PGR tenta tumultuar o caso Master
Procuradoria-Geral da República se une a Moraes ao lançar dúvidas, sem nem apresentar argumentos, acerca de decisão de Mendonça sobre sigilos
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para solicitar ao colega André Mendonça que derrube, em 24 horas, o sigilo das investigações do Banco Master, mas fez a mesma ressalva de sua primeira ordem.
Segundo Fachin, não se deve tornar público “as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”.
A PGR disse que, entre os documentos que vieram a público, “não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero (IPL 5026)”, sem dar detalhes de quais seriam.
Segundo a PGR, “embora se suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, [esse fato] pode induzir à ideia equivocada de que a transparência que animou a medida proposta por V. Exa, perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”.
“Ideia equivocada”
Quer dizer, a PGR, comandada por Paulo Gonet (foto), que nem sequer assina o pedido de quebra de sigilo, porque é suspeito no caso, fez um pedido sem base, para que não se induza a uma “ideia equivocada” que ela própria dissemina ao pôr em dúvida o despacho de Mendonça.
Curiosamente, o ministro Alexandre de Moraes, ainda mais enrolado que Gonet, fez o mesmo pedido por mais sigilos quebrados. Ironicamente, Moraes mantinha até esta semana sete anos de sigilo no inquérito das fake news, ao qual nem sequer os investigados tinham acesso direito.
Depois de pedir com muita pressa a nulidade do relatório que confirmou o envio de mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes, e demorar para se manifestar sobre o relatório apócrifo feito a pedido de Moraes para complicar Mendonça, a PGR segue posicionada como escudeira do ex-relator do inquérito das fake news, bem distante de fazer o trabalho que se espera do Ministério Público.
Leia mais: A nulidade do procurador Paulo Gonet
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