O relógio está correndo, e o epitáfio político já está sendo escrito
O problema real não são as big techs ou as fake news, mas um governo que já está na segunda fase do mandato, e ainda não apresentou resultados tangíveis
Por Roberto Reis*, em colaboração para O Antagonista
Vamos começar com um aviso claro: fui compartilhado por Nikolas, mas não sou bolsonarista.
Sou um comunicador de direita que enxerga o caminho das soluções pela via moderada, institucional e dentro das regras do jogo.
Defendo uma direita que entrega resultados, não espetáculos. Uma direita que dialoga com os 3 Poderes e a imprensa, e que sabe conquistar o eleitorado de centro sem gritaria.
Ministro da Propaganda
Dito isto:
Se há um cargo que já nasce com péssima reputação, é o de ministro da Propaganda. Lembranças históricas pesadas ecoam desse título, mas Sidônio Palmeira, o escolhido do governo Lula, parece confortável em assumir a alcunha.
Não por acaso, ele já iniciou a cruzada: a guerra contra as “big techs”. Motivo? “Salvar a humanidade da mentira digital”. Grande missão. Mas espere – o que realmente está acontecendo aqui?
Um governo sem lustre busca seu vilão
O Brasil, atolado em inflação, juros altos e perspectivas econômicas frustradas, precisa de uma narrativa que desvie o foco. E que melhor maneira de conseguir isso do que culpar Zuckerberg e Elon Musk pelo fracasso?
Leia também: Os mentirosos querem controlar as mentiras
Lula não é ingênuo; ele entende que vender seus próprios resultados está complicado, então por que não mirar num inimigo abstrato? Afinal, o discurso anti-“fake news” funciona bem entre os aliados progressistas, que veem nas “big techs” um monstro descontrolado.
Mas a realidade não está colaborando. O que o governo classifica como “fake news” é frequentemente apenas crítica legítima.
Manual populista
E quem acompanha sabe: quando o “excesso de Estado” não ajuda e a paciência do eleitor se esgota, vilanizar opositores ou plataformas digitais é a estratégia mais velha do manual populista.
Bolsonaro tentou a mesma coisa quando seu governo fracassava: inventou inimigos abstratos como o STF, a vacina e a mídia. Não funcionou. E também não vai funcionar com Lula.
A guerra é contra as redes ou contra o eleitor?
A retórica de Sidônio Palmeira soa como algo saído de uma novela ruim: “guardião da democracia”, ele se autoproclama. Quem é a ameaça, afinal? Segundo o governo, as “big techs” são responsáveis por poluir a mente do cidadão brasileiro.
Traduzindo: o eleitor não está comprando o que o Planalto está tentando vender, então é mais fácil dizer que ele está “confuso” por causa do Instagram e do WhatsApp.
E, enquanto isso, as redes sociais – odiadas, mas indispensáveis – são a mesma ferramenta que o PT usou com maestria para eleger Lula.
Controle
Há uma hipocrisia gritante na tentativa de “controlar” o fluxo de informações, especialmente vindo de um partido que se beneficiou largamente do discurso digital em 2022, com a ajuda de André Janones.
Atenção: também sou favorável à regulamentação das redes sociais. Mas isso não se faz da noite para o dia. É uma construção que precisa envolver a sociedade, levar anos de debate, e, acima de tudo, jamais pode servir como instrumento de um governo.
Exatamente o oposto do que Sidônio Palmeira quer em sua estreia.
Leia também: Quem acreditou no teatro contra fake news do Pix?
Desviar para não entregar
O problema real não são as big techs ou as fake news. O problema é um governo que já está na segunda fase do mandato, pós-metade – onde a realidade bate à porta – e ainda não apresentou resultados tangíveis para melhorar a vida do brasileiro médio.
Com apenas 9 meses úteis pela frente (sim, 9 meses, faça as contas) para provar seu valor, como já apontaram estudos sobre ciclos políticos, a administração atual está atolada em discursos vazios e “cortinas de fumaça”.
As promessas não cumpridas – e não foram poucas – continuam acumulando poeira, enquanto o governo se concentra em criar narrativas e fabricar vilões para distrair a opinião pública.
Ao invés de culpar o algoritmo, talvez seja hora de encarar a verdade: o eleitor não é idiota e sabe quando está sendo enganado.
Uma aposta arriscada
Lula está jogando um jogo perigoso. Criar narrativas enquanto a insatisfação cresce é uma estratégia que pode funcionar por um tempo, mas o relógio está contra ele.
Comprar briga com as maiores empresas americanas, justamente quando Trump prega protecionismo para o mercado dos EUA aos quatro ventos, não parece uma ideia inteligente nem um bom timing.
O primeiro trimestre de 2025, como já se projetou, será o divisor de águas: se os resultados desse governo não aparecerem até lá, nem SIDÔNIO PALMEIRA, nem as big techs, nem as “fake news” salvarão o governo de uma busca por alternativas.
A paciência do eleitor não é infinita, e o tempo do governo está acabando.
*Roberto Reis é um consultor eleitoral com 25 anos de experiência em campanhas em todo o Brasil
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Comentários (3)
Amaury G Feitosa
17.01.2025 17:21- Epitáfio da Janja: QUEM NUNCA COMEU MEL QUANDO COME SE LAMBUZA . - Epitáfio do Lula; FARINHA POUCA MEU PIRÃO PRIMEIRO.
eduardo henrique da silva mattos
17.01.2025 09:30Nojo
Carlos Renato Cardoso Da Costa
17.01.2025 06:30Um governo que nunca disse ao que veio, cujo objetivo único é reescrever a porca história do lula e do PT e que só foi eleito porque o adversário era asqueroso. Que descanse em paz