Fim de semana ‘trágico’ deve interromper crescimento de Lula
Petista teve pouco tempo para aproveitar boa onda gerada pela promulgação de PEC que acaba com o regime 6x1
Lula fez o diabo nas últimas duas semanas para tentar recuperar popularidade. Elevou o teto de faturamento do MEI, anunciou transporte público gratuito nos fins de semana e comemorou a aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1. De quebra, ganhou um empurrão do deputado André Janones (Rede-MG), que ajudou a turbinar a presença do petista nas redes sociais.
Por alguns dias, o roteiro parecia funcionar. Lula começava a parecer mais palatável. Era o cenário de uma possível virada.
Parecia.
Até chegar o fim de semana.
Dois episódios ajudaram a interromper a onda positiva que começava a se formar em torno do presidente: a entrevista da lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil e o debate da Band.
Na entrevista, Luchsinger chamou Lula de “traidor” e fez acusações envolvendo o presidente e seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A lobista é investigada pela Polícia Federal sob suspeita de ter obtido contratos por intermédio do filho do presidente.
Luchsinger afirmou que “é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros”. Disse ainda que discutia políticas públicas com integrantes do primeiro escalão do governo.
A entrevista, isoladamente, não é capaz de produzir um terremoto eleitoral. Mas oferece à oposição uma narrativa pronta para ser explorada nos próximos dias: a de que corrupção e o PT são irmãos siameses.
Flávio Bolsonaro e seus aliados certamente vão explorar o episódio até onde for possível.
Mas foi o debate da Band que produziu a imagem mais incômoda para o presidente.
Em seu terceiro mandato, Lula pareceu nervoso, apático e, em alguns momentos, pouco à vontade com o formato. O homem que durante décadas dominou palanques, entrevistas e debates apareceu em determinados momentos como uma versão brasileira de Joe Biden: um político experiente, mas aparentemente cansado, tentando convencer o eleitor de que ainda tem energia para mais uma disputa. Não convenceu.
E ainda poderia ser pior. Mas a sorte de Lula foi o adversário.
Flávio Bolsonaro não demonstrou a experiência necessária para explorar as vulnerabilidades do presidente. Faltou-lhe, em diversos momentos, a precisão para encurralar Lula e explorar as fragilidades exibidas pelo petista.
Contra um debatedor mais preparado, como Renan Santos (Missão) ou Ronaldo Caiado (PSD), o desempenho de Lula poderia ter produzido consequências muito mais sérias.
Isso não significa que a entrevista de Roberta Luchsinger ou o debate da Band tenham capacidade, por si sós, de mudar votos. Campanhas presidenciais não costumam ser decididas por um fim de semana ruim.
Mas em uma eleição decidida no detalhe, às vezes o mais importante não é ganhar uma onda. É impedir que ela cresça.
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