Musk pode repetir erros que entregaram o poder à esquerda
Bilionário ignora a história, os riscos eleitorais e até os prejuízos aos próprios acionistas
A aventura de Elon Musk como líder partidário, com o lançamento do “America Party”, não é apenas um gesto inconsequente. É a tentativa deliberada de transformar protagonismo econômico em poder político.
O homem mais rico do mundo, à frente de empresas que moldam o futuro da tecnologia, desafia diretamente Donald Trump ao dividir o eleitorado conservador. O precedente histórico é grave. As consequências, profundas.
As ações da Tesla caíram 7% no pré-mercado nesta segunda-feira, 7. Investidores temem instabilidade regulatória, retaliações e perda de foco na gestão. Musk não parece se importar. Como em 1912 e 1992, a ambição de um só homem ameaça desorganizar todo o campo da direita.
RFK Jr, que poderia ter feito o mesmo movimento, mostrou maturidade política e acabou cerrando fileiras com Trump. Hoje é o poderoso chefe do ministério da saúde dos EUA.
Lições da história
Em 1912, Theodore Roosevelt fundou um partido dissidente após perder a convenção republicana.
A divisão entre ele e William Taft entregou a presidência ao democrata Woodrow Wilson, eleito com apenas 43% dos votos.
O governo Wilson lançou as bases do autoritarismo moderno: censura institucionalizada, prisões políticas, segregação e um culto ao Estado que inspiraria ideologias totalitárias na Europa.
Para Jonah Goldberg, Wilson “implantou um modelo de governo centralizado com roupagem moral progressista”, criando o embrião do que viria a ser o fascismo na década seguinte.
Em 1992, Ross Perot obteve 19% dos votos com uma candidatura independente.
Ao dividir o eleitorado conservador, impediu a reeleição de George H. W. Bush e pavimentou a vitória de Bill Clinton.
O resultado foi um governo marcado por políticas globalistas, escândalos morais e fraqueza institucional.
Clinton, um desconhecido governador do Arkansas, aprovou a revogação do Glass-Steagall, facilitando a fusão entre bancos de investimento e comerciais. Muitos especialistas responsabilizam essa desregulamentação pela grande recessão de 2008.
Sua política externa foi criticada por permitir o avanço chinês e expandir a OTAN sem visão estratégica.
Internamente, seu fracasso na reforma do sistema de saúde e os escândalos ligados ao impeachment minaram a autoridade presidencial e comprometeram a confiança nas instituições.
Elon Musk repete os mesmos erros.
Como muitos empresários que ingressam na política, traz uma visão simplista de como tudo funciona na área pública. A política exige construção institucional, articulação e respeito às regras do jogo democrático. Demanda paciência, espírito público e sabedoria.
O saudoso Sebastián Piñera, no Chile, foi uma exceção rara entre empresários que compreenderam como o sistema funciona. Musk, ao contrário, aposta no voluntarismo e na ruptura.
A história mostra que, quando a direita se divide, a esquerda vence e governa por longos períodos com projetos que ampliam o Estado e fragilizam as liberdades.
A fragmentação iniciada por Musk pode abrir caminho para mais um ciclo progressista com consequências inimagináveis, num mundo cada vez mais conturbado.
Se o objetivo é preservar os princípios do constitucionalismo, da liberdade econômica e da soberania nacional, o caminho não é a desunião.
O conservadorismo americano não pode ignorar as lições da história. Ou será engolido por ela.
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Comentários (2)
Marian
07.07.2025 10:30É uma aventura de Elon fadada ao insucesso.
Luis Eduardo Rezende Caracik
07.07.2025 08:53Isso é um artigo jornalístico ou uma opinião de quem não quer qualquer tipo de oposição à extrema direita que impera nos Estados Unidos?