O século da Ásia?

26.06.2026

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O Antagonista

O século da Ásia?

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 01.09.2025 12:22 comentários
Análise

O século da Ásia?

China, Índia e Rússia aceleram integração em comércio, energia e finanças para reduzir dependência do Ocidente

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 01.09.2025 12:22 comentários 3
O século da Ásia?
Imagem: Indian Prime Minister's Office

“Este pode ser o século da Ásia”, disse Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, ao apresentar a região como novo motor de crescimento e inovação no encontro desta segunda,1, na China.

A frase virou gancho para uma ambição estratégica compartilhada entre três potências mundiais: consolidar integração econômica com autonomia política e tecnológica, reduzindo dependências externas.

O RIC, sigla para Rússia, Índia e China, é o núcleo dessa ambição.

A ideia surgiu nos anos 1990, atribuída ao então chanceler russo Yevgeny Primakov. O primeiro encontro formal de chanceleres ocorreu em 2002, à margem da Assembleia-Geral da ONU. Desde então o encontro é acionado de modo intermitente para alinhamento em energia, comércio, finanças e governança digital.

Os números ajudam a entender a força do grupo, potências nucleares que reúnem 35% do PIB mundial (por paridade de compra) e algo como 40% da população global.

O comércio China-Rússia bateu recordes recentes, com exportações chinesas de máquinas, eletrônicos e veículos em troca de petróleo, gás e minérios russos.

Índia e Rússia ampliaram rapidamente o fluxo de petróleo, com a Índia importando mais de um terço do seu consumo da Rússia em 2024 e 2025.

Entre Índia e China, o intercâmbio segue alto, mas com déficit indiano persistente, o que explica a agenda de substituição de importações em semicondutores, telecomunicações e farmacêuticos.

A infraestrutura acompanha o dinheiro.

O gasoduto Poder da Sibéria elevou volumes de gás russo à China. No eixo sul, o Corredor Internacional Norte-Sul encurtou prazos logísticos entre Índia, Irã e Rússia, conectando portos do oceano Índico ao Cáspio e ao Báltico.

Esses corredores buscam reduzir a vulnerabilidade a gargalos marítimos e a sanções financeiras, além de abrir alternativas às rotas controladas por alianças ocidentais.

A engrenagem financeira mudou junto.

A Rússia passou a pagar parcelas relevantes do seu comércio exterior em yuans após 2022, e bancos russos abriram contas em rúpias na Índia para tentar compensar desequilíbrios bilaterais.

A Índia ajustou regras de contas em rúpias no exterior e explora pagamentos diretos com moedas locais, enquanto China, Índia e Rússia testam novos sistemas de pagamento e moedas digitais.

O RIC opera com travas claras.

Índia e China mantêm contenciosos na fronteira do Himalaia, com confrontos em 2020. A Rússia enfrenta guerra e sanções.

Não há, até o momento, tratado de defesa trilateral nem comando integrado.

O casamento opera por interesses, sem promessas de amor eterno.

China e Rússia são ditaduras, com censura sistemática, vigilância digital e repressão da oposição.

A Índia permanece formalmente como democracia, mas acumula alertas recentes sobre pressão a ONGs, uso expansivo de leis de segurança nacional e ambiente hostil à imprensa.

Os riscos da ascensão de potências com esse perfil são óbvios.

Em especial, a erosão da liberdade de expressão, privacidade e o devido processo legal e ético em cadeias globais que dependem de dados.

O fim da pax americana, entendida como a combinação de primazia militar dos Estados Unidos, rotas marítimas mundiais livres e arcabouço financeiro centrado no dólar, não significa vácuo.

Sem uma âncora única, disputas no mar do Sul da China, no Himalaia e no ciberespaço tendem a escalar, com riscos claros à ordem mundial.

O “século da Ásia” depende de crescimento com produtividade, integração logística que reduza custos, sistemas financeiros confiáveis e previsíveis, regras sanitárias compartilhadas, além de algum consenso mínimo sobre liberdades civis.

A ascensão da Ásia como contrapeso à ordem mundial democrática e liberal, com valores ocidentais, é inevitável. As consequências, até o momento, imprevisíveis.

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Alexandre Borges

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Comentários (3)

F-35- Hellfire

02.09.2025 18:42

Graças à Deus o Brasil não faz parte dos RICs e o tempo dirá que graças à inexpressividade do Lula, não foi convocado por estes 3 membros...Pudera, eles não querem confronto com os EUA, a nação mais poderosa e formidável do nosso Planeta, onde a Democracia sofre ataques dia e noite 24horas/dia, 365dias/ano há mais de cem anos!


F-35- Hellfire

02.09.2025 11:17

Os RICs têm um imenso poder, têm conhecimento, riqueza, tecnologia e suas próprias culturas. Gosto muito mais das culturas ocidentais, principalmente européias e norte americanas. Agora, sem liberdades de expressão, de eleições verdadeiramente democráticas, vai faltar aos RICs algo do excencial que tornou a América do Norte a mais formidável nação da face da Terra.


Eliane ☆

01.09.2025 15:43

Trump deve estar "soltando fogo pelas ventas".


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