Leonardo Barreto na Crusoé: Jogo bruto contra a autopreservação das elites
Está em vigor no país um projeto de poder que tem na autoperpetuação seu único objetivo
Uma das promessas dos processos de democratização é promover a conexão entre as pessoas e os grupos dirigentes.
O mecanismo para que isso é, em tese, simples: na medida em que o voto e a opinião pública são os principais elementos para a solução das disputas políticas, que encontra seu pico nas eleições, as elites tendem a se comportar de acordo e aceitar se submeter a algum tipo de controle popular.
Por que, no entanto, tem-se a sensação de que o Brasil vai na direção Brasil oposta?
Funcionários do Judiciário ganham milhões em penduricalhos, ministros de tribunais superiores fazem lobby abertamente para empresas privadas representadas por parentes, Planalto e Congresso não dão a mínima para a regra fiscal, programas com recursos públicos correm sem prestar contas e todos assistem impotentes.
A tendência do cientista social – categoria na qual me incluo – é buscar uma explicação geral na qual todo mundo é culpado.
Coisa do tipo “a confusão entre interesse público e privado começou quando Pedro Álvares Cabral desembarcou por aqui” e assim por diante…
Devo confessar que, no início deste texto, minha intenção era apresentar mais uma dessas teorias de tudo.
A ideia era colocar a culpa na polarização, afirmando que ela criou as bases para uma impunidade inédita para o país.
Na medida em que um lado detém a “virtude”, ele pode tudo.
Nenhum desvio será apontado, nenhuma denúncia será levada a sério porque, antes de tudo, não se pode abrir brecha para que o outro lado volte ao poder.
Não existe verdade. Só existe poder.
Embora a polarização desempenhe, sem dúvidas, um papel decisivo para a instrumentalização das instituições, ela é fruto, não causa.
É muito importante ter isso em vista para não esquecer que resultados políticos não brotam no ar. Por trás de cada um deles há agentes conscientes, decisões e propósitos.
Nesse sentido, virei o texto para procurar a espinha dorsal do nosso estado de coisas e percebi seu nascimento na reação à operação Lava-Jato que…
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