Crusoé: Escalada da guerra com o Irã pode custar caro a Trump
As chances de uma escalada militar, conforme ameaça Trump, dividem opiniões dentro do próprio governo americano
A ameaça do presidente Donald Trump de lançar um ataque massivo contra o Irã, conforme ele mesmo declarou considerar, ganhou força nesta semana, após os houthis atacarem dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.
Segundo uma matéria do The Wall Street Journal, Trump estaria em “modo vingança” contra Teerã e cada vez mais cético quanto a uma solução diplomática, avaliando que “a única coisa que o Irã entende é a força militar”, segundo um funcionário graduado do governo ouvido pela reportagem.
Mas as chances de uma escalada militar real dividem opiniões dentro do próprio governo americano. Enquanto o negociador Jared Kushner e o enviado especial Steve Witkoff ainda acreditam ser possível um acordo com Teerã, outros assessores já duvidam de uma saída diplomática.
No Congresso, a Câmara aprovou uma medida para limitar os poderes de guerra do presidente, embora o Senado tenha rejeitado uma resolução semelhante, sinal de que o apoio político a uma nova ofensiva não é unânime, mesmo entre os aliados republicanos.
As consequências de uma escalada seriam sentidas em todo o mundo. Estimativas de mercado mostram que um conflito mais amplo poderia levar o petróleo a romper a marca dos 139 dólares, atingida em 2022, e até o pico de 147 dólares de 2008, pressionando a inflação mundial.
Bancos centrais, como o Banco Central Europeu, já sinalizam que o impacto inflacionário total do choque energético ainda não se manifestou por completo.
Para as Forças Armadas americanas, esse caminho também aprofundaria o consumo de armamentos e mísseis, que, segundo analistas, já se encontram com os estoques baixos e cuja reposição e normalização, antes mesmo desse novo aprofundamento, demoraria anos.
Também há o risco econômico para os EUA, com o efeito já aparecendo internamente: a gasolina voltou a superar 4,10 dólares o galão e o Nasdaq recuou 2,2% na quinta-feira, com Tesla em queda de 15%. Uma guerra prolongada tende a aprofundar o risco de estagflação, somando choque de oferta a juros mais altos.
Politicamente, o desgaste é o maior risco para o próprio Trump. Aliados históricos como Laura Ingraham e Steve Bannon já criticam publicamente o conflito, com Ingraham alertando para o risco eleitoral nas midterms de novembro e Bannon atacando a condução da guerra e o papel do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Assessores relatam ainda que agências de inteligência alertaram o presidente e membros do alto escalão…
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