EUA liberaram o uso de mísseis de longo alcance pela Ucrânia?
Wall Street Journal diz que EUA autorizaram o uso de mísseis de longo alcance pela Ucrânia. Trump nega, mas deixa margem para dúvidas
A administração norte-americana teria alterado nesta semana sua política em relação ao uso de mísseis de logo alcance pela Ucrânia, reações divergentes em Washington e Kiev.
Conforme reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, o governo do presidente Donald Trump teria decidido levantar uma restrição considerada fundamental ao permitir que a Ucrânia utilize alguns mísseis ocidentais de longo alcance para atingir alvos no interior do território russo.
O relatório afirma que essa mudança, não anunciada publicamente, teria ocorrido após a transferência da autoridade de aprovação das operações de ataque da pasta de Defesa para o comando militar dos EUA na Europa.
A própria Ucrânia já anunciou o uso de um míssil britânico Storm Shadow para atingir uma fábrica russa em Bryansk responsável pela produção de explosivos e combustível para foguetes.
Pouco após a divulgação da informação pelo WSJ, Trump negou o conteúdo da reportagem, acusando o jornal de veicular “fake news”.
O curioso foi que ele afirmou que os EUA “não têm nada a ver com aqueles mísseis, seja de onde vierem, ou com o que a Ucrânia faz com eles”, deixando margem à interpretação de que misseis de longo alcance podem, sim, estar liberados para uso da Ucrânia, mesmo que não sejam de fabricação americana.
Ainda que Trump diga não ter nada a ver com isso, é difícil imaginar que uma mudança no uso desse recurso estratégico, seja ele fornecido pelos Estados Unidos ou não, com suas possíveis implicações, não tenha sido ao menos alvo de consulta.
O episódio revela um impasse sobre até que ponto Washington está disposto a autorizar (ou admitir que autorizou) ofensivas que adentrem o território russo, e o desafio de equilibrar um maior apoio à Ucrânia sem escalar as coisas com a Rússia.
Essa ambiguidade ocorre em meio a solicitações ucranianas insistentes por armamento americano de longo alcance, como os mísseis Tomahawk, capazes de atingir centros de comando e infraestrutura profunda russa, o que ainda não teria obtido.
Além disso, ainda em outubro os EUA haviam indicado que poderiam fornecer à Ucrânia inteligência para ataques contra alvos russos no setor de energia, reforçando a impressão de que a influência americana se dá tanto por armas quanto por dados.
Somando a isso as sanções econômicas americanas e europeias anunciadas ontem contra a Rússia, fica-se com a impressão de que os Estados Unidos estão sim aumentando o apoio à Ucrânia, ainda que não admita publicamente e que também não seja na escala que Zelensky e boa parte da Europa gostariam.
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