Márcio Coimbra na Crusoé: Eixo do caos
Ao importar petróleo iraniano e russo sob sanções, Pequim fornece o oxigênio financeiro necessário para que esses regimes ignorem as pressões de Washington e Bruxelas
A atual escalada de tensões no Oriente Médio, protagonizada pelo Irã e suas ramificações regionais, deixou de ser um fenômeno circunscrito às fronteiras geográficas do Levante ou do Golfo Pérsico para se tornar o epicentro de uma transformação tectônica na geopolítica global.
O que testemunhamos hoje não é meramente uma crise de segurança regional, mas a cristalização do que podemos definir como o “Eixo do Caos”: uma coalizão estratégica, cada vez mais profunda e letal, composta por Irã, Rússia, China e Coreia do Norte.
Essa aliança, embora careça de uma base ideológica homogênea — unindo uma teocracia islâmica, uma autocracia nacionalista russa, o capitalismo de Estado centralizado chinês e o totalitarismo dinástico norte-coreano —, encontra sua coesão em um objetivo pragmático e existencial: o desmantelamento da ordem internacional liderada pelo Ocidente e a criação de um sistema em que a impunidade autoritária seja a norma, não a exceção.
Essa colaboração não é um pacto de amizade, mas uma simbiose puramente transacional de alta periculosidade.
O pragmatismo cínico que rege essa união permite que o Irã forneça enxames de drones Shahed para que a Rússia sustente sua guerra de exaustão na Ucrânia, enquanto Moscou, em uma via de mão dupla, retribui com tecnologia militar sensível, incluindo sistemas de defesa aérea avançados e colaboração no setor aeroespacial.
Esse intercâmbio vai além do fornecimento de hardware e cria um laboratório de guerra em tempo real, onde táticas para sobrecarregar defesas ocidentais são testadas e refinadas. A Rússia, outrora uma potência que buscava equilibrar suas relações no Oriente Médio, agora atua como o escudo diplomático do Irã no Conselho de Segurança da ONU, garantindo que as sanções percam sua eficácia e que o isolamento internacional seja mitigado por um cordão umbilical que liga Teerã a Moscou e Pequim…
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