Goleada pró-Moro foi maior que unanimidade

30.07.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Goleada pró-Moro foi maior que unanimidade

avatar
Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 10.04.2024 07:22 comentários
Análise

Goleada pró-Moro foi maior que unanimidade

O placar de 5 desembargadores eleitorais contra dois indicados de Lula escancarou aquilo que se sabe desde que Moro se candidatou: o mundo político não vai perdoá-lo

avatar
Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 10.04.2024 07:22 comentários 0
Goleada pró-Moro foi maior que unanimidade
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) recusou na terça-feira, 9, a cassação do mandato de senador de Sergio Moro (União-PR, foto). O placar foi de 5 desembargadores eleitorais contra dois indicados de Lula, como resumiu Felipe Moura Brasil.

Apenas José Rodrigo Sade e Lucio Jacob Junior, ambos escolhidos pelo petista para participar do julgamento, acataram as alegações de PT e PL de que o ex-juiz da Lava Jato cometeu abuso de poder econômico por ter se apresentado como pré-candidato ao Palácio do Planalto e ao Senado por São Paulo antes de se eleger senador pelo Paraná.

O placar escancarou aquilo que se sabe desde que Moro se candidatou: o mundo político, e em especial os petistas, , que falam tanto em amor, não perdoaram — e provavelmente nunca vão perdoar — o ex-juiz pela Operação Lava Jato.

Acusação

Seus acusadores fingem outras motivações, mas, antes mesmo de o placar cristalizar a realidade, a razão essencial transparecia nas próprias acusações, como destacou o relator do caso, Luciano Carrasco Falavinha. Moro foi acusado até de caixa 2, algo que nem os indicados por Lula ousaram endossar ao votar pela cassação.

“Não pode aquele que impugna domicilio eleitoral de candidato – e sai vitorioso – depois impugnar candidatura por excesso em outro Estado. É comportamento contraditório que busca impedir candidato de participar da vida política”, diz Falavinha em um trecho de seu parecer.

Vida política

Essa é a punição planejada pelo mundo político a Moro e executada desde sua pré-campanha à Presidência: impedi-lo de participar da vida política. É o que ocorreu com o ex-deputado Deltan Dallagnol, que foi absolvido por unanimidade pelo mesmo TRE-PR, mas condenado, também por unanimidade, no Superior Tribunal Eleitoral (TSE). É onde o futuro de Moro também será decidido.

Além do cargo, há outro elemento que distingue os dois casos: o julgamento de Moro no TRE-PR foi transmitido. E o relator deixou bem claro, para quem quiser ver, que não há previsão legal para punir Moro, além de chamar atenção para quais serão as consequências para as próximas eleições de pesar a mão para punir o ex-juiz.

Ficou claro também, pelo voto de Sade, o que o TSE já havia indicado na cassação de Dallagnol: em um julgamento político, as provas e as leis não são exatamente o mais importante. O homem que o indicou para julgar a campanha do ex-juiz já contou que dizia o seguinte na cadeia quando alguém lhe perguntava se estava tudo bem: “Não tá tudo bem, só vai estar bem quando eu foder esse Moro”.

Vulgaridade castiça

Moro sabe de tudo isso e tenta como pode manter o cargo. Após o julgamento no TRE-PR, o senador disse que “há ainda um caminho pela frente”.

Sua audiência com Gilmar Mendes se tornou pública com requintes de crueldade. A sessão de humilhação privada ganhou os holofotes e a conversa foi reproduzida quase como se tivesse sido gravada, em toda sua vulgaridade castiça.

O ex-juiz já tinha estendido a mão aos carrascos durante a sabatina de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF). O mundo político tripudia e Lula faz seus cálculos. Não valeria mais a pena cassar Moro, diante do tamanho a que ele foi reduzido e dos possíveis impactos da jurisprudência para o futuro, como alertou Falavinha.

O risco

Há o risco, de fato, como ocorreu com Dallagnol, de uma punição desproporcional a Moro tornar ainda pior o sentimento da população, que, em sua maioria, encara a Lava Jato como algo bom para o país não por acaso, o Brasil caiu dez posições no Índice de Percepção da Corrupção de 2023, divulgado pela Transparência Internacional.

