O próximo ministro da Fazenda e o fogo amigo do PT
O partido e o próprio Lula têm histórico de sabotar quem assume o ministério e procura manter os gastos públicos sob controle
Discute-se quem será o ministro da Fazenda no quarto mandato de Lula. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, ganhou destaque entre os cotados, ao lado de Geraldo Alckmin e Dario Durigan.
Mas existe uma questão mais importante: quanto apoio o escolhido terá para executar suas decisões?
Não adianta escolher alguém com ideias econômicas sólidas e credibilidade no mercado se ele tiver de enfrentar uma campanha permanente de sabotagem do partido governista e do próprio presidente.
Culto ao gasto público
Em toda a longa história dos governos petistas, apenas Antônio Palocci, no primeiro mandato de Lula, e Guido Mantega, sob Lula e Dilma Rousseff, trabalharam com alguma paz.
Palocci acreditava de verdade no controle dos gastos públicos. É bem provável que tivesse enfrentado fogo amigo com o tempo, mas caiu antes disso, enrolado num escândalo.
Mantega encarna perfeitamente o ideário econômico petista. Não concebe desenvolvimento sem gasto público direto (investimentos) ou indireto (estímulos e subsídios). Acredita que setores estratégicos devem ser dominados por estatais poderosas e que mesmo as grandes empresas privadas devem estar de alguma forma sujeitas à influência do governo.
Levy
A política econômica de Mantega havia destruído a credibilidade fiscal brasileira ao final do primeiro mandato de Dilma. Em 2015, Joaquim Levy foi convidado a assumir o posto para tentar recuperá-la.
O PT resistiu a ele desde o primeiro segundo.
Senadores da legenda votaram contra medidas do ajuste. Lideranças criticavam publicamente sua orientação e setores do governo trabalhavam para miná-lo.
Levy não era petista. Poderia parecer natural que enfrentasse resistência ideológica.
Não basta ser do partido
Mas a experiência de Fernando Haddad demonstrou que pertencer ao partido tampouco garante tranquilidade – basta se afastar, um tiquinho que seja, dos mandamentos da cartilha.
Haddad assumiu a Fazenda em 2023. Poucas semanas depois, já estava sob ataque.
Durante uma reunião ministerial, Lula afirmou que dinheiro bom para quem está na Fazenda é dinheiro no Tesouro, enquanto, para o presidente, é dinheiro transformado em obra.
Haddad propunha conter o déficit público. Seu chefe incentivava os colegas a gastar.
Como fritar um ministro
Mais um exemplo de como fritar um ministro da Fazenda.
Em novembro daquele mesmo ano, Haddad tentou preservar a meta de déficit primário zero para 2024.
Rui Costa, chefe da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann, presidente do PT, defenderam sua flexibilização, abrindo espaço para mais despesas.
Logo, o próprio Lula entrou em campo. Declarou publicamente que dificilmente a meta seria alcançada e que não sacrificaria investimentos para cumpri-la.
Na campanha à reeleição deste ano, o presidente deixou claro de uma vez por todas o que pensa sobre superávits fiscais: “uma babaquice”.
Boa sorte ao próximo ocupante da pasta.
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Comentários (1)
Não fará a menor diferença! Continuaremos com a alta carga de impostos!