Crusoé: Como os eleitores de Trump se voltaram contra a Ucrânia
Jornalista britânico lembra os primeiros contatos recentes do eleitorado americano com o país de Zelensky para mostrar como a opinião do movimento MAGA foi moldada
A Rússia é adversária histórica dos Estados Unidos, desde a época da desfeita União Soviética, mas parte da porção mais nacionalista dos americanos resolveu tomar o partido dos russos na guerra da Ucrânia. Como isso ocorreu?
O jornalista britânico Douglas Murray, autor de Guerra contra o Ocidente, foi buscar no primeiro governo Donald Trump (foto) a resposta para essa pergunta.
Em “O movimento MAGA está errado sobre a Ucrânia”, o editor do jornal The Spectator, que se refere ao movimento Make America Great Again (faça a América grande de novo), diz que, no primeiro mandato do republicano (2017-2021) “a Ucrânia veio à consciência do público [americano] apenas duas vezes”.
“A primeira ocasião foi quando Trump e outros republicanos começaram a fazer barulho sobre os negócios de Hunter Biden. Desde 2014, o filho do então vice-presidente estava sentado no conselho da empresa de energia ucraniana Burisma. Ele estava ganhando cerca de US$ 1 milhão anualmente para aconselhar uma empresa em um setor sobre o qual ele tinha zero experiência. Por que uma empresa estrangeira iria querer o filho do vice-presidente em seu conselho? Obviamente — como todas as investigações mostraram desde então — para que o nome Biden pudesse trazer contratos, subsídios e outro suporte para a Burisma”, lembrou Murray, seguindo:
“A única outra vez em que a Ucrânia chamou a atenção da direita americana foi em 2019, quando o presidente Trump teve um telefonema com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Os oponentes políticos de Trump alegaram que ele havia usado a ligação para dizer a Zelensky que a ajuda americana ao país poderia depender da ajuda da Ucrânia para expor as transações financeiras da família Biden. Trump foi alvo de impeachment pela ligação, mas absolvido pelo Senado. Mas esses dois eventos começaram a incutir na direita a ideia de que a Ucrânia era simplesmente um país corrupto, que havia enriquecido e cooperado com seus próprios oponentes políticos.”
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“Anti-woke”
Isso era o que os eleitores de Trump conheciam da Ucrânia antes da invasão russa de 2022. Quando a ofensiva russa começou, Murray lembra que…
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