Como o plano de Flávio Bolsonaro pode mexer com o agro
É natural que o momento inicial de transição exija readequação de margens e maior rigor na gestão financeira por parte do produtor
Por Guto Gioielli*
Se o segundo turno das eleições brasileiras confirmar o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) na corrida presidencial, levando em conta que ele ficou com a maior parte dos votos no primeiro turno, teremos um presidente com maioria no Congresso Nacional e que já manifestou intenção de focar seu governo em contenções de gastos e reformas administrativas.
Em termos econômicos, isso pode fazer com que o nosso Real se valorize, a inflação caia e, por consequência, os juros também. Para o agronegócio, essa mudança na dinâmica macroeconômica traz desdobramentos diretos na rentabilidade, nos custos de produção e no consumo interno.
Com Real valorizado, as nossas exportações perdem competividade e o produtor recebe menos pelo produto, mas, como somos o maior fornecedor de vários produtos agropecuários, o preço mais alto não chega a ser um problema para as vendas.
Liderança global
Segundo dados consolidados pelo Insper Agro Global e relatórios do USDA, o país responde pela liderança global nas exportações de produtos essenciais como soja, milho, carnes, café, açúcar e suco de laranja. No caso da soja, vale lembrar somos os maiores produtores e exportadores do mundo.
Na outra ponta, os insumos importados ficam mais baratos, dando compensação nos custos. Como o agronegócio brasileiro importa a maior parte de seus principais insumos, com cerca de 85% dos fertilizantes e grande parcela dos defensivos agrícolas cotados em dólar, a valorização do Real barateia esses insumos para as safras seguintes, aliviando a margem operacional do produtor.
Além disso, temos que olhar para o mercado interno. O possível fortalecimento da economia gera um importante vetor de recuperação doméstica. A queda dos juros aliada à inflação sob controle restaura o poder de compra das famílias brasileiras e estimula a geração de novos postos de trabalho.
Demanda
O resultado esperado de uma movimentação dessas é um incremento na demanda por proteína animal, hortifrúti, laticínios e produtos agroindustrializados, diversificando e garantindo fluxo de caixa para a produção nacional.
É natural que o momento inicial de transição exija readequação de margens e maior rigor na gestão financeira por parte do produtor.
No entanto, se as reformas forem implementadas com consistência, o horizonte de um a dois anos pode pavimentar um ambiente de negócios mais previsível, com crédito mais barato, custos de insumos reduzidos e demanda aquecida, consolidando uma nova realidade para o agronegócio brasileiro.
*Guto Gioielli é analista de investimentos (CNPI) e fundador do Portal das Commodities.
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DECLARAÇÃO DO ANALISTA DE VALORES MOBILIÁRIOS (Resoluções CVM nº 20/2021, 179/23 e 216/24) Eu, LUIZ AUGUSTO RIBEIRO GIOIELLI, analista de valores imobiliários com registro no Nº 8345, principal responsável pela elaboração dos relatórios de análise para a sociedade PORTAL DOS COMMODITIES LTDA (CNPJ 45.988.716/0001-87, APIMEC nº 276), declaro nos termos do art. 21 da Resolução CVM nº 20/2021 que as recomendações constantes deste relatório refletem única e exclusivamente as minhas opiniões pessoais, elaboradas de forma independente, não me encontrando em nenhuma das situações de conflito de interesse (vínculo com emissor, titularidade, envolvimento em operações, interesse financeiro direto/indireto ou influência na remuneração por negócios da PJ), não havendo qualquer fato que possa afetar a imparcialidade deste relatório ou configurar conflito de interesses.
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