O perigoso jogo de Hugo Motta no caso Carla Zambelli
Presidente da Câmara faz acenos à bancada bolsonarista; movimento, no entanto, visa a contemplar deputados do Centrão
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem se notabilizado por encontrar soluções curiosas para situações igualmente inusitadas.
Na noite desta terça-feira, Motta afirmou com todas as letras – ao responder a um questionamento do deputado André Fernandes (PL-CE) em plena sessão de votação – que caberá ao plenário da Câmara selar o destino de Carla Zambelli (PL-SP), parlamentar condenada a dez anos de prisão pelo STF e que está foragida na Itália.
“O Plenário é que tem a legitimidade desta Casa e ele decide para onde a Casa vai. Ele é soberano e está acima de cada um de nós”, disse Motta. “Eu não fui notificado sobre a prisão, por isso não a trouxe ao Plenário. Fui notificado sobre o bloqueio dos vencimentos”, acrescentou ele.
Antes que a frase seja interpretada como uma declaração de guerra ao STF é importante que se diga o seguinte: levar o caso a plenário não significa necessariamente um salvo-conduto para a deputada. Muito pelo contrário. São poucos os parlamentares que morrem de amores por Zambelli. Inclusive alguns integrantes da bancada do PL que, assim como Jair Bolsonaro, ainda responsabilizam a “cosplay” de Kate Marrone pela derrota no pleito de 2022.
Os acenos de Hugo Motta
Ao levar o caso para plenário, Motta faz acenos à bancada do PL e mostra, novamente, que não pretende levar a cabo uma outra demanda bolsonarista: a pauta da anistia a Jair Bolsonaro e seus principais aliados por crimes decorrentes do 8 de janeiro.
Paralelo a isso, Motta, conforme apurou O Antagonista junto a aliados do presidente da Câmara, pretende convencer os integrantes da Suprema Corte que a análise do caso Zambelli em plenário não significa necessariamente um conflito institucional, até porque são poucos os parlamentares dispostos a salvar a pele da deputada foragida.
A questão que se coloca, no entanto, é que ao jogar para o plenário a confirmação de uma perda de mandato – uma jurisprudência já pacificada pelo STF -, Motta abre margem para proteger parlamentares do Centrão que temem o destino das investigações do Supremo sobre as emendas parlamentares. E, aí sim, poderemos ter uma bela de uma crise institucional.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Murillo Bueno
11.06.2025 09:56Opa,mas peraí.Faltou dizer que isso é prerrogativa do legislativo e só houver crise institucional é por culpa da intromissão do STF.