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O Brasil ficou mais burro e está a caminho de se tornar mais pobre

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Carlos Graieb
4 minutos de leitura 17.06.2024 13:20 comentários
Análise

O Brasil ficou mais burro e está a caminho de se tornar mais pobre

Pesquisa do Instituto Reuters indica que 47% dos brasileiros relutam em acompanhar o noticiário cotidianamente, porque isso faz com que se sintam "ansiosos e impotentes"

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Carlos Graieb
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O Brasil ficou mais burro e está a caminho de se tornar mais pobre
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 17, pelo Instituto Reuters indica que 47% dos brasileiros relutam em acompanhar o noticiário cotidianamente, porque isso faz com que se sintam “ansiosos e impotentes”.

Se você continua aqui, é sinal que aguenta o tranco. Então, lá vai.

Leio na Folha de S.Paulo que o país só cumpriu 4 das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE) traçado para o decênio 2014-2024.

Vejo também que sem um salto extraordinário em produtividade, que só pode ser obtido com melhora consistente na educação, o Brasil tende a empobrecer nos próximos 20 anos.

O balanço sobre o PNE foi feito pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. As metas só foram atingidas em alguns aspectos da educação profissionalizante, do acesso ao ensino superior e na formação de professores. No restante, evolução muito mais lenta do que a necessária.

Brasil se distancia da meta

O mais alarmante é que, nos últimos anos, o Brasil conseguiu se distanciar da meta em dois indicadores básicos: universalização do acesso ao ensino fundamental para crianças de 6 a 14 anos e redução nos números do analfabetismo.

No primeiro caso, a taxa de acesso chegou a 98% em 2020, mas retrocedeu com a pandemia e, ao final de 2023, encontrava-se em 95,7%. Pretendia-se chegar aos 100% ao final de 2024.

No segundo, houve retrocesso no número de cidadãos que se diziam alfabetizados entre 2021, ponto mais alto da série, e o final de 2023: a taxa caiu de 95% para 94,6%, sendo que a meta, mais uma vez, era chegar aos 100% ao final deste ano.

Sem progresso

É importante lembrar que Índice de Alfabetismo Funcional (Inaf), criado em 2001 pela Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro, mostra que a proporção de pessoas entre 15 e 64 que só conseguem ler, escrever e fazer contas em nível rudimentar se manteve estável, em torno de 12% na população brasileira, ao longo das últimas duas décadas. Ou seja, não há progresso.

Combine-se agora o fiasco na educação com o imperativo de incrementar a produtividade no Brasil, para que a economia do país continue crescendo enquanto sua população ativa envelhece e encolhe.

Escolaridade é um dos componentes-chave da produtividade. O preparo das pessoas que chegam ao mercado de trabalho tem, sim, melhorado ao longo das décadas. Segundo declaração do economista Fernando Veloso à Folha, na medida em que houve algum avanço na produtividade, a formação dos trabalhadores contribuiu.

“Se näo fosse a educação, com todos os seus problemas, o resultado teria sido muito pior”, disse Veloso ao jornal.

O resultado é péssimo

Acontece que o resultado a que o economista se refere é péssimo: a produtividade cresceu apenas 0,3% ao ano no Brasil entre 2010 e 2023, sendo que a maior contribuição, como é bem sabido, veio do agronegócio, com 5,8% de melhora anual.

Neste ano, o governo Lula terá de apresentar um novo Plano Nacional de Educação. Embora não seja o único responsável pelos resultados ruins, precisa ser confrontado com eles e mostrar-se capaz de enfrentar o problema. O ano vai pela metade e o governo ainda não se mexeu.

Além disso, estão no horizonte as eleições deste ano e de 2026. Nenhum político que não trate a educação como prioridade máxima, para além das frases feitas e das soluções mágicas que nunca dão certo, deveria ser tratado com desprezo e nem sequer considerado como opção para as urnas.

O Brasil ficou mais burro e está a caminho de se tornar mais pobre. Pode ficar deprimido.

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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