A pequena família Bolsonaro

22.01.2026

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A pequena família Bolsonaro

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 06.12.2025 09:15 comentários
Análise

A pequena família Bolsonaro

Escolha de Bolsonaro por Flávio não se trata (ainda) de uma estratégia político-eleitoral, mas de uma tentativa de sobrevivência

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 06.12.2025 09:15 comentários 5
A pequena família Bolsonaro
Foto: Reprodução/ X

Crusoé fez na capa da edição desta semana uma alusão ao seriado A Grande Família ao tratar dos Bolsonaros, para dimensionar a confusão que se instalou após a ex-primeira-dama Michelle questionar a aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

Mas trata-se, na verdade, de uma família bem pequena do ponto de vista político. De cinco, talvez quatro, três ou apenas dois membros.

Não se pode, nem se deve analisar a opção de Jair Bolsonaro (à direita na foto) por apontar o filho senador como seu candidato a presidente da República sob o ponto de vista da estratégia político-eleitoral.

Sobrevivência

Flávio Bolsonaro (PL-RJ, à esquerda na foto) obviamente não é a melhor opção para vencer Lula ou quem quer que ele aponte como candidato em 2026. Mas é a melhor opção para manter Bolsonaro vivo politicamente.

Talvez a única opção, porque nem sequer Michelle é considerada alternativa, como mostrou a reação dos filhos do ex-presidente à interferência bem-sucedida da ex-primeira-dama para melar as articulações no Ceará.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deixou bem claro que um Bolsonaro só pode confiar em um outro Bolsonaro quando cobrou submissão dos aliados catarinenses que se rebelaram contra a candidatura do irmão Carlos (PL), vereador no Rio de Janeiro, em Santa Catarina.

A crise no Ceará sugere que a desconfiança é ainda mais profunda: para falar em nome da família, não basta ter o sobrenome Bolsonaro, é preciso ter o sangue Bolsonaro correndo pelas veias.

Especulações

O mercado se assustou com a indicação do ex-presidente, que, caso se confirme formalmente, deixaria o caminho da reeleição aberto para Lula e perpetuaria a irresponsabilidade fiscal de seu governo por mais quatro anos.

Mas é razoável imaginar que Flávio não levará sua candidatura até o fim.

O senador, aliás, não falou em momento nenhum diretamente em disputar a Presidência da República, mas na “missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”.

Ainda não há sequer a pré-candidatura do PL formalizada, como já fizeram — e mantiveram após a indicação de Flávio — os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e Goiás, e Ronaldo Caiado (União).

Dia a dia

Especula-se que a opção por Flávio tenha sido apenas uma forma de retomar as rédeas do bolsonarismo após o desentendimento público, e ele já se apresenta como o articulador.

Mas os rumos da política são ditados dia a dia, e muitas vezes por acasos, como ocorreu na campanha de 2018 com o próprio Bolsonaro, vítima de uma tentativa de assassinato.

De fato, o bolsonarismo está agora nas mãos de Flávio, e o país ainda vai descobrir o que o senador conseguirá fazer disso, mas o jogo ainda está muito longe de se definir.

A prioridade para Bolsonaro, hoje, é sair da cadeia, e a família já indicou exaustivamente que só pode confiar em seus próprios membros — Eduardo, em particular, tentou dinamitar diversas vezes a opção Tarcísio de Freitas (Republicanos), alternativa mais óbvia ao ex-presidente.

Um detalhe

Caso uma candidatura de Flávio se mostre minimamente viável, por que Bolsonaro entregaria seu capital eleitoral para alguém que ele não tem certeza de que trabalhará obsessivamente, como apenas um filho faria pelo pai, para libertá-lo caso venha a assumir o Palácio do Planalto em 2027?

Flávio é melhor chance de Bolsonaro, o que está longe de significar que seja uma boa chance.

E o Brasil é um mero detalhe nessa história toda, assim como foi quando Lula sustentou sua candidatura presidencial de dentro da cadeia, entregando a vitória exatamente a Bolsonaro.

Leia mais: Bolsonaro de papelão para 2026

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (5)

Luiz Filho

07.12.2025 15:06

Luladrão é tão esquerdista quanto Bolsonaro é direitista. Ambos são sindicalistas e corporativistas. E o mito não é só um saudosista de 64. É um covarde, que se vergou diante de Moraes, se humilhou fazendo gracinhas e nunca mostrou coragem ou altruísmo para defender os milhares de idiotas que acreditaram nele no 8/1


Ita

07.12.2025 11:17

Annie, concordo e vou um pouco mais longe: a direita além de se unir precisa de, aos poucos, se livrar desse sobrenome.


Sandra

06.12.2025 19:59

Concordo Annie, pra mim a melhor opção atualmente é o Caiado, mas se as pesquisas apontarem o Zema, voto nele, só não dá pra ser um bolsonaro ou o nine de novo


GIL FERREIRA FERNANDEZ

06.12.2025 12:44

Como de costume, bolsonaro só pensa em bolsonaro. A nação que se exploda!


Annie

06.12.2025 11:41

A direita precisa se unir e esquecer essa família.


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