A escalada do extremismo de esquerda

12.10.2026

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O Antagonista
A escalada do extremismo de esquerda
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Alexandre Borges
10 minutos de leitura 25.09.2025 07:40 comentários
Análise

A escalada do extremismo de esquerda

Como a mídia, a academia e as autoridades minimizam um padrão emergente de violência política

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Alexandre Borges
10 minutos de leitura 25.09.2025 07:40 comentários 4
A escalada do extremismo de esquerda
Foto: Reprodução

Uma sequência de crimes recentes nos Estados Unidos e no Brasil revela a formação de um padrão inquietante. A situação é tão crítica que até a revista progressista The Atlantic reconheceu o problema (veja aqui)

A sequência de ataques nos Estados Unidos e em outros países já permite identificar um padrão consistente de violência política de esquerda, mesmo considerando a complexidade e imprecisão dos termos “direita” e “esquerda” (leia mais ao final).

Os episódios violentos envolvem jovens instáveis, muitos sob uso de antidepressivos e drogas, outros submetidos a tratamentos de transição de gênero, quase todos radicalizados em universidades ou fóruns online por discursos “antifascistas” e anti-Trump.

Foto: Reprodução/NYPD

Luigi Mangione assassinou a sangue frio o CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, em Nova York, em dezembro de 2024.

O crime foi meticulosamente planejado: ele usou uma arma com silenciador, portava identidades falsas e havia feito vigilância prévia contra a vítima.

Também foi encontrado um manifesto de conteúdo ideológico de esquerda. Mesmo diante de evidências claras de premeditação e motivação política, parte da imprensa e especialistas optaram por simpatizar com suas motivações e até tratar o terrorista como um popstar.

O caso lembra o caso chocante da capa da revista Rolling Stone em 2013, que retratou Dzhokhar Tsarnaev, o terrorista da maratona de Boston, como se fosse um astro do rock.

O retrato produzido e a narrativa simpática geraram indignação por tentar gerar admiração e apoio ao terrorista, como esquerda fazia nos anos 1960 quando Che Guevara e outros sanguinários foram transformados em ícones pop.

O assassinato de Charlie Kirk é o exemplo recente mais dramático

O ativista foi morto a tiros em setembro por Tyler Robinson, de 22 anos, que carregava munições com inscrições “antifascistas”. O ataque foi planejado e politicamente motivado, mas a cobertura insistiu em descrever o terrorista como autor de ato individual sem motivação política organizada.

Outro caso emblemático ocorreu em Minneapolis.

Robin Westman, transgênero, atirou em fiéis da Igreja Católica da Anunciação durante a missa, abrindo fogo contra crianças. Dois morreram e 17 ficaram feridos.

Manifestos publicados pelo atirador tinham conteúdo anticristão explícito. Ainda assim, o debate público minimizou a dimensão ideológica do atentado.

A Covenant School, em Nashville, também foi alvo de violência ideológica planejada.

Audrey Hale deixou seis mortos após meses de preparação e anotações em um manifesto que só foi parcialmente divulgado anos depois.

O material confirmava o caráter político do crime, mas a versão dominante foi a de “distúrbio mental”.

No Brasil, a Escola Estadual de Sapopemba teve a jovem Giovanna executada à queima-roupa por um colega de 16 anos gay e cross-dresser.

Inicialmente, a defesa o assassino tentou emplacar a narrativa de reação intempestiva causada por bullying, mas imagens de segurança desmentiram a versão, mostrando execução fria e calculada.

Em Dallas, cápsulas de munição com inscrições “anti-ICE” marcaram um ataque contra o Serviço de Imigração e Alfândega.

Um detento morreu e outros dois ficaram gravemente feridos. O FBI reconheceu motivação ideológica, mas logo a classificação foi diluída em termos genéricos como “ódio contra o governo”.

Os pontos em comum não podem ser ignorados.

Os agressores pertencem à mesma faixa etária, apresentam histórico de medicalização psiquiátrica e isolamento, e compartilham influência de discursos antifa e anti-Trump.

Os alvos se repetem: instituições cristãs, figuras conservadoras e agentes federais.

