Em debate duro na Band, Flávio repisa mais os temas de sua campanha que Lula

19.10.2026

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O Antagonista
Em debate duro na Band, Flávio repisa mais os temas de sua campanha que Lula
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Carlos Graieb
9 minutos de leitura 18.10.2026 22:46 comentários
Análise

Em debate duro na Band, Flávio repisa mais os temas de sua campanha que Lula

Primeiro encontro entre os candidatos teve primeiro bloco voltado a ataques pessoais e pouca substância no restante do tempo

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Carlos Graieb
9 minutos de leitura 18.10.2026 22:46 comentários 1
Em debate duro na Band, Flávio repisa mais os temas de sua campanha que Lula
Foto: Renato Pizzutto/Band

Lula e Flávio Bolsonaro finalmente se encontraram em um debate neste domingo, 18, na Band. Durante duas horas, das 20h às 22h, trocaram acusações duras e apresentaram algumas propostas de governo — mais Flávio do que Lula.

Esta foi a primeira campanha presidencial desde 1989 em que os principais candidatos não se encontraram em nenhum debate no primeiro turno. O evento deste domingo remediou essa ausência, tanto por permitir observar o comportamento dos dois sob pressão quanto por trazer à discussão temas de seus programas de governo.

O primeiro bloco foi marcado por tentativas de tirar o adversário do sério. Flávio deu a largada ao levantar o caso de Roberta Luchsinger. Lula adotou a estratégia de caracterizar o senador como mentiroso e despreparado, bombardeando-o com perguntas de que ele se esquivou.

Houve também uma dinâmica peculiar de movimentação no palco, principalmente por parte de Flávio, que procurava se posicionar atrás de Lula, gesticulando e reagindo com expressões a suas falas (o que causou irritação do candidato petista em um momento) ou se aproximava dele.

O candidato do PL foi mais disciplinado na apresentação dos temas e das ideias centrais de sua campanha. Repetiu, em diferentes oportunidades, suas propostas para a segurança pública e a promoção da prosperidade, sempre associadas ao slogan do “momento de mudança”. Falou também mais diretamente com o eleitor, dirigindo-se a ele na segunda pessoa.

Lula foi menos explícito na apresentação de propostas. Fez um debate mais voltado à desconstrução do adversário, procurando demonstrar experiência, mas por vezes com um toque de arrogância. Insistiu em perguntas sobre suspeitas envolvendo Flávio e seus aliados e desafiou o senador a abrir seus sigilos bancário e telefônico.

Na entrevista depois do confronto, o presidente afirmou que o debate deveria ter sido mais qualificado, com maior discussão de propostas de governo. Mas não foi exatamente o que ele próprio fez.

Nenhum dos dois cometeu um erro grave. Não houve um derrotado evidente. Mas, descontado o primeiro bloco, inteiramente dedicado a tentativas de abalar o adversário. Flávio teve um desempenho sólido e talvez tenha saído do encontro com chance ligeiramente maior de conquistar algum voto indefinido.

Primeiro bloco: corrupção, segurança e custo de vida

O debate começou com perguntas de jornalistas sobre segurança pública e economia.

Flávio prometeu classificar as facções criminosas como organizações narcoterroristas e construir 500 mil vagas no sistema penitenciário. Lula defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública com capacidade de intervir nos estados, aos quais a Constituição atribui a responsabilidade principal pelo setor.

Na economia, o presidente reafirmou sua defesa de políticas que façam o dinheiro circular nas mãos da população e lembrou a criação do MEI. Flávio questionou os resultados dos governos petistas, mencionou o preço dos alimentos e prometeu utilizar R$ 200 bilhões para ajudar a população a renegociar dívidas e melhorar a situação fiscal do governo.

O confronto direto começou com uma pergunta de Lula sobre o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade.

O senador desviou o foco para Roberta Luchsinger e as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Questionou a origem de recursos atribuídos ao filho do presidente, mencionou Daniel Vorcaro e acusou o governo de proteger aliados envolvidos em irregularidades.

Flávio também atacou o histórico do PT na segurança pública e afirmou que, em seu governo, a Polícia Federal voltaria a ser valorizada.

Lula respondeu atribuindo ao governo de Jair Bolsonaro a origem do esquema de fraudes no INSS e acusou o adversário de mentir sobre suas relações com Vorcaro. Repetiu a cobrança de explicações sobre R$ 134 milhões que associou ao banqueiro.

“Vocês fizeram do Vorcaro um banqueiro, eu fiz dele um prisioneiro”, afirmou o presidente.

Lula também questionou Flávio sobre suas relações com milicianos, sua atuação em temas de segurança pública e os possíveis efeitos de suas propostas sobre a jornada de trabalho e os gastos públicos.

O bloco terminou com acusações recíprocas, sem que nenhum dos dois conseguisse impor ao adversário um constrangimento decisivo.

Segundo bloco: saúde, criminalidade e renegociação de dívidas

A saúde pública abriu o segundo bloco. Flávio prometeu aproximar o padrão de atendimento do SUS daquele oferecido pelo Hospital Israelita Albert Einstein e criar um prontuário digital integrado para agilizar consultas e tratamentos. Citou Claudio Lottenberg como referência para sua proposta.

