A IA bateu à porta da Adobe; quem vende software deveria prestar atenção
Alternativas gratuitas criadas com ajuda de inteligência artificial colocam uma pergunta incômoda no mercado: por que continuar pagando a assinatura?
Por Rafael Bernardes*
O desenvolvedor Brandon Thomas anunciou alternativas gratuitas a sete programas da Adobe, incluindo Photoshop, Illustrator e Premiere, construídas com ajuda do Claude. O projeto, chamado ArtCraft, tem código aberto e pretende disputar espaço com ferramentas que cobram assinatura.
Os aplicativos ainda estão em desenvolvimento. Não entregam tudo o que os originais oferecem, e o próprio criador reconhece que há trabalho pela frente. A Adobe, portanto, pode dispensar o obituário por enquanto.
O incômodo está em outro lugar.
Para conquistar um cliente, uma alternativa não precisa reproduzir todas as funções de um programa. Precisa executar bem aquelas que ele realmente utiliza. Quem faz ajustes simples em imagens talvez não precise financiar uma estrutura capaz de atender a uma produtora de cinema.
Ajuda da IA
A engenharia reversa entra nessa história ao investigar como um sistema funciona para orientar a construção de outra implementação. A IA ajuda a analisar e escrever código, enquanto o profissional conduz o desenvolvimento e confere os resultados.
A possibilidade também merece atenção de quem vende CRM, usado para organizar clientes e vendas, e ERP, que reúne processos como financeiro, compras e operação.
Se construir ferramentas específicas ficar mais acessível, parte dos compradores poderá começar a questionar a necessidade de contratar pacotes inteiros.
De usuário a fornecedor
Isso não transforma qualquer usuário em fornecedor de sistemas. Segurança, integração, manutenção e cálculos corretos continuam custando dinheiro. Uma demonstração bonita não paga o prejuízo de uma operação que parou.
Mas a comparação começa a mudar. O fornecedor poderá ter de disputar o orçamento com uma solução desenvolvida para atender exatamente à necessidade do cliente.
O fim dos softwares está longe de ser um fato. Já a obrigação de justificar melhor cada mensalidade ganhou um motivo concreto para entrar na pauta.
* Rafael Bernardes é, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
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