Brasil embaixo de tudo, Trump acima de todos
No patriotismo de bandeira alheia, sabotar a economia do próprio país só não é mais idiota que ressuscitar a política da situação
As realizações do governo Lula vêm oscilando entre o nada e a coisa nenhuma. Alguém sabe quais são as metas, as entregas, os projetos? Nem eu. Retocados grosseiramente pela estratégia de comunicação de Sidônio Palmeira, os improvisos do petista soam desencaixados, extemporâneos. Não seduzem como já seduziram. Os tempos e os costumes são outros.
Um novo mandato, em 2026, ia aos poucos se tornando bastante improvável. Preços lá em cima, salários lá embaixo, STF interferindo na disputa mais que VAR no Brasileirão. Além disso, a dinâmica das redes sociais e a descentralização do discurso escapam à lógica eleitoral de um partido envelhecido, e a direita bolsonarista – que, pelo jeito, é a direita que sobrou – sabe fazer com que memes virem votos.
Mas não contávamos com a astúcia – ou falta de astúcia – da família Bolsonaro. Eduardo, tido como o intelectual entre os trapalhões, fugido, minto, auto-exilado nos EUA, fez a única coisa para a qual é de fato vocacionado a fazer: lobby contra o próprio país.
Licenciado do cargo de deputado, deixou para trás os votos para viver o sonho americano à sua maneira: comemorando a decisão do presidente Donald Trump de impor ao Brasil tarifas de 50% sobre as exportações. Razões comerciais para tanto? Nenhuma. Razões pessoais.
Bolsonaro e seus filhos convidam um presidente estrangeiro a interferir na soberania nacional com base na premissa fajuta de que estão preocupados (de fato) com a censura, a legalidade, a presunção de inocência, os, como é mesmo?, “direitos fundamentais”.
O engraçado é que, de repente, Lula parece ter ganhado alguns litros de oxigênio político. Percebendo o cheiro de sangue ou de burrice, empertigou-se como se estivesse num palanque do grande ABC e reciclou como pôde o patriotismo sindicalizado que lhe cai tão bem na língua (ainda) presa, contra o patriotismo de bandeira alheia de seus adversários mais temidos.
O quanto a presepada renderá nas urnas é incerto. No Brasil, um dia é como mil anos e mil anos são como um dia, e há muita coisa para acontecer (ou deixar de acontecer) daqui até 26. Mas, se fossem inteligentes, os candidatos à direita dariam dois ou três passinhos para o centro. Entenderiam que com certas companhias não se anda. Pelas declarações que deram, não são. Perdemos todos com isso.
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Comentários (2)
CLAUDIO NAVES
11.07.2025 16:36Que nada ! Trump acertou Joesley que é o mesmo CNPJ do Lula, vamos ver quem treme primeiro !
CLAUDIO NAVES
11.07.2025 16:35Q