Donald Trump, a laranja mecânica
Donald Trump reinventa discurso liberal em novo governo
O segundo mandato do republicano Donald Trump aos poucos entrega aquilo que havia prometido em campanha: uma versão radical e despudorada de seu estranho “isolacionismo imperialista”, que pretende dobrar os joelhos do mundo à força de tarifas, deportações, chantagens, ameaças e nacionalismo.
Como se aproximar-se de Vladimir Putin, ironizar Volodymyr Zelensky, cobiçar a Groenlândia e brincar com a Faixa de Gaza não bastasse para deixar o restante do mundo de cabelos diplomáticos em pé, a guerra comercial aberta contra todos aqueles que “exploraram os EUA” é mais uma estocada no que restava da ordem liberal construída a duras penas no pós-guerra.
Alguma coisa está fora da nova ordem mundial
Quem hoje ameaça o livre comércio e o bê-á-bá da globalização não é o totalitarismo comunista, o terrorismo islâmico ou o capitalismo de Estado chinês, mas a filosofia econômica quase nietzschiana do quem-pode-mais-chora-menos. Trump, empanturrado de certezas, confia no peso e no tamanho do próprio país. Os mercados, mais desconfiados, nem tanto.
Bolsas mundiais têm alta volatilidade e dólar dispara
Depois de rumores de que suspenderia o furor tarifário por 90 dias – prontamente negados pela Casa Branca –, Trump ameaça aumentar para mais de 50% as taxas sobre a China, se o país “não retirar esse aumento de 34% sobre seus já abusivos termos comerciais até amanhã, 8 de abril de 2025”.
James Dimon, CEO do JP Morgan, afirmou que a “fragmentação econômica provocada pelo tarifaço pode ser desastrosa no longo prazo”, e ponderou que priorizar os EUA não deveria significar isolar ainda mais o país.
Por enquanto, Trump não parece estar disposto a ceder, apesar da forte pressão internacional e da tentativa de mais de 50 países de renegociar as porcentagens. Resta saber quem rirá por último ou chorará menos. Ou se, no fim, choraremos todos nós.
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