Mercado de trabalho perde força nos EUA
Donald Trump deve voltar a bombardear Jerome Powell, presidente do FED, mas as suas tarifas também pesaram nessa conta
A divulgação hoje, 1º de agosto, dos dados de payroll (um compilado de dados que apresenta informações sobre postos de trabalho), mostra que o mercado de trabalho dos Estados Unidos deu um sinal claro de fraqueza.
Em julho, foram criados apenas 73 mil empregos formais, número bem abaixo do esperado pelos analistas e o pior resultado em mais de dois anos.
Além disso, os dados dos dois meses anteriores foram revisados para baixo, mostrando que a desaceleração já vinha se acumulando sem chamar atenção.
Na prática, isso significa que mais americanos estão tendo dificuldade para conseguir trabalho, e os setores da economia que antes contratavam com força, como varejo, construção e indústria, agora estão pisando no freio.
Essa mudança vem no rastro das novas tarifas comerciais impostas mundo afora pelo presidente Donald Trump, que aumentaram os custos de produção para muitas empresas.
Produtos importados, peças e até equipamentos ficaram mais caros, o que está levando empresas a cortarem gastos, e isso inclui novas contratações.
A ideia inicial do governo era proteger empregos americanos, mas o efeito parece estar sendo o contrário em alguns setores, como a indústria, que perdeu 11 mil vagas em julho, depois de já ter perdido o outras 15 e 11 mil nos dois meses anteriores.
Apesar dos salários ainda estarem crescendo acima da inflação, o avanço não tem sido suficiente para compensar a perda de fôlego no número total de trabalhadores ativos.
Se o ritmo continuar assim, o consumo interno, considerado o motor da economia americana, pode começar a sentir o baque com mais força, já que menos gente empregada significa menos dinheiro circulando.
Para Trump esse é um dado preocupante. Até recentemente, seu discurso de que “os EUA nunca estiveram tão bem” era sustentado por bons números de emprego. Agora, esse argumento perde força, e os adversários devem explorar isso.
No curto prazo, Trump deve voltar a bombardear Jerome Powell, presidente do FED (o banco central dos EUA) como grande culpado por não cortar os juros – algo que ganha mais chances de acontecer na próxima reunião do órgão – mas a verdade é que suas tarifas também tem peso e os números podem piorar.
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