“Antipetismo de chegada” ameaça Lula
Pesquisa Meio/Ideia ajuda a entender o desconforto dos lulistas na reta final do primeiro turno e as medidas desesperadas de Lula e do STF
A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 30, indicou um cenário extremamente ajustado entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República mesmo no primeiro turno, com 39,4% e 38,4% para o petista, um empate técnico.
Mas o filho 01 de Jair Bolsonaro tem uma reserva potencial de votos que o presidente não tem.
“A pesquisa tem dados que apontam para volatilidade às vésperas da votação: alto índice de indecisos na pergunta espontânea e de respostas de ‘pode mudar de voto’. E também uma parcela relevante de eleitores de Cury, Zema, Caiado e Renan que considera mudar para Flávio na última hora. Sinal de potencial antipetismo de chegada”, analisa Mauricio Moura, fundador do Ideia.
Moura disse, em entrevista ao Jornal da Globo, que Lula também tem chance de vitória no primeiro turno, e que isso dependeria do volume de votos bancos e nulos, mas essa chance é exatamente um dos fatores de mobilização do antipetismo no primeiro turno, desde a eleição de 2006.
Segundo a pesquisa, ainda há 17,5% dos votos em disputa, dos indecisos, um grupo composto em maior parte pelos eleitores que tenderiam a votar em Lula: 63,3% deles são mulheres, 44,1% são da classe C e 59,9% são católicos.
Além disso, 37% dos atuais indecisos votaram no petista no segundo turno de 2022, enquanto 27,8% votaram em Bolsonaro — 29,5% deles votaram nulo ou não foram sequer votar no segundo turno da última eleição.
Mudança de voto
Entre os eleitores de direita que não votam em Flávio — e escolheram, portanto, Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC) ou Wilson Grassi (Democrata) —, 55,2% acham mais importante “escolher um candidato independente das chances de derrotar Lula”, e outros 44,8% preferem “escolher um candidato que tenha chances reais de derrotar Lula”.
O dado mais relevante, contudo, é que 36,6% deles, mais de um terço, consideram “mudar na última hora e votar em Flávio Bolsonaro para tentar derrotar o Lula já no primeiro turno”.
Levando em conta apenas os candidatos com mais de 1% de intenções de voto, Cury (6,7%), Renan (4,5%), Caiado (4,4%) e Zema (3,5%) somam 19,1%.
Numa conta simples (e imprecisa, porque os cenários de segundo turno indicam que há mesmo eleitores de Caiado, Zema e Renan que votariam em Lula contra Flávio), a conversão de um terço disso daria mais seis pontos percentuais para o filho de Bolsonaro no primeiro turno.
Encerrar no 1º turno
“Quase um terço dos entrevistados, 31,5%, afirma que ainda pode mudar de voto. Entre essas pessoas, 21,5% dizem que o desejo de encerrar a eleição no primeiro turno poderia levá-las a mudar”, diz Cila Schulman CEO do Ideia, no material de divulgação da pesquisa.
Esse cenário em que a eleição presidencial acaba no primeiro turno é muito improvável, mas o sentimento do eleitor é real e pode influenciar nos números com os quais Lula e Flávio provavelmente passarão para o segundo turno.
A indicação de todos esses números, colhidos com 2.000 eleitores de 25 a 28 de setembro, numa pesquisa com 2,2 pontos de margem de erro, é de que o senador terminaria na frente.
O cenário traçado pela pesquisa Meio/Ideia ajuda a entender o desconforto demonstrado pela campanha de Lula nas últimas semanas, com medidas desesperadas, como o reajuste do Bolsa Família, a proibição das bets, a fake news de Nossa Senhora e a promessa de canetas emagrecedoras, e também as medidas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tomadas em favor de Lula.
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