Lula não vai enrolar os “CEOs de MEI”
Petista passou o governo inteiro tentando conquistar os trabalhadores de aplicativo, cuja ânsia por autonomia não é compreendida por quem vive da expectativa de submissão
O início do segundo turno presidencial deu início ao curto período do ano eleitoral em que os petistas se propõem ao debate com quem discorda deles. Desesperados por votos contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os apoiadores de Lula (foto) semeiam mensagens de paz com convites ao diálogo, mas sem conseguir esconder o desprezo que sentem por quem ousa não votar em seu candidato.
Na manifestação da avenida Paulista no domingo, 11, ouvia-se nas estações de metrô de São Paulo o canto “trabalhador, olha para cá, eu estou na rua para o seu filho estudar”, que sintetiza o espírito dos lulistas, incapazes de demonstrar humildade e respeito mesmo quando aflitos por votos.
De uma hora para outra, surgiu, na perspectiva dessas pessoas, uma direita com a qual vale a pena dialogar, como se, até o fim do primeiro turno, eles não tratassem todos como “extrema direita”.
“CEOs de MEI”
Até os “CEOs de MEI”, forma pejorativa com que a esquerda brasileira se acostumou a se referir aos trabalhadores autônomos e donos de pequenos negócios, passaram a ser tratados com carinho e viraram alvo das promessas irresponsáveis de Lula.
O presidente, que já tinha reajustado o Bolsa Família em cima do primeiro turno, proibido as bets da noite para o dia, prometido canetas emagrecedoras e suspendido a taxa das blusinhas, prometeu perdoar as dívidas dos microempreendedores individuais e dar 5 mil reais para cada um.
Lula e seus aliados passaram o governo inteiro tentando conquistar, sem sucesso, os trabalhadores de aplicativo, cuja ânsia por autonomia não é compreendida por quem vive da expectativa de submissão e fez toda a carreira política em cima disso.
“Pobre de direita”
A liberdade de poder escolher quando trabalhar, ainda que por pouco dinheiro e sem a segurança sufocante da CLT, está muito distante da realidade que o governo projeta com a promessa ilusória e irresponsável do fim da escala de trabalho 6×1, que Lula vai empurrando no Senado.
É esse país que o PT se recusa a compreender que ameaça a continuidade do projeto de poder de Lula. Esse projeto se limita, hoje, a ele mesmo, ao culto de uma figura que sobreviveu, por linhas tortas, aos escândalos de corrupção e acabou submetendo o partido, sufocado pelo ego do presidente.
Esse Brasil do “pobre de direita”, outra categoria criada para humilhar e chantagear quem não está na mesma sintonia dos petistas, ousa tentar andar com as próprias pernas, e já aprendeu que não tem muito a ganhar com as promessas vazias de quem sobreviveu politicamente por anos às suas custas.
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