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O segundo maior vexame da imprensa na cobertura da guerra em Gaza

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Felipe Moura Brasil
10 minutos de leitura 12.08.2024 19:02 comentários
Análise

O segundo maior vexame da imprensa na cobertura da guerra em Gaza

Caso do ataque ao “complexo escolar” do Hamas mostra como a mistura de jornalismo declaratório e relativização do terror resulta na legitimação de mentiras, meias-verdades e narrativas ainda não verificadas

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Felipe Moura Brasil
10 minutos de leitura 12.08.2024 19:02 comentários 0
O segundo maior vexame da imprensa na cobertura da guerra em Gaza
Divulgação/ FDI
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Na imprensa, errar uma vez é humano, duas é militância. Tanto faz se ideológica ou sensacionalista, se consciente ou inconsciente, porque o efeito é o mesmo: a desinformação.

A mídia ocidental, incluindo americanos e brasileiros, demonstrou no sábado, 10 de agosto de 2024, que não quer aprender a cobrir a guerra na Faixa de Gaza com o mínimo de prudência, como deveria fazer, sobretudo após o caso do hospital Al-Ahli, de 17 outubro de 2023, o maior de todos os vexames.

A estratégia de “ganha-ganha” do Hamas na utilização de instituições e civis como escudos humanos – pela qual o grupo terrorista ganha blindagem se não for retaliado por seus ataques; e ganha demonização de Israel se for – tem em portais de notícia seu maior parceiro.

O caso do complexo escolar de Al-Taba’een, no centro de Gaza, ilustra novamente como as narrativas falseadas do Hamas são lavadas em manchetes de grupos tradicionais de comunicação, gerando ou turbinando falsas percepções que, neste caso, ajudam a espalhar ainda mais ódio anti-Israel e antissemita.

Isto não quer dizer que não haja mortes de civis na guerra, nem operações militares passíveis de críticas; quer dizer apenas que a mistura de jornalismo declaratório e relativização do terror resulta na legitimação de mentiras, meias-verdades e narrativas ainda não verificadas, todas elas plantadas por terroristas com o propósito de manipular a opinião pública.

A primeira cronologia do caso do complexo escolar foi publicada na manhã de domingo, 11, no X, por Hen Mazzig, filho de refugiados judeus de Iraque e Tunísia, autor do livro “O tipo errado de judeu” (“The Wrong Kind of Jew”) e membro sênior do Instituto Tel Aviv de combate ao ódio.

Ainda no domingo, a cronologia foi disparada por WhatsApp pela instituição educacional StandWithUs Brasil e, nesta segunda-feira, 12, usada em vídeo pelo porta-voz brasileiro das Forças de Defesa de Israel, major Rafael Rozenszajn, que trocou o exemplo da imprensa americana (CNN) por um da brasileira (Globo), além de ter atualizado as informações das FDI, que acrescentaram 12 terroristas eliminados à lista original de 19, resultando em 31 no total, todos identificados com nome e sobrenome.

Eis o que Mazzig publicou:

“Olá, amigos da mídia, sei que vocês estão cansados, então fiz o trabalho pra vocês:

05:00 – Israel ataca terroristas do Hamas escondidos no complexo de Al-Taba’een.

05:20 – O Ministério da Saúde do Hamas anuncia que 40 mártires foram mortos.

05:40 – O Hamas vê uma oportunidade de inflar os números e envia outra mensagem dizendo que 100 mártires foram mortos.

07:00 – A primeira reportagem da mídia afirma que as FDI mataram mais de 100 pessoas em uma escola.

08:00 – Condenações de todos os países e políticos, todos compartilhando números do Hamas.

12:00 – A mídia ocidental cobre extensivamente um grande ataque a uma escola, que supostamente matou centenas de pessoas, mais uma vez compartilhando dados do Hamas e sem distinguir entre homens armados do Hamas e civis.

17:00 – A CNN publica uma matéria com a manchete “Mais de 90 palestinos mortos em ataque israelense a uma escola e uma mesquita”. Você tem que ler até a última linha, depois de nove parágrafos, para descobrir que esses números não podem ser verificados. Essa era a intenção do Hamas, escondido em um complexo escolar: que uma manchete como essa se espalhasse.