Raízes ideológicas

Diferente dos movimentos de décadas passadas, que tinham foco econômico e na luta de classes, a nova esquerda radical se ancora em questões culturais e identitárias.

Trata-se de uma crítica à civilização ocidental como um todo, com influência direta do marxismo ocidental (Lukács, Gramsci, Escola de Frankfurt) e de sua Kulturkritik.

A política deixa de ser “arte do possível” e se transforma em religião secular extremista. Essa “política da fé”, descrita por Michael Oakeshott, justifica a violência como ato de expurgo e purificação social.

Quem resiste a essa utopia é “cancelado”, perseguido e, no limite, morto.

Pesquisadores da Heritage Foundation já propõem o reconhecimento oficial da categoria de extremismo inspirado pela ideologia de gênero.

A Tríade do Mal

Três elementos se repetem nos casos mais graves.

O primeiro fator relevante é o uso disseminado de antidepressivos e drogas em jovens com histórico de problemas psiquiátricos, como mostrou o estudo sueco ligando esse tratamento ao aumento de crimes violentos.

As evidências científicas são esmagadoras sobre a ligação entre antidepressivos ISRS e comportamento violento.

O caso de James Holmes, autor do massacre de Aurora, serve de exemplo. Após iniciar tratamento com sertralina (Zoloft), Holmes desenvolveu pensamentos homicidas pela primeira vez em sua vida.

Em seu próprio diário, descreveu os efeitos da droga: “Não faz efeito quando se precisa dele. A ansiedade e o medo desaparecem. Já não se sente medo do fracasso. E é o medo do fracasso que faz você ser melhor. Já não há medo das consequências”.

A associação também foi confirmada em estudos amplos. Uma pesquisa conduzida na Suécia acompanhou 856.493 indivíduos que receberam ISRS entre 2006 e 2009.

O resultado foi claro: jovens de 15 a 24 anos em uso dessas drogas apresentaram 43% mais risco de condenação por crimes violentos em comparação a períodos em que não estavam medicados.

O aumento não foi observado em adultos mais velhos, sugerindo que adolescentes e jovens adultos são particularmente vulneráveis aos efeitos colaterais que reduzem inibições e aumentam impulsos agressivos .

Segundo, a infame ideologia de gênero, que promove bloqueadores de puberdade e cirurgias irreversíveis como “cura” para angústias da adolescência, produzindo taxas alarmantes de instabilidade emocional, suicídio e automutilação entre jovens trans.

Uma pesquisa com mais de 120.000 adolescentes mostrou que 50,8% dos adolescentes transgêneros masculinos (mulheres biológicas) relataram ter tentado suicídio pelo menos uma vez na vida. Nada menos que 82% disseram que já pensaram seriamente em suicídio.

Terceiro, a retórica radical “antifa” e anti-Trump, que desumaniza opositores chamando todos que se opõem às pautas de esquerda, mesmo as mais extremas, de nazistas ou equivalentes, tornando a violência contra eles justificável e até necessária.

Foto: Kash Patel/X

Wokismo, o novo jihadismo?

O jihadismo islâmico seguiu trajetória semelhante.

Durante anos, ataques foram descritos como ações de “desequilibrados” ou “casos isolados”. Só quando o número de mortos se tornou impossível de ignorar as autoridades admitiram a natureza ideológica da ameaça.

A mesma cegueira se repete agora.

A chamada “classe falante”, formada por jornalistas, acadêmicos, ONGs e autoridades simpáticas ao progressismo, aplica um duplo padrão.

Violência de direita é terrorismo. Violência de esquerda é caso isolado ou reação compreensível, uma maneira insidiosa que culpar as vítimas e sugerir que conservadores merecem morrer.

Ignorar o que já está diante dos olhos não é neutralidade. É cumplicidade.

Só ao reconhecer esse padrão será possível enfrentar o problema antes que seja muito tarde.

Direita e Esquerda

A divisão entre direita e esquerda nasceu no século XVIII e permanece como uma das linhas mestras do pensamento político moderno.

