forma como a classe política atua nas relações entre os próprios deputados e senadores. Que Deus tenha piedade desta nação.
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Comentários (1)
Antonio Carlos
20.08.2025 16:23Veremos se os 2 se venderam ao lula171