Brasil apodrece às vésperas da eleição
País teve na Lava Jato a oportunidade de expiar boa parte de seus pecados, mas o mundo político e parte relevante da população optaram por rejeitá-la
É possível argumentar que esse processo vem de longe, desde a eleição de Dilma Rousseff, uma criação artificial de Lula, ou mesmo desde a reeleição do petista após o surgimento do esquema do mensalão. Mas o fato é que o Brasil teve na Operação Lava Jato a oportunidade de expiar boa parte de seus pecados, e o mundo político e parte relevante do população optaram por rejeitá-la.
As críticas que se faziam à Lava Jato parecem uma piada de mau gosto hoje, depois da instalação do inquérito das fake news pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a condução dos julgamentos da trama golpista pelo ministro Alexandre de Moraes, dois processos que degradaram como nunca a instituição que se apresentou como solução final para todos os problemas do país.
Veio o escândalo do Banco Master, danificando ainda mais o STF, que, ironicamente, parece ter convidado Daniel Vorcaro ao ilícito com a derrubada da Lava Jato, enquanto Lula, liberado da cadeia, terminava de estraçalhar as contas públicas, na tentativa de manter de pé um governo que não tinha motivo para ser eleito, e só conseguiu porque a alternativa parecia ainda pior após a pandemia.
Alternativa?
A principal alternativa a Lula, agora, é o filho da alternativa que não vingou na eleição passada e que está proibido, entre outros aliados, de se encontrar com o pai na prisão domiciliar humanitária até o fim da eleição, pelo mesmo Moraes que estaria entre os alvos da trama golpista.
Não bastasse essa situação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu um jeito de se envolver no escândalo do Master, ao se relacionar com Vorcaro para patrocinar um inexplicável filme sobre a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, e se desentendeu com a madrasta publicamente, prejudicando ainda mais a pré-campanha presidencial e dando fôlego, indiretamente, a Lula.
Para se recuperar, Flávio aposta em promessas muito parecidas às políticas de Lula que intensificaram o quadro de endividamento do governo e dos brasileiros.
Em meio a tudo isso, Donald Trump resolve implicar com o Brasil, entre tantos outros países, e o presidente brasileiro reagiu tratando a ameaça de tarifas extras como estratégia eleitoral.
A maior tragédia
A maior tragédia, contudo, é que, a poucas semanas da eleição, apesar de fraquejarem, esses dois projetos de poder, poluídos pelos próprios atos, mostram força o bastante para se impor como as únicas alternativas para o país, que terá de enfrentar a partir de 2027 os graves problemas criados nos últimos anos, sob o risco e torná-los incontornáveis nos próximos anos.
Além de precisar tomar as decisões certas em algum momento, o Brasil também vai se tornando cada vez mais dependente da sorte para voltar aos trilhos.
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