A desaceleração chinesa
Economia chinesa cresce 4,8% no terceiro trimestre, mas investimentos despencam. Crise no setor imobiliário e tensões com EUA pesaram
A economia chinesa, grande motor mundial de produção e consumo, registrou no terceiro trimestre de 2025 um crescimento do PIB de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, o ritmo mais lento em um ano, conforme dados oficiais divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas.
Essa desaceleração, que representa uma queda ante os 5,2% do trimestre anterior, reflete não só um tropeço passageiro, mas um possível desequilíbrio mais profundo entre a força das exportações e a fraqueza persistente da demanda interna, piorado pelas tensões comerciais com os Estados Unidos.
Enquanto o país ainda caminha para cumprir a meta anual de cerca de 5%, os números trimestrais acenderam alertas sobre a sustentabilidade desse modelo, onde o setor industrial impulsiona os ganhos, mas o consumo e o investimento imobiliário freiam o avanço.
A produção industrial, aliada a fortes exportações de 6,1% nos primeiros nove meses, atuou como contrapeso essencial, com setores como manufatura de alta tecnologia crescendo 10,3% e automóveis saltando 16%.
Empresas chinesas, pressionadas por tarifas americanas que podem chegar a 100% sob Trump, redirecionaram vendas para mercados emergentes como América Latina, África e Sudeste Asiático, mitigando perdas que, em casos isolados, chegam a 20% da receita.
Essa dependência externa esconde problemas domésticos, como a contração de 0,5% nos investimentos fixos nos três primeiros trimestres, a primeira desde 2020, e uma queda de 13,9% no setor imobiliário, onde preços de imóveis novos despencam no ritmo mais rápido em 11 meses.
As vendas no varejo, indicador chave do apetite dos consumidores, frearam para 3% em setembro, sinalizando que os subsídios governamentais para bens de consumo esgotaram seu efeito e não já revertem o pessimismo.
Essa dependência excessiva de exportações para compensar a demanda interna fraca expõe um risco estrutural que pode se mostrar insustentável para a China, ameaçando uma maior desaceleração sem estímulos aos gastos familiares.
O preocupante recuo nos investimentos pressiona o quarto trimestre e o equilíbrio fiscal local, onde o setor imobiliário responde por 18% das receitas das províncias.
Pequim responde com estímulos, como os 500 bilhões de yuans anunciados pelo Ministério das Finanças, focados em infraestrutura e mias 300 bilhões para tecnologia e inovações renováveis, mas já se questiona se isso basta para reequilibrar a economia rumo a um consumo mais vigoroso.
As negociações bilaterais com os EUA e uma possível cúpula Trump-Xi, trazem mais incerteza, pois as barreiras comerciais não tarifárias, como controles sobre terras raras, intensificam o atrito.
Esse quadro não é apenas o reflexo de ciclos globais, mas de escolhas estratégicas que priorizaram manufatura sobre serviços e bem-estar doméstico, ampliando desigualdades regionais.
O Nordeste chinês, impulsionado por indústrias pesadas, cresce cerca de 3,8%, enquanto o Oeste patina na casa de 1%.
A deflação pelo nono trimestre consecutivo corrói a confiança, forçando o Banco Popular da China a considerar cortes adicionais na taxa de juros, de pelo menos 10 pontos no quarto trimestre.
Para o Brasil, uma China com menos fôlego por commodities pode ser negativo, mas oportunidades poderiam surgir em energias renováveis, onde os investimentos de Xi Jinping prosseguem firmes.
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Comentários (1)
RENATO CESAR REZEMINI
24.10.2025 07:01puxa vida....se a China está patinando....qual seria o adjetivo para a situação da economia Brasileiro neste "governo"????