Ainda mais fracos que Bolsonaro
Boulos e Lindbergh deram uma forcinha para o ex-presidente, ao desafiá-lo nas ruas com uma manifestação que reuniu apenas um terço do "flopado" ato de Copacabana
O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP, ao centro na foto) achou que seria uma boa ideia rivalizar com o ex-presidente Jair Bolsonaro nas ruas e, para usar as palavras de seu aliado Lindbergh Farias (PT-RJ), “quebrou a cara”.
O líder do PT na Câmara tentou negar a realidade usando a expressão para dizer que “quem apostou que o 30 de Março Sem Anistia ia flopar quebrou a cara“, mas o fato é que o ato da esquerda fez exatamente o que se esperava dele: deu algum gás a Bolsonaro, que tinha saído do ato de Copacabana em baixa.
A manifestação pela anistia em 16 de março no Rio de Janeiro segue com o mesmo número de pessoas, cerca de 18,3 mil, de acordo com o Monitor do Debate Político do CEBRAP, da Universidade de São Paulo (USP). Mas…
Usando a mesma régua, o ato da esquerda reuniu apenas 6,6 mil pessoas, um terço do público, e numa cidade onde as manifestações costumam ser maiores.
Comparação
Como Bolsonaro havia calculado inicialmente 1 milhão de apoiadores para seu ato, e baixado a expectativa para 500 mil pouco antes de ele ocorrer, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, estado governado Cláudio Castro (PL), aliado do ex-presidente, chutou que “mais de 400 mil pessoas” se reuniram naquele domingo em Copacabana.
O número não colou, e Boulos faz o mesmo duas semanas depois: chuta para cima a quantidade de manifestantes de esquerda reunidos em São Paulo, para dizer que “foi maior que o deles em Copacabana”.
A comparação a partir dos dados da mesma instituição não corrobora a alegação do deputado e, mais do que isso, fortalece o discurso e a pauta de Bolsonaro.
Com ou sem anistia?
A disparidade entre o número de manifestantes dos dois movimentos, a favor e contra a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, não reflete a posição dos brasileiros sobre a questão, a julgar pelas pesquisas de opinião feitas sobre o assunto.
A última delas, publicada pelo PoderData em 21 de março, indica que 51% do país é contra a anistia, e apenas 37% seriam a favor. Responderam à seguinte pergunta 2,5 mil pessoas de 15 a 17 de março:
“Mais de 1.500 pessoas foram presas por causa do vandalismo em Brasília em 8 de janeiro de 2023. O Supremo condenou a maioria a até 17 anos de prisão. Há um projeto agora no Congresso propondo anistiar e soltar essas pessoas. Você é a favor ou contra a anistia?”
Uma forcinha para Bolsonaro
A comparação de manifestantes na rua dá uma vantagem moral, contudo, para os aliados de Bolsonaro, que debocham dos esquerdistas — “Se o Bolsonaro comer um pastel na Paulista da mais gente”, provocou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) — e celebram ter mais força popular, apesar de ela não ser mais tão intensa quanto já foi.
A moral dos bolsonaristas deve aumentar ainda mais quando ele se reunirem em São Paulo, em 6 de abril, para pedir anistia mais uma vez aos condenados do 8 de janeiro, mas num palco no qual a comparação com o ato de Boulos tende a ser ainda pior para a esquerda brasileira.
Com adversários assim, a situação de Bolsonaro fica um pouco menos difícil.
Leia mais: “Mostra aqui, Lindbergh”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
02.04.2025 07:35Boulos e Lindbergh acham-se protagonistas de alguma coisa, mas são meros batedores de bumbo da claque petista, nada mais.
Fabio B
31.03.2025 10:21Já vi mais vida e energia em reunião de condomínio. A verdade é que nem Bolsonaro consegue mais reunir apoiadores, e muito menos a esquerda. Mas se fosse uma manifestação espontânea e legítima de "Fora Lula", teria a mesma força e mobilização das que levaram ao impeachment da Dilma. Mas para isso, não pode ter parasitas político no meio tentando farmar engajamento e transformando tudo em comício, tipo as que acontecem tanto no bolsonarismo quanto nessa patética de agora.