O melhor petista do mundo
Haddad deixa o Ministério da Fazenda sob aplausos constrangidos por conseguir ser menos petista do que qualquer outro petista
Fernando Haddad (foto) parte mais uma vez para o sacrifício pelo PT. Após servir de verniz no Ministério da Fazenda para a política econômica irresponsável de Lula, o petista é empurrado, meio a contragosto, para mais uma disputa eleitoral da qual muito dificilmente sairá vencedor.
Na saída, Haddad recebeu algo parecido com elogios de um editorial da Folha de S.Paulo intitulado “Diante das alternativas, Haddad fez boa gestão na Fazenda”, que o aplaude com relutância e em tom de alívio por ele ter sido o menor mal possível entre todos os que se cogitaram quando Lula foi eleito, em 2022.
Isso não serve exatamente de consolo para o Brasil, pois o grande feito de Haddad foi manter o governo Lula de pé, ainda que cambaleante, até agora, à base do aumento da carga tributária e de sustos como o voo do dólar acima de 6 reais, destaques de uma política econômica que obriga o Banco Central a sustentar há meses uma taxa básica de juros recorde de 15% ao ano.
Pelo menos não é Mantega
Um ministro da Fazenda mais petista — e Guido Mantega assustou todo mundo ao aparecer no gabinete de transição, em 2022 — provavelmente teria encurtado o terceiro mandato do presidente, com uma política ainda mais irresponsável e insustentável.
De fato, como diz a Folha, Haddad não foi arrastado pelo escândalo do Banco Master e não há nada em sua atuação pública que leve a duvidar de seu caráter, mas a probidade do ministro da Fazenda só reforça, no contexto dos últimos governos do PT, sua distância da cúpula decisória.
Acreditar que o ministro controlou Lula de alguma forma é ingenuidade.
Gestão Taxad
O presidente fez o que quis, mas projetando, por meio de Haddad, a impressão de que se preocupava com responsabilidade fiscal, escondido atrás do discurso do novo arcabouço fiscal, que não passou nem perto de entregar o que prometia, e atrapalhou o Banco Central no controle da inflação.
É assim que terminará a gestão de Haddad, como um consolo diante da tragédia absoluta que poderia ter sido, mas muito longe de merecer qualquer elogio.
E com o apelido simbólico de Taxad.
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