18:00 – Israel publica a lista dos 19 terroristas mortos no ataque, provando que uma sala do complexo estava sendo usada como centro de controle do Hamas.

19:00 – Hamas revisa o número de 100 para 40 mortos.

20:00 – Israel divulga imagens do ataque, provando que foi extremamente preciso, com munições que não poderiam ter explodido uma escola e uma mesquita. Apenas a sala com os terroristas escondidos foi atingida. A escola não estava em sessão.

Mais uma vez, o Hamas mentiu e manipulou a mídia ocidental e os líderes mundiais. E mais uma vez, infelizmente, eles manipularam todos nós perfeitamente.”

Nós, não. Equipe e leitores de O Antagonista não foram manipulados pelo grupo terrorista, porque aqui se entende que quem é capaz de cometer o massacre de 7 de outubro de 2023, ou dele ser cúmplice, é perfeitamente capaz de mentir para atingir seu objetivo declarado de varrer Israel do mapa e exterminar os judeus.

O major Rafael Rozenszajn, em seu vídeo baseado na cronologia, inseriu um exemplo de matéria do G1 que foi parar no Jornal Nacional:

“17h – A GLOBO publica uma matéria com a manchete ‘Ataque de Israel em Gaza deixa cerca de 100 mortos’.

Por mais incrível que pareça, a reportagem diz o seguinte: ‘As autoridades de Saúde de Gaza dizem que são mais de 90 mortes. Já o governo de Gaza, controlado pelo Hamas, afirma que são mais de 100.’

Isso não é nada mais e nada menos do que tentar manipular os leitores, fazendo com que os leitores acreditem que as autoridades de Gaza são independentes e somente o governo de Gaza é controlado pelo Hamas!!!

Gente, as autoridades de Gaza não são controladas pelo Hamas, elas são O Hamas!

Esta era exatamente a intenção do Hamas, escondendo-se num complexo escolar: que uma manchete como esta espalhasse informações falsas dizendo que Israel ataca alvos civis e não terroristas.”

O Antagonista reúne e lista abaixo as manchetes originais, incluindo as já citadas:

  • CNN: “Mais de 90 palestinos mortos em ataque israelense em escola e mesquita que abrigam pessoas deslocadas, dizem autoridades de Gaza” (“More than 90 Palestinians killed in Israeli strike on school and mosque sheltering displaced people, Gaza officials say”);
  • WSJ (Wall Street Journal): “Ataque aéreo israelense mata dezenas de civis deslocados em Gaza” (“Israeli Airstrike Kills Dozens of Displaced Civilians in Gaza”);
  • WP (Washington Post): “Quase 100 mortos em ataque israelense à escola de Gaza, diz defesa civil” (“Nearly 100 killed in Israeli strike on Gaza school, civil defense says”);
  • AP (Associated Press): “Ataque aéreo israelense a uma escola em Gaza usada como abrigo mata pelo menos 80, dizem autoridades palestinas” (“Israeli airstrike on a Gaza school used as a shelter kills at least 80, Palestinian officials say”);
  • Reuters: “Ataque israelense mata quase 100 em refúgio escolar de Gaza, dizem autoridades” (“Israeli strike kills nearly 100 in Gaza school refuge, officials say”);
  • NYT (New York Times): “Israel ataca o complexo escolar que virou abrigo em Gaza, matando dezenas, dizem autoridades de saúde locais” (“Israel Strikes School Complex Turned Shelter in Gaza, Killing Dozens, Local Health Officials Say”);
  • NBC: “Mais de 90 mortos por ataque israelense em uma escola onde milhares estavam se abrigando, dizem autoridades” (“More than 90 killed by Israeli strike on a school where thousands were sheltering, officials say”).
  • CBS News: “Dezenas de mortos após ataque aéreo israelense à mesquita dentro de escola de Gaza, diz Ministério da Saúde” (“Dozens dead after Israeli airstrike on mosque inside Gaza school, health ministry says”).
  • Globo: “Ataque de Israel em Gaza deixa cerca de 100 mortos”.

