Bolsonarismo poliglota em Brasília
A manifestação bolsonarista na manhã deste 7 de Setembro em Brasília teve grande número de faixas e cartazes em outros idiomas. Algumas mensagens estavam escritas em inglês. Um conjunto exposto no gramado da Esplanada pedia a cantilena bolsonarista completa: voto impresso com contagem pública, o fim da...
A manifestação bolsonarista na manhã deste 7 de Setembro em Brasília teve grande número de faixas e cartazes em outros idiomas.
Algumas mensagens estavam escritas em inglês. Um conjunto exposto no gramado da Esplanada pedia a cantilena bolsonarista completa: voto impresso com contagem pública, o fim da “ditadura de toga”, um tribunal militar imediato para os “traidores” do país e a ação imediata das Forças Armadas, com uma nova Constituição.

Uma faixa com erros de inglês pedia ao STF “respeito ao voto”, da mesma maneira que faziam os petistas contra o impeachment de Dilma. Também afirmava que a Globo e a CNN mentem.

Algumas faixas eram bilíngues. Este conjunto trazia, no alto, o slogan do integralismo: “Deus, Pátria e família”. Embaixo, uma mensagem que talvez os gringos não compreendam imediatamente: “Xandão & Barroso, Impeachment Now!”.

Uma faixa com um erro de grafia (em inglês escreve-se Brazilian com “z”) afirmava que o povo quer voto impresso com contagem pública, o saneamento das instituições e uma nova Constituição.

Esta outra faixa diz que os doutores da lei libertaram Barrabás (na grafia em inglês usa-se Barabbas, com dois “Bs” e não dois “Rs”) e querem crucificar o Messias.

O inglês não era o único idioma estrangeiro usado pelos manifestantes. Uma delas trazia ao corpo um cartaz onde se lia, em francês: “Monsieur le Presidént, utilisez L’Armée!” (“Senhor presidente, use o Exército!”).

Faixas e cartazes em idiomas estrangeiros praticamente não estavam presentes na grande aglomeração bolsonarista em 1º de janeiro de 2019, data da posse do atual presidente.
O voto impresso foi derrotado na comissão especial e no plenário da Câmara, em agosto. A proposta do relator Filipe Barros (PSL-PR) era que o voto fosse contado em público e exclusivamente pelos mesários; a contagem dos registros eletrônicos de voto pelo TSE não valeria mais.
O aumento de cartazes em língua estrangeira coincide com recentes esforços de internacionalização do bolsonarismo. Neste domingo (5), o presidente Bolsonaro recebeu no Alvorada Jason Miller, ex-assessor de campanhas de Donald Trump. No mês passado, Eduardo Bolsonaro se encontrou com o ex-presidente.
Assista a um vídeo sobre a manifestação em Brasília:
Mais lidas
Lindbergh aciona STF e acusa testemunha de inventar acusações
“Roberta Luchsinger acabou de me processar”, diz presidente da CPMI do INSS
Haddad imaginário domina Tarcísio em debate
Fachin promete lei para limitar salários de juízes
Milei republica ofensa a Lula em meio à crise diplomática