A bomba K
Se a depuração do STF é um dos grandes temas da campanha eleitoral, silêncio sobre as suspeitas que rondam Kassio Nunes Marques não é aceitável
Kassio Nunes Marques joga em descrédito a ideia de que o bolsonarismo pretende devolver a sanidade às cortes superiores e não apenas controlá-las.
Na presidência do TSE, ele repete os piores exemplos daqueles que o bolsonarismo abomina.
Em vez de mandar retirar do ar postagens mentirosas do perfil “Exército do Lula”, criado por Andre Janones para impulsionar a candidatura petista na campanha do segundo turno, o ministro derrubou a conta como um todo no fim de semana.
Com isso, varreu para o lixo conteúdos legítimos eventualmente misturados àqueles que as regras proíbem.
Pior: a medida impedia publicações futuras, inclusive as lícitas.
O método é muito parecido com o de Alexandre de Moraes no auge do inquérito das fake news.
Kassio tampouco se absteve de encorajar o comportamento chicaneiro entre advogados eleitorais.
No mesmo episódio, ele acolheu uma representação da campanha de Flávio Bolsonaro que chegou a seu gabinete quando o mesmo assunto já estava sob análise de um colega, e decidiu em direção contrária.
Isso deu início no TSE a uma guerra semelhante à que esteve em curso no STF até recentemente, em que decisões monocráticas se sobrepunham umas às outras, estraçalhando a segurança jurídica.
Nesa terça, 13, Kassio deu um passo atrás. Mandou registrar a conta “Exército do Lula” como ferramnta oficial de campanha, para que possa ser usada. Mas o estrago já estava feito.
Suspeitas sobre envolvimento com Daniel Vorcaro também rondam o ministro.
No vazamento mais recente de mensagens do banqueiro, ele discute com um de seus operadores o encontro de um certo “Kassio” (com K, não um Cássio qualquer) com cinco garotas de programa, numa farra bancada com seu dinheiro.
“Ministro” é outra palavra usada nas conversas para indicar o personagem VIP a quem as garotas foram presenteadas.
Antes disso, haviam saltado dos telefones de Vorcaro menções à “turma do KN”, ligada à liberação de bilhões em precatórios valiosos para o Master.
Kevin, rebento de Kassio, parece ter recebido uma mesada de 500 mil reais do esquema do banqueiro.
Tudo isso demanda investigação aprofundada. O ministro, por óbvio, nega ter cometido qualquer desvio.
Antes de chegar ao STF, Kassio Nunes Marques era um juiz obscuro. Qualificou-se para a indicação à corte tomando tubaína com Jair Bolsonaro, nas palavras do próprio ex-presidente.
Antes da sabatina, veio à tona que seu currículo havia sido enfeitado com algumas “imprecisões”.
O STF e o TSE não se abrilhantam com sua presença.
Com tudo que hoje se sabe a respeito de Alexandre de Moraes, fica difícil aceitar que ele permaneça no STF. A ideia de que possa ocupar a presidência do tribunal, a partir de setembro de 2027, é intolerável.
Mas quem sucederá Xandão, caso ele seja defenestrado pelo Senado majoritariamente bolsonarista que tomará posse no ano que vem? Kassio Nunes Marques.
Também é duro de engolir.
Até agora, não há declaração política significativa da campanha de Flávio Bolsonaro sobre o ministro K. Se a depuração do STF é um dos grandes temas da campanha, esse silêncio não é aceitável.
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