A política e os mercadores da fé
Postar-se ao lado ou em nome do Senhor é sempre um bom negócio. É um jogo de ganha-ganha.
Se as eleições passadas foram decididas pela rejeição ao outro lado – venceu o menos odiado pelo eleitorado -, as próximas, ao que tudo indica, serão decididas a favor do candidato – ou candidatos – que conseguir enganar melhor a sociedade, principalmente sob o aspecto messiânico-emocional, ou seja, convencer o devoto desamparado, vulgo eleitor, que está diante do novo pai (celestial ou não).
Lula, especialmente, sempre se postou como o salvador, não da pátria e da família como faz outro tipo de embusteiro conhecido, mas dos pobres e oprimidos pelos “malvados empresários e banqueiros gananciosos”, leia-se os amigos históricos do próprio chefão do PT, que os demoniza em público, mas deles se serve no privado.
Populismo, demagogia, manipulação religiosa e outras formas espúrias de conquistar votos não são novidade nem exclusividade do Brasil. Talvez, pela baixíssima escolaridade e altíssima fé, por aqui o quadro seja ainda mais grave que em outros países em desenvolvimento. Contudo, isso vem se tornando mais frequente e mais decisivo.
O mais recente livro do cientista político Felipe Nunes, do instituto Quaest, dentre tantos outros temas aborda a religiosidade do brasileiro. O achado é impressionante! Cerca de 90% da população têm literalmente Deus no cotidiano – na fé, na crença, na esperança e nas palavras: “vá com Deus, fique com Deus, se Deus quiser, graças a Deus”. Nikolas e os mercadores da fé já sabem disso há muito tempo.
Postar-se ao lado ou em nome do Senhor é sempre um bom negócio. É um jogo de ganha-ganha. Se der certo, o representante será ungido como o porta-voz divino. Se der errado, são os desígnios de Deus. Sem falar no fato de que, quem se opõe ao Messias, se opõe a Deus. O eixo se descoloca do mundo terreno, das propostas, das críticas e das cobranças reais para uma espécie de guerra santa.
A religião – ou religiões – é a causa das maiores atrocidades já cometidas pelos seres humanos ao longo dos milênios. ao lado de eventos como a escravidão (dos negros, pois as formas anteriores também foram ligadas à crenças) e o holocausto, que, a despeito da perseguição aos judeus, está muito mais relacionado ao nacionalismo e à xenofobia que à religião.
Não. Não demonizo os credos. Ao contrário. Respeito todas as formas de religião e reconheço o papel fundamental que desempenham no equilíbrio social. Porém, qualquer tipo de fanatismo e de fundamentalismo é nocivo. Esse é o ponto. O meu ponto!
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Comentários (1)
Angelo Sanchez
26.01.2026 18:00Não devemos perder tempo com alguém que foi condenado por corrupção, e depois "descondenado" pelo seus afilhados do Supremo que ele mesmo nomeou para serem Ministros "pelegos". Mesmo que o "descondenado" tenha ganho as eleições na urna, comprando votos dos pobres e miseráveis.