Dito tudo isso, será impossível dissociar uma futura cassação de Moro no TSE do processo de derrubada da Lava Jato, por mais que os responsáveis por fazê-lo tentem se esquivar da realidade.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Moro aponta “grande absurdo ilegal” no caso de Bolsonaro

Moro aponta “grande absurdo ilegal” no caso de Bolsonaro
2

Moraes já envenenou a eleição

Moraes já envenenou a eleição
3

Kalil lidera, e Marcelo Aro estreia em terceiro sem Cleitinho em MG

Kalil lidera, e Marcelo Aro estreia em terceiro sem Cleitinho em MG
4

Crusoé: A missão (quase impossível) de Eduardo Leite no RS

Crusoé: A missão (quase impossível) de Eduardo Leite no RS
5

Crusoé: Uma má notícia para Eunício Oliveira no Ceará

Crusoé: Uma má notícia para Eunício Oliveira no Ceará
6

A aposta de Derrite para chegar ao Senado

A aposta de Derrite para chegar ao Senado
7

Zucco diminui distância para Juliana Brizola no 2º turno, aponta Quaest

Zucco diminui distância para Juliana Brizola no 2º turno, aponta Quaest
8

O cafezinho de Lula com Moraes

O cafezinho de Lula com Moraes
9

Os incentivos de Marcelo Aro para o Republicanos abandonar Cleitinho

Os incentivos de Marcelo Aro para o Republicanos abandonar Cleitinho
10

Fora da disputa, Cleitinho segue favorito ao governo em MG

Fora da disputa, Cleitinho segue favorito ao governo em MG
1

Moraes já envenenou a eleição

Moraes já envenenou a eleição
2

Crusoé: Guerra no Irã deixa arsenal dos EUA em nível crítico

Crusoé: Guerra no Irã deixa arsenal dos EUA em nível crítico
3

Crusoé: Lula boca-suja

Crusoé: Lula boca-suja
4

Moro aponta “grande absurdo ilegal” no caso de Bolsonaro

Moro aponta “grande absurdo ilegal” no caso de Bolsonaro
5

"Não quero Trump como inimigo", diz Lula

"Não quero Trump como inimigo", diz Lula
6

A aposta de Derrite para chegar ao Senado

A aposta de Derrite para chegar ao Senado
7

Ásia recua, EUA sobem: o dia dos mercados nesta quinta

Ásia recua, EUA sobem: o dia dos mercados nesta quinta
8

Kalil lidera, e Marcelo Aro estreia em terceiro sem Cleitinho em MG

Kalil lidera, e Marcelo Aro estreia em terceiro sem Cleitinho em MG
9

Com Lulinha no pano de fundo, PF aciona AGU contra Mendonça

Com Lulinha no pano de fundo, PF aciona AGU contra Mendonça
10

Viana: "Quando o assunto chega perto de certos nomes, autonomia vira seletividade"

Viana: "Quando o assunto chega perto de certos nomes, autonomia vira seletividade"
1

IA, STF e TSE: o risco maior não está no vídeo

IA, STF e TSE: o risco maior não está no vídeo
2

Patrimônio de ACM Neto cresce 103% em quatro anos e chega a R$ 85 milhões

Patrimônio de ACM Neto cresce 103% em quatro anos e chega a R$ 85 milhões
3

Cristiano Ronaldo estreia como ator em nova série

Cristiano Ronaldo estreia como ator em nova série
4

Vitória reclama de Abel Ferreira: “Acumula 13 expulsões”

Vitória reclama de Abel Ferreira: “Acumula 13 expulsões”
5

TikTok anuncia plano contra desinformação eleitoral

TikTok anuncia plano contra desinformação eleitoral
6

Banho no inverno: 6 dicas para garantir a segurança e o conforto dos animais

Banho no inverno: 6 dicas para garantir a segurança e o conforto dos animais
7

Ubatuba: 3 praias incríveis para conhecer no destino

Ubatuba: 3 praias incríveis para conhecer no destino
8

Papo Antagonista: entrevista com o candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho

Papo Antagonista: entrevista com o candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho
9

BNDES libera R$ 8 bi a companhias aéreas

BNDES libera R$ 8 bi a companhias aéreas
10

Omar Aziz declara R$ 2,07 milhões para disputar o governo do AM

Omar Aziz declara R$ 2,07 milhões para disputar o governo do AM

Tags relacionadas

Deltan Dallagnol Flávio Dino Gilmar Mendes José Rodrigo Sade Luciano Carrasco Falavinha Operação Lava Jato Sergio Moro TRE-PR
< Notícia Anterior

Concurso em Itaituba: Mais de 1.500 vagas abertas na gestão municipal

10.04.2024 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Cinco Minutos: Efeito Musk acirra embate entre os três Poderes

10.04.2024 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.