Bolsonaro desejou, programou, provocou
Ex-presidente nunca escondeu suas intenções golpistas, mas “não havia clima”; agora terá se assumir a responsabilidade
Nos últimos minutos da segunda-feira, 14, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de Jair Bolsonaro por liderar (eu ia escrever “ser o mentor intelectual”, mas seria demais pra ele) a trama golpista, na tentativa de permanecer no poder no final de 2022. Outros sete cúmplices da tresloucada aventura também serão julgados.
Embora tenha amaneirado os modos, edulcorado o discurso e ensaiado piadinhas ao confrontar seu maior inimigo, o ministro Alexandre de Moraes, o fato é que, como se diz em futebol, esse aí ninguém precisa marcar, porque dele a natureza cuida.
Candidamente, o ex-presidente confessou, como se confessasse indiscrições sem importância, que discutiu “em reuniões com seus subordinados, a adoção de medidas excepcionais, como GLO, Estado de Sítio e Estado de Defesa, em razão do esgotamento dos meios judiciais de revisão do processo eleitoral”, como declarou Gonet.
Noutras palavras, cogitou um golpe de Estado, tá ok? Ou, como disse, “nós estudamos possibilidades, todas dentro da Constituição”, mas, que pena, “não havia clima” para a derrubada da ordem democrática. Quando percebeu que tinha o cabo e o soldado, mas faltava a alta cúpula, deu uma fraquejada.
Saudosista do regime militar, admirador de torturadores, irresponsável na gestão da pandemia, conspirador de eleições legítimas, incentivador de ruptura institucional, e, por fim, covarde de última hora, talvez Bolsonaro tenha uma última chance de se redimir.
Caso venha a ser condenado e preso, caso oriente sua prole a escafeder-se do país e nos deixar em paz, é possível que o disjuntor da polarização seja desarmado, que o lulopetismo perca influência entre os que rechaçam o bolsonarismo, que alternativas pragmáticas e moderadas ganhem espaço – e que tenhamos, em 2026, algo vagamente parecido com uma eleição de verdade, e não com um plebiscito para decidir de quem pediremos impeachment ou prisão alguns meses mais tarde.
Estou sendo otimista? De jeito nenhum. Não me atrevo. Mas, no Brasil, tudo é tão improvável, que até coisas boas podem acontecer de vez em quando.
Leia também: PGR: Bolsonaro nunca atuou para desmobilizar atos antidemocráticos
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Comentários (6)
ale
17.07.2025 14:03Sabe o problema de não saber e o pior, não procurar saber ou se inteirar de um assunto, é pensar, falar e ESCREVER sobre esse assunto, como o é o caso do Gustavo Nogy.
Joaquim Arino Durán
16.07.2025 12:54Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Um_velho_na_janela
16.07.2025 12:29Raciocínio fascista e ditatorial, a direitona querendo justificar seus crimes com alegados crimes da esquerda no passado.
MARCOS
16.07.2025 12:17A ESQUERDA TAMBÉM TINHA TORTURADORES, ASSASSINOS E LADRÕES DE BANCOS. NÃO SE ESQUEÇA SR. GUSTAVO NOGY, PAU QUE BATE EM CHICO BATE EM FRANCISCO. APRENDA A ESCREVER A VERDADE PARA OS DOIS LADOS. ESQUEÇA BOLSONARO E SOBRE O REGIME DE EXCEÇÃO FALE (BEM OU MAL) MAS FALE DOS DOIS LADOS. TENHO SAUDADES DA MINHA JUVENTUDE NO REGIME DE EXCEÇÃO. TEMPOS SEGUROS E ESTÁVEIS.
FRANCISCO JUNIOR
15.07.2025 23:14Eu ainda duvido, acho que a adoração a eles (Lula/Bolsonaro) só vai sumir quando eles sumirem da Terra. Mas aí o povo acha alguém "melhor" para adorar, como Marçal por exemplo. E assim caminha a humanidade, dois passos para frente, dois para trás.
Joaquim Arino Durán
15.07.2025 17:41Claro que podem ocorrer coisas boas, pô! Bolsonaro preso e Lula rejeitadaço!!!