Lula relembrou a pandemia e procurou apresentar o adversário como alguém sem experiência ou conhecimento suficiente sobre o funcionamento da saúde pública. Destacou a expansão do número de médicos e criticou a situação dos hospitais federais do Rio de Janeiro durante o seu governo .

Flávio reconheceu que a saúde não havia sido uma das melhores áreas da administração de seu pai, mas procurou deslocar a discussão para o que chamou de “pandemia de crime” no Brasil.

Os candidatos também divergiram sobre as saídas temporárias de presos. Lula defendeu a recuperação dos detentos e a possibilidade de concessão do benefício àqueles que apresentam bom comportamento. Flávio argumentou que a prioridade deve ser impedir que a insegurança transforme os dias de descanso das famílias em momentos de medo.

O senador voltou então ao tema da prosperidade econômica. Apresentou a proposta de compra de dívidas bancárias com desconto, por parte do governo, e defendeu uma moratória de seis meses para pagamentos de pessoas físicas e de um ano para empresas, enquanto medidas de ajuste econômico que ele não especificou reduzem as taxas de juros.

Lula contrapôs a esse discurso a valorização real do salário mínimo em seu mandato e afirmou que o custo da cesta básica diminuiu em relação ao governo anterior, embora reconhecesse que os preços continuam elevados.

Nesse bloco, Flávio dedicou uma parcela maior de seu tempo à exposição de propostas, enquanto Lula insistiu na crítica à experiência e à credibilidade do adversário.

Terceiro bloco: produtividade, soberania e novas acusações

O último bloco começou com uma pergunta sobre a baixa produtividade da economia brasileira.

Lula citou os R$ 725 bilhões associados à Nova Indústria Brasil, investimentos em centros de processamento de dados, economia criativa e economia verde. Também prometeu ampliar a formação de jovens em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Flávio apresentou o que chamou de maior programa de mobilidade social da história do país. A ideia é conectar cidadãos às áreas de recursos humanos das empresas de suas regiões por meio de uma plataforma digital, reunindo oportunidades de trabalho, educação, informação e crédito.

O senador afirmou que a Caixa Econômica Federal seria transformada em um “banco da prosperidade”, com a missão de ampliar o acesso ao crédito e oferecer juros mais baixos.

No segundo confronto direto, Lula questionou a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos e perguntou se Flávio pretendia entregar as reservas brasileiras de terras raras aos americanos.

Flávio respondeu que havia defendido os interesses do Brasil durante as discussões sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos e acusou o governo Lula de não ter enviado representantes à ocasião mencionada.

O presidente insistiu no tema da soberania e voltou a desafiar o adversário a abrir suas contas e seus telefones. Flávio reagiu com novas acusações envolvendo Vorcaro e afirmou que soberania também significa devolver aos brasileiros o controle dos territórios dominados pelo crime organizado.

O senador prometeu implantar nacionalmente um sistema de monitoramento inspirado no Smart Sampa, defendeu a cooperação internacional contra o narcotráfico e propôs castração química para estupradores e pedófilos. Voltou a defender a redução da maioridade penal, inclusive para 14 anos em determinados crimes graves.

Lula respondeu que o governo já havia adotado medidas contra o roubo de celulares e programas de renegociação de dívidas. Relembrou a criação do Simples, do Supersimples e do MEI, além de defender o crescimento econômico como principal instrumento de redução do endividamento.

O presidente também apresentou sua projeção fiscal, afirmando que pretende encerrar o mandato com superávit de 0,1% do PIB, e acusou o adversário de ter se oposto às políticas de cotas.

Considerações finais

As manifestações da plateia provocaram alguma confusão no encerramento do debate.

Lula agradeceu aos brasileiros que, segundo ele, foram às ruas para garantir a continuidade da democracia. Disse ter recebido um país em dificuldades, mas que agora estaria preparado para crescer. Defendeu uma Petrobras estatal forte, criticou privatizações realizadas no governo anterior e prometeu transformar o Brasil em um país desenvolvido durante um eventual quarto mandato.

Flávio afirmou que não faria promessas que não pudesse cumprir e acusou Lula de gastar R$ 350 bilhões para tentar a reeleição. Reiterou o compromisso de colocar mais dinheiro no bolso dos brasileiros e libertar moradores de comunidades do domínio das facções criminosas.

O senador classificou sua campanha como propositiva e sem ódio e agradeceu aos 56 milhões de eleitores que, segundo afirmou, votaram nele no primeiro turno.

O primeiro encontro direto entre os candidatos terminou sem um momento capaz de redefinir, por si só, a disputa. Lula apostou na experiência e na desqualificação do adversário; Flávio procurou apresentar-se como alternativa de mudança, concentrando suas promessas na segurança pública e na recuperação do poder de compra dos brasileiros.

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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Comentários (1)

Annie

18.10.2026 23:48

Eu até gostaria de ter visto mais eu não aguento mais a voz do Lula🤮


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