Leonardo Barreto na Crusoé: Aumenta tensão na direita
Quem tem voto é o sobrenome Bolsonaro
Alguém escreveu que o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao escolher o filho como sucessor, prefere apostar em manter o controle da direita no clã do que derrotar o presidente Lula.
Essa é uma análise comum entre agentes do Centrão, que revela o receio de se repetir em 2026 o que ocorreu quatro anos antes: ver a direita ser derrotada pela rejeição carregada pelo sobrenome Bolsonaro.
A pesquisa feita pela Atlas/Intel ontem (21) mostra que essa avaliação tem uma relação paradoxal com a realidade.
Por um lado, o exercício feito pela empresa de pesquisas, simulando um cenário eleitoral idêntico ao de outubro de 2022, com os mesmos candidatos que concorreram no primeiro turno, encontrou resultados muito próximos do que foi realizado.
A leitura óbvia: a correlação de forças, especialmente de rejeições, que foi responsável pelo resultado de quatro anos atrás, continua intacta.
Uma repetição de um confronto entre Lula e Bolsonaro tende, assim, a produzir um repeteco.
Além disso, a fatia dos eleitores que escolheram candidatos diferentes de Lula e Bolsonaro está em 29%, sugerindo que há apelo na direita por outro nome.
O Centrão, portanto, tem um ponto.
O problema dessa relação é que o bolsonarismo também tem um.
O sobrenome Bolsonaro é o único que mobiliza gente suficiente para garantir um ticket para o segundo turno neste momento.
Mesmo não sendo conhecido por quase 30% dos eleitores, segundo a última pesquisa Quaest, o senador Flávio Bolsonaro cresceu doze pontos entre novembro e janeiro.
A diferença dele para Lula no segundo turno caiu sete pontos no mesmo período (hoje está 49% contra 45%) e Flávio tem uma rejeição ligeiramente menor que a do petista (47% x 49%).
Ou seja, quem tem voto, é o sobrenome Bolsonaro…
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