Yuval Levin mostra, em O Grande Debate, que essa separação pode ser entendida no confronto entre dois pensadores: Edmund Burke e Thomas Paine.

Eles não apenas discutiram a Revolução Francesa, mas deram forma a disposições opostas sobre a sociedade, a mudança e a política.

Burke, considerado o pai do conservadorismo moderno, via a sociedade como um organismo vivo.

Cada geração herdava instituições, costumes e práticas que haviam resistido ao teste do tempo. Essa herança tinha valor próprio, maior do que qualquer plano desenhado por indivíduos isolados.

A política, para ele, era a arte de administrar mudanças graduais, preservando o tecido social.

Burke acreditava que a natureza humana é limitada e imperfeita, e que projetos de refazer o mundo do zero, em nome da perfeição, terminam em catástrofe.

Paine, em contraste, defendia que cada geração tem o direito de refazer a sociedade a partir de seus próprios critérios.

Ele não atribuía valor especial ao passado.

O que legitimava um governo não era a tradição, mas sua conformidade com princípios de liberdade e igualdade que valiam para todos os homens, em qualquer época.

A política, em sua visão, era um instrumento para derrubar ordens injustas e criar arranjos novos, guiados pela “razão humana” e pelo contrato entre indivíduos.

Essa oposição de Burke e Paine molda até hoje os espectros de direita e esquerda.

A direita conserva tradições, continuidade institucional e prudência.

Sua política parte da ideia de que a sociedade não pode ser recriada a partir de esquemas abstratos.

A mudança social deve respeitar a experiência acumulada e reconhecer os limites da natureza humana.

A esquerda, por sua vez, mantém o impulso irrefreado de transformação.

Vê a sociedade como uma construção que deve ser revista e “corrigida”. Rejeita obrigações herdadas e dá primazia ao que entende por “igualdade”.

Russell Kirk resumiu o conservadorismo como a negação da ideologia. Para ele, as tentativas de criar sociedades perfeitas são variações de um mesmo fanatismo político.

Burke já antecipava esse ponto ao dizer que “o indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia”.

Do outro lado, Paine acreditava que a fidelidade ao passado era uma forma de prisão, e que apenas a liberdade de redesenhar a ordem política garantiria justiça.

Autores mais recentes também aprofundaram essa diferença.

Alasdair MacIntyre mostrou que, sem uma tradição moral comum, as disputas políticas se tornam choques de preferências inconciliáveis.

Jonathan Haidt observou que progressistas tendem a se concentrar em valores de igualdade e “cuidado”, enquanto conservadores equilibram esses valores com lealdade, autoridade e transcendência.

Ambos os diagnósticos reforçam a ideia de que a direita e a esquerda não são apenas posições partidárias, mas disposições distintas diante da condição humana.

Assim, a direita se ancora na prudência, no respeito à herança social e na desconfiança de planos grandiosos.

A esquerda se ancora na confiança na capacidade humana de refazer instituições em nome de uma visão particular de justiça.

Essa tensão continua a estruturar o debate político contemporâneo, ainda que sob nomes diferentes, como uma herança viva do embate entre os gênios de Burke e Paine.

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Alexandre Borges

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Comentários (4)

PAULO SERGIo SILVA

25.09.2025 18:24

Parabéns Alexandre, pelo excelente artigo! A referência ao "Grande Debate" - onde nos parece que Paine tentava criar "pontos de corte" na sociedade como se as gerações fossem excludentes, enquanto Burke entendia que havia um natural "overlap" entre as mesmas com ajustes evolutivos ao longo do tempo - demonstra uma preocupação sua muito pertinente diante das abruptas mudanças comportamentais do mundo atual.


ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO

25.09.2025 18:01

Emprego que NÃO exija muito esforço.


ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO

25.09.2025 17:59

A maioria dos jovens de esquerda aqui querem iguais para debaterem as mesmas ideias aumentando suas certezas, birita, maconha e "moças fáceis para transar" e mais adiante um "emprego maneiro" que exija muito eslorço.


Isadora Z Marques

25.09.2025 08:35

Excelente artigo!


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