Filho de Lula, Lulinha é
Nono episódio da série 'Os Intocáveis' recupera o conturbado histórico do filho do presidente, que será carregado para a campanha deste ano
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) muito dificilmente conseguirá se eleger presidente da República neste ano, mas sua campanha deixará como legado relevante a série de animação Os Intocáveis, uma sátira de qualidade impressionante nos dias atuais.
Pode parecer pouco — e é — diante da distância para assumir o Palácio do Planalto, mas as críticas bem feitas pela série de animação disseminam de forma divertida as contradições (para dizer o mínimo) nas quais as autoridades da República se meteram nos últimos anos.
A qualidade do material rivaliza com os vídeos também muito populares e divertidos do cartunista André Guedes e conseguiram desconcertar o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que deu um palco gratuito para Zema durante semanas ao assinar embaixo as críticas do ex-governador, por tentar usar a força do Estado contra ele, com uma denúncia à PGR.
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Filho de Lula
O nono episódio da série, intitulado “Filho de Lula, Lulinha é”, compila todo o nebuloso histórico de Fábio Luís Lula da Silva, agora alvo de duas investigações da Polícia Federal.
“Relaxa, meu velho. Olha meu currículo. Em 2005, minha empresa tinha um ano de vida e ganhou 5 milhões da Telemar. Coincidência linda. Depois, na CPI dos Correios, meu nome sumiu do relatório na última hora. Teve ainda 2012. Arquivaram processo sem me chamarem. Mandaram uma carta perguntando ao BNDES se sabiam que eu era seu filho. Responderam: ‘Sim’. Molezinha, fim da investigação. Ainda teve 2019, acharam 132 milhões [de reais] da Oi. E [em] 2022 anularam tudo igualzinho ao senhor na Lava-Jato, lembra? Aqui é 20 anos de investigação, zero depoimento prestado. Ô. pai, eu sou o Messi da impunidade”, diz o boneco referente a Lulinha ao boneco referente ao pai, que busca o boneco de Flávio Dino para tentar resolver a questão.
O Dino de animação diz, contudo, que os processos estão com André Mendonça, e deseja boa sorte a Lulinha, cujos rolos serão carregados pelo pai na eleição deste ano.
Lula não está muito disposto a conversar. Não deve ir aos debates e não confirmou presença na sabatina que O Antagonista e o G4 farão na terça-feira, 4, mas deu uma entrevista nesta semana e foi questionado sobre as suspeitas que rondam seu filho.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um delegado e juiz fazer algo. Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Ele sabe o que é um pai e cinco filhos ver chamado de ladrão. Ele jura para mim e eu acredito nele. Ele jura todo dia. Se ele for julgado, ele virá para cá. Ele vai ter que provar que é inocente. E se for culpado, vai ter que pagar”, disse Lula.
O discurso é bonito, mas o fato é que emergiram ontem os desconfortos entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da Polícia Federal por conta dos casos de Lulinha.
Há desconfianças mútuas, e, mais do que isso, a desconfiança dos brasileiros em relação à forma como as autoridades e seus agregados são investigados no país.
A única certeza nesse contexto é que ainda haverá muito material para capítulos de Os Intocáveis.
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Comentários (3)
MARCOS
02.08.2026 15:09NO BRASIL O CAMPO É INFINITO PARA ESSAS SÁTIRAS. NÃO EXISTIRÁ FIM. É IMPOSSÍVEL TERMINAR DE FAZER SÁTIRAS SOBRE A LADROAGEM E CORRUPÇÃO NO BRASIL.
Osmair Mendonça
02.08.2026 11:16Só Deus pode mudar essa quadrilha , mas pelo visto, não está no Seus planos.
Osmair Mendonça
02.08.2026 11:15Nem vai depor. Se PF e a PGR não quer investigar, quem fará . O Mendonça?