PEC 6×1: o fracasso digital de Boulos e sua turma
Durante uma semana inteira, o governo Lula e seus aliados apostaram que a pressão das redes sociais seria suficiente para constranger Alcolumbre
Durante uma semana inteira, o governo Lula e seus aliados apostaram que a pressão das redes sociais seria suficiente para constranger o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar a PEC que extingue a escala de trabalho 6×1.
A estratégia era conhecida: transformar um tema popular em uma campanha de mobilização permanente, elevar o custo político da resistência e obrigar o Congresso a se mover.
Não funcionou.
O Senado entrou em recesso sem sequer apreciar a proposta. E, junto com ela, ficou pelo caminho uma das principais bandeiras que a esquerda pretendia carregar para as eleições.
A derrota é mais significativa porque não ocorreu por falta de engajamento virtual. O tema dominou as redes petistas, mobilizou o Palácio do Planalto, influenciadores, sindicatos e parlamentares governistas. Ainda assim, a campanha digital mostrou um limite que Brasília conhece bem: curtidas não substituem votos, hashtags não mudam a pauta do Congresso e pressão online não produz maioria política.
O governo tentou repetir uma fórmula que já funcionou em outros momentos da política brasileira: transformar o ambiente digital em instrumento de convencimento institucional. Desta vez, porém, encontrou um obstáculo elementar: Davi Alcolumbre.
Talvez o reconhecimento mais eloquente desse fracasso tenha vindo de um dos principais defensores da proposta. Ao comentar o início do recesso parlamentar, o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, escreveu:
“Hoje o Senado entra oficialmente de férias sem ter votado o fim da Escala 6X1. É indignante ver a principal pauta dos trabalhadores brasileiros, apoiada por mais de 70% da população, parada na gaveta por razões menores. A quem interessa não votar a PEC da 6X1 antes das eleições? Seguiremos batalhando para que seja votada em agosto, logo após o recesso!”
Mais do que uma cobrança ao Senado, a declaração soa como um reconhecimento da realidade política. Ao afirmar que a votação ficará para “logo após o recesso”, Boulos admite que a principal promessa legislativa do campo governista não será entregue antes das eleições.
E isso produz um problema político para o Palácio do Planalto. Sem a PEC do 6×1 nas mãos, restará ao PT afirmar, na propaganda eleitoral, que ao menos tentou.
Em 2022, o governo Lula prometeu picanha e não entregou; em 2026, prometeu que o trabalhador iria ficar mais tempo em casa e não entregou. E o eleitor costuma cobrar caro por esse tipo de expectativa frustrada.
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