“Nacionalismo cristão”, o novo inimigo imaginário da esquerda
Estratégia de rotular fé como ameaça cria bode expiatório; ataques em igreja e campus, comparação nazista e dados de busca expõem raízes do ódio
“É terrorismo doméstico e crime de ódio contra católicos”, informou o FBI sobre os tiros disparados durante a missa católica na Igreja da Anunciação, em Minneapolis, há menos de um mês. Duas crianças morreram e fiéis ficaram feridos enquanto rezavam, sem chance de defesa.
O autor dos disparos, um transsexual, deixou vídeos e inscrições anticristãs e escolheu o horário da missa para maximizar a tragédia.
“Eu tive o bastante do ódio dele [Charlie Kirk]; há ódio que não dá para negociar”, revelaram as investigações de Utah em mensagens do autor do disparo que matou o ativista, mostrando a motivação política.
Ele tinha uma relação amorosa com um homem “em transição de gênero” e, segundo a própria família, havia se radicalizado na universidade.
A radicalização recente da esquerda é inegável.
O ato de homenagem a Charlie Kirk reuniu uma multidão no State Farm Stadium, em Glendale, Arizona. A viúva, Erika Kirk, foi ao microfone e disse, sobre o assassino do marido: “Eu perdoo”. Ela lembrou, num momento de dor inimaginável, que a resposta cristã à violência é amor e perdão.
Enquanto muitos amigos, parentes e apoiadores de Kirk falavam em perdão e paz, a escalada verbal da esquerda continuou.
Steven Bonnell II, influenciador conhecido como Destiny, publicou: “Este ato em homenagem a Charlie Kirk é indistinguível de um comício nazista”.
Em entrevista, Destiny recusou condenar o assassinato de Kirk e afirmou que conservadores deveriam “ter medo de ser mortos” para pressionar líderes a baixar o tom.
Até a apresentadora e comentarista de esquerda Ana Kasparian reagiu com indignação: “Não, [meu cérebro] não foi quebrado. Eu me importo com o país e quero unir as pessoas. Você faz o oposto. Você representa o pior de nós, Destiny”.
O método de colar “nazista” na direita desumaniza as vítimas de violência política e legitima agressões.
No Google Trends, há um pico recente nas buscas do termo “nacionalismo cristão”. Trechos de discursos sobre Pais Fundadores, Aristóteles e fé no espaço público foram apresentados como “alertas”.
O historiador Christopher Dawson mostrou em sua obra que a cristandade edificou a unidade cultural do Ocidente e que a civilização europeia não se explica sem sua matriz religiosa.
Uma sociedade é, historicamente, uma comunidade religiosa, na qual símbolos e ritos sustentam lealdades e deveres antes de leis.
Elitismo radical e alienado
A alienação do elitismo progressista radical em relação ao senso comum é evidente.
Segundo o Pew Research Center, 62% dos adultos nos Estados Unidos se identificam como cristãos, proporção estável desde 2019.
Levantamentos do Gallup registram aumento da parcela que enxerga a religião ganhando influência.
A Barna Research mediu alta de 12 pontos no compromisso pessoal com Jesus desde 2021, com avanço entre jovens.
O PRRI estima cerca de 30% de apoio ou simpatia a maior presença de valores cristãos na vida pública, sobretudo em estados de prática religiosa intensa.
Na sua revolucionária antropologia da violência, René Girard, um dos mais importantes intelectuais do século XX, descreveu a tendência de sociedades elegerem bodes expiatórios para descarregar tensões e produzir uma falsa pacificação.
Girard demonstrou que o cristianismo é a única religião que revela o mecanismo do bode expiatório em vez de perpetuar sua lógica violenta. Cristo, a vítima perfeitamente inocente, expõe sem disfarce a violência coletiva literalmente contra Deus como o mal absoluto, calibrando a bússola moral do Ocidente.
Por isso, sociedades pós-cristãs que rejeitam esta revelação inevitavelmente retornam ao sacrifício pagão de vítimas inocentes.
Para avançar com a agenda, uma das armas mais poderosas é a desinformação, que teve na União Soviética seu maior importante patrocinador.
Ion Mihai Pacepa, o oficial de inteligência de mais alto escalão a desertar da URSS, revelou que mais pessoas trabalhavam em desinformação do que nas forças armadas.
A técnica: criar um rótulo pejorativo sobre qualquer pessoa ou ideia que sirva como fundamento cultural e social do ocidente e repetir até a saturação para deslocar o foco dos fatos e da verdade para o alvo da desinformação.
Jacobinismo e Marxismo
As raízes jacobinas e marxistas do ódio ao cristianismo também ajudam a entender a persistência do método.
Na França revolucionária, o processo de descristianização incluiu a Constituição Civil do Clero, a profanação de igrejas, a transformação de templos em “Templos da Razão” e o assassinato em massa de padres e fiéis.
No século XIX, Karl Marx formulou a crítica sistemática: “a religião é o ópio do povo” e “a crítica da religião é a premissa de toda crítica”.
A meta era substituir a transcendência por um projeto material de salvação terrena.
Essa combinação de engenharia cultural e justificação “científica” reaparece quando atores contemporâneos apresentam a fé majoritária no Ocidente como obstáculo à ordem “correta” e à transformação social desejada pelo marxismo.
Para frear o suicídio civilizacional, o Ocidente precisa interromper a demonização da sua matriz religiosa, recuperar orgulho de sua história, proteger a expressão de fé no espaço público e reafirmar as tradições que moldaram sua história e suas instituições.
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Comentários (1)
Carlos Renato Cardoso Da Costa
23.09.2025 11:07O cristianismo adotou o papel de bode expiatório antes e depois atingir seu espaço de poder institucional. Durante ele também soube imputar a outros, especialmente judeus, o papel de bode expiatório para os males da sua sociedade. Felizmente são tempos superados.