Crusoé: O poder que quer desarmar a imprensa
Mensagem de Daniel Vorcaro mostra que, diante de perguntas incômodas, procura-se neutralizar quem as formula
“Vc tinha que tentar desarmar antagonista e crusoe.”
A mensagem atribuída a Daniel Vorcaro, divulgada por Crusoé, merece ser lida para além do episódio.
O verbo escolhido “desarmar” revela uma maneira de compreender o poder: diante de perguntas incômodas, procura-se neutralizar quem as formula. O jornalismo passa a ser tratado como adversário porque insiste em investigar aquilo que o dinheiro gostaria de manter fora de alcance.
Há uma concepção de mundo nessa escolha de palavras. “Desarmar” pressupõe que o outro representa um perigo. Mas quais seriam as armas de uma “redação jornalística”?
Perguntas, documentos, fontes, apuração. Considerá-las uma ameaça significa reconhecer o quanto a informação pode perturbar interesses acostumados a operar sem fiscalização.
Vivemos tempos em que a força do dinheiro frequentemente se apresenta como autoridade sobre os demais.
Para alguns, a riqueza transforma-se em salvo-conduto: compra acesso, influência e aparência de respeitabilidade.
Da possibilidade de abrir portas nasce a expectativa de que nenhuma delas possa permanecer fechada — e de que certas perguntas sequer devam ser feitas.
Pertencer ao grupo dos bilionários passou a ser apresentado como uma espécie de distinção moral. Como se acumular fortunas imensas fosse, por si só, prova de mérito, inteligência ou superioridade.
Mas a riqueza não absolve ninguém.
O êxito financeiro não oferece resposta antecipada às perguntas sobre como uma fortuna foi construída e de que maneira seu poder é exercido.
Essa confusão prospera também fora dos círculos dos muito ricos. Depende de uma sociedade que admire mais a fortuna do que o caráter; que celebre o sucesso sem perguntar por seus meios; que confunda proximidade com pessoas influentes e prestígio pessoal.
O dinheiro ganha autoridade moral quando…
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