Crusoé: A guerra de Flávio é a mesma de Lula, não a do Brasil
Para eles conquistarem eleitores, precisam convencê-los de que a vitória do opositor poderá ser devastadora e de que não há outra alternativa
Na guerra, não existe a opção de preservar o inimigo.
Ele precisa ser eliminado. Para sempre.
Uma eleição não deveria ser assim. Numa democracia, em que partidos e candidatos se alternam no poder, vitórias e derrotas fazem parte do jogo.
Lula e os integrantes da família Bolsonaro, contudo, veem a democracia como um campo de batalha.
E fazem isso por um motivo simples: para eles conquistarem eleitores, precisam convencê-los de que a vitória do opositor poderá ser devastadora e de que não há outra alternativa.
É um conflito retórico, que nem sempre se transfere para a prática da política, mas que tem a força de sepultar a chance de qualquer figura mais moderada.
Na 34ª Marcha para Jesus, em São Paulo, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro falou em uma “guerra espiritual”.
“Vamos orar pelo nosso Brasil. Esta guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil este ano”, disse Flávio.
Em fevereiro deste ano, Lula fez um discurso parecido no aniversário de 46 anos do PT, em Salvador.
“Eles são desaforados e nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem essa mais de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra, e nós vamos ter que estar preparados para ela”, disse o presidente.
O Brasil é mais que isso…
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