Após atualizar o número de terroristas eliminados para 31, o major Rafael Rozenszajn ainda comentou:

“Vocês devem estar se perguntando por que somente agora (58 horas depois do ataque) publicamos a eliminação desses 12 terroristas.

A resposta é simples: porque estamos comprometidos com a verdade.

Enquanto o Hamas precisou de 20 minutos para publicar que 100 civis foram mortos, nós publicamos somente depois de uma severa verificação dos dados.

Mais uma vez, o Hamas mentiu e manipulou os meios de comunicação ocidentais e os líderes mundiais.

E mais uma vez, infelizmente, a mídia se demonstra frágil no combate a narrativas enganosas, dando legitimidade a terroristas e suas mentiras.

Eu apelo a você que chegou até o final desse vídeo: não aceite como verdadeiro tudo que você escuta nos meios de comunicação.

Busquem as fontes.

As Forças de Defesa de Israel tem um compromisso irreversível com a verdade e todas as nossas informações são baseadas em fontes confiáveis.

Será que podemos dizer o mesmo sobre terroristas que assassinam civis, estupram mulheres e sequestram crianças?

Pense nisso antes de acreditar em terroristas.”

O Antagonista, até o momento de elaboração deste artigo, às 15h de segunda-feira, não tem como verificar, de modo independente, se houve e quantas foram as mortes de civis no bombardeio, e portanto seguirá monitorando e analisando o conteúdo de fontes abertas e oficiais; mas este portal tem, sim, como se distinguir dos setores internacionais e nacionais da imprensa que emplacam em manchetes a narrativa imediata do Hamas, seja como fato consumado, seja como declaração de autoridades independentes, e que depois são eventualmente refutados pelo próprio grupo terrorista, que, embora tente soar menos exagerado, mantém, no mínimo, a indistinção entre membros e civis.

As manchetes originais sobre 100 palestinos mortos, aliás, continuam no ar, ainda que Israel tenha identificado 31 terroristas e o Hamas não tenha identificado 100 vítimas. As mensagens de canais e porta-vozes do grupo terrorista foram reproduzidas nesta segunda-feira, no X, pelo analista Eitan Fischberger, ex-militar das FDI.

Há controvérsias na rede social sobre se o Hamas revisou ou não o número para 40 mortos, já que, de um lado, o dado pode ser de casos ocorridos em um período anterior de 24 horas, não daquele dia; e, por outro, corresponde a três bombardeios, não um só. De qualquer forma, militares israelenses questionam onde estão nomes e sobrenomes.

Como comentou John Spencer, CEO do Modern War Institute (Instituto de Guerra Moderna):

“Nunca vi uma batalha ou guerra onde os números de baixas podem ser conhecidos imediatamente após um ataque. Nem em horas, nem em minutos. Também nunca vi uma guerra onde a grande mídia imediatamente publica números de fontes locais (também conhecido como Hamas) enquanto diz que não pode verificar as declarações militares. Apesar dos exemplos repetidos de fontes locais (Hamas) fornecendo números absurdos (Al-Ahli) ou alegando que nenhum combatente foi morto (resgate de reféns). Em uma época em que a grande mídia está lutando por credibilidade e sobrevivência, você pensaria que eles não continuariam fazendo isso repetidamente em busca de sensacionalismo.”

Fato é que, no caso do hospital Al-Ahli, setores da imprensa haviam atribuído a Israel 500 assassinatos não cometidos pelo país. No caso do complexo escolar de Al-Taba’een, setores da imprensa atribuíram a Israel 100 assassinatos que não têm como verificar se aconteceram.

Milhões de leitores e espectadores incautos ou já dominados pelo ódio, e somente nesses dois casos entre tantos outros, acreditariam que aconteceu de verdade um número de 500 a 600 assassinatos falsamente atribuídos ao Estado judeu, sem que a refutação das narrativas tenha o mesmo destaque, ou o mesmo impacto.

A cobertura de guerra em tempo real impõe desafios às mídias contemporâneas. Mas errar uma vez é humano, duas é militância, mais de 500 é passe-livre para a calúnia.

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