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‘Boring is Beautiful’ ou, ‘A Chatice é Linda’ 

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Carlos Graieb
3 minutos de leitura 24.06.2024 13:28 comentários
Análise

‘Boring is Beautiful’ ou, ‘A Chatice é Linda’ 

A menos de quinze dias da votação, eleição no Reino Unido parece definida e só chama atenção pela falta de graça

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Carlos Graieb
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‘Boring is Beautiful’ ou, ‘A Chatice é Linda’ 
Reprodução

Se você estiver procurando informações sobre as eleições que acontecem em menos de duas semanas no Reino Unido, a imprensa britânica não é o melhor ponto de partida nesta segunda-feira, 24.  

Do Financial Times, voltado à elite econômica, ao popularesco Daily Mail, passando pelo The Guardian, os principais jornais do país não dedicam muito espaço ao assunto em suas páginas na internet.  

Quando fiz minha ronda, apenas o The Independent trazia logo de cara um bloco inteiro de notícias e análises sobre a disputa entre trabalhistas e conservadores. Mesmo assim, abaixo do noticiário sobre a Princesa Anne, internada depois de levar um coice de um cavalo. 

Vinte pontos de vantagem

Um dos motivos para isso é que a parada, segundo as pesquisas, parece estar decidida: os trabalhistas, representados por Keir Starmer (foto), lideram com mais de vinte pontos percentuais de vantagem sobre os conservadores, do primeiro-ministro Rishi Sunak. O Partido Conservador deve deixar o poder depois de 14 anos, perdendo votos e assentos no Parlamento também à direita, para o Reform UK, do populista Nigel Farage.  

Outro motivo é que o país vive a ressaca do Brexit, o movimento que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia. A decisão foi tomada por plebiscito em 2016, mas quatro anos foram necessários até a assinatura dos documentos do divórcio, em janeiro de 2020, sob a liderança do ex-primeiro-ministro conservador Boris Johnson. 

Até hoje, o Brexit não entregou suas principais promessas: controle da imigração e crescimento econômico. Os dois assuntos estão presentes na campanha, por certo, mas não há ânimo para discuti-los em conexão com a grande batalha política que galvanizou o Reino Unido há menos de uma década. Os políticos não falam de Brexit e ninguém se esforça para incluir o assunto nas discussões.  

Bridget Jones

Um retrato desta eleição talvez seja o fato que tapar buracos de rua, questão típica das campanhas municipais, acabou entrando nas promessas de governo do Partido Trabalhista.

O candidato da legenda, Keir Starmer, é visto no meio político como astuto e obstinado, mas tem imagem robótica para os eleitores.

Ex-advogado de direitos humanos, ele teria inspirado o personagem certinho interpretado por Colin Firth na série Bridget Jones – mas há quem diga que a informação foi inventada para lhe dar algum toque sexy. 

Coisas básicas

Na Europa, onde partidos com ideias radicais têm ganhado tração – como o AfD, na Alemanha – muitos comentaristas observam o processo eleitoral no Reino Unido com um misto de humor e inveja, justamente por sua chatice. Estou de acordo com eles, sobretudo na inveja.  

Há momentos em que a política requer grandes ideias e grandes personalidades. Mas em países onde as necessidades de gestão se acumulam, como o Brasil, o mero cuidado com as coisas básicas pode ser revolucionário. Sei que nenhum candidato inglês vai querer – é por isso que não sou marqueteiro político – mas fica aqui minha sugestão de slogan: Boring is Beautiful. A chatice é linda.  

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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