O "golpe do fundão" na pandemia é tão revoltante quanto a postura do sociopata

25.08.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

O “golpe do fundão” na pandemia é tão revoltante quanto a postura do sociopata

avatar
Diego Amorim
4 minutos de leitura 15.07.2021 17:29 comentários
Opinião

O “golpe do fundão” na pandemia é tão revoltante quanto a postura do sociopata

Caciques partidários já estão celebrando o "golpe do fundão" e ainda se valendo de um discurso aparentemente puro: o de que é preferível bancar campanhas políticas com dinheiro público a voltar com o financiamento privado. Não é isso que está em jogo hoje. O argumento é puro escárnio...

avatar
Diego Amorim
4 minutos de leitura 15.07.2021 17:29 comentários 0
O “golpe do fundão” na pandemia é tão revoltante quanto a postura do sociopata
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Caciques partidários já estão celebrando o “golpe do fundão” e ainda se valendo de um discurso aparentemente puro: o de que é preferível bancar campanhas políticas com dinheiro público a voltar com o financiamento privado.

Não é isso que está em jogo hoje. O argumento é puro escárnio.

O financiamento privado, de fato, serviu de bandeja, durante anos, para esquemas corruptos revelados em grande parte pela Lava Jato, aquela operação aniquilada por petistas e bolsonaristas juntos.

A discussão sobre como bancar campanhas públicas poderá, sim, ser retomada em algum momento, com a criação de regras mais rígidas ou estabelecimento de limites de valores, mas isso jamais deveria ocorrer neste momento.

O que o Congresso está fazendo nesta quinta-feira (15), com o apoio ou, no mínimo, a omissão da maioria dos líderes partidários, é dar um soco no estômago de brasileiros que já estão sofrendo com um sociopata no poder em meio a uma pandemia que matou mais de meio milhão de pessoas.

O Parlamento brasileiro escancara hoje, sem pudor algum, a prioridade de grande parte de seus integrantes: no final das contas, de novo e sempre, o que interessa é continuar no poder.

A intensidade da retomada da economia brasileira no esperado pós-pandemia ainda é uma incerteza, a inflação assusta, o desemprego é massivo, a miséria e a fome aumentam e os políticos com mandato em Brasília decidiram, a toque de caixa, em mais uma tratorada, praticamente triplicar o valor do montante do nosso dinheiro destinado às campanhas políticas no ano que vem: de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Enquanto isso, a renda do brasileiro despenca, faltando dinheiro em muitas famílias para o básico, como comprar o botijão de gás de quase R$ 100 e encher o tanque do carro velho, com gasolina em torno de R$ 6 o litro.

Na última terça-feira (13), os deputados aprovaram um importante projeto para regulamentar a farra dos chamados supersalários no funcionalismo público. A Câmara quis dar recado para a população brasileira de que está disposta — até de maneira surpreendente — a tirar da gaveta propostas que realmente atendam aos anseios da sociedade.

Mas, na hora de “cortar na própria carne” — essa expressão que congressistas adoram usar –, fizeram justamente o contrário. O texto que turbinou o fundão foi apresentado perto da meia-noite de ontem. A votação na Comissão Mista de Orçamento (CMO), pela manhã, foi rapidinha. No início da tarde, já em sessão do Congresso, os deputados optaram pela estratégia da votação simbólica na hora de votar o destaque do “golpe do fundão”. Com isso, impediram os brasileiros de saber como cada um deles votou — mas a votação do texto-base da LDO serve de algum parâmetro.

Em instantes, será a vez de os senadores, na sessão do Congresso ainda em andamento, se posicionarem: ou revertem a decisão da Câmara ou sacramentam um “golpe” em plena pandemia.

O Parlamento se gaba de ter feito muito na crise sanitária, apontando o dedo, com muita facilidade, para gestores locais e para o Executivo, com razão. Mas agora seria a hora de mostrar que não foi teatro e hipocrisia.

De novo: não se discute neste momento o tipo de financiamento de campanha; discute-se, sim, um aumento estrondoso do total de verbas públicas destinadas a que deputados e senadores tentem se reeleger em 2022. Tudo isso como se a dinheirama do Bolsolão, fruto do “orçamento secreto”, que já jorrou bilhões para as bases eleitorais, não fosse suficiente.

O “golpe do fundão” é tão revoltante quanto a postura de Jair Bolsonaro desde o início da pandemia. É a versão do “e daí?” de deputados e senadores.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Silvinei Vasques pede a Moraes para não cassar sua aposentadoria

Silvinei Vasques pede a Moraes para não cassar sua aposentadoria
2

Moro abre vantagem na disputa pelo governo do Paraná

Moro abre vantagem na disputa pelo governo do Paraná
3

Zema promete anistia a Bolsonaro e aponta “julgamento político”

Zema promete anistia a Bolsonaro e aponta “julgamento político”
4

Campanha de Flávio aciona TSE contra Durigan e Lula

Campanha de Flávio aciona TSE contra Durigan e Lula
5

Não foi só Kassab que dormiu no debate

Não foi só Kassab que dormiu no debate
6

“A gente tá se arriscando”, disse Lulinha a lobista

“A gente tá se arriscando”, disse Lulinha a lobista
7

Crusoé: Lula na Record é pior que desprezo pela democracia

Crusoé: Lula na Record é pior que desprezo pela democracia
8

Atual modelo eleitoral “faliu”, diz Moraes

Atual modelo eleitoral “faliu”, diz Moraes
9

Bolsonaro pede autorização para professor dar aulas a Laurinha na prisão domiciliar

Bolsonaro pede autorização para professor dar aulas a Laurinha na prisão domiciliar
10

Flávio nega acordo com Tarcísio sobre reeleição

Flávio nega acordo com Tarcísio sobre reeleição
1

Atual modelo eleitoral "faliu", diz Moraes

Atual modelo eleitoral "faliu", diz Moraes
2

Crusoé: Lula sugere a Trump tomar trago com Putin e Xi Jinping

Crusoé: Lula sugere a Trump tomar trago com Putin e Xi Jinping
3

Crusoé: Lula quer um “Desenrola” para o futebol

Crusoé: Lula quer um “Desenrola” para o futebol
4

Papo Antagonista: Sem favoritos, primeiro debate presidencial quase vira monólogo

Papo Antagonista: Sem favoritos, primeiro debate presidencial quase vira monólogo
5

Crusoé: As "condições espartanas" de Lulinha na Espanha

Crusoé: As "condições espartanas" de Lulinha na Espanha
6

Não foi só Kassab que dormiu no debate

Não foi só Kassab que dormiu no debate
7

A inércia da campanha é aliada de Flávio Bolsonaro

A inércia da campanha é aliada de Flávio Bolsonaro
8

Paulo Figueiredo defende ausência de Flávio em debates contra “irrelevantes”

Paulo Figueiredo defende ausência de Flávio em debates contra “irrelevantes”
9

Moro abre vantagem na disputa pelo governo do Paraná

Moro abre vantagem na disputa pelo governo do Paraná
10

Quaest: Amin e Carlos Bolsonaro tecnicamente empatados em SC

Quaest: Amin e Carlos Bolsonaro tecnicamente empatados em SC
1

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 25/08/2026

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 25/08/2026
2

Flávio nega acordo com Tarcísio sobre reeleição

Flávio nega acordo com Tarcísio sobre reeleição
3

Zema defende “modelo Bukele” e critica Judiciário “caro e lerdo”

Zema defende “modelo Bukele” e critica Judiciário “caro e lerdo”
4

Zema atribui dívida mineira a juros cobrados pela União

Zema atribui dívida mineira a juros cobrados pela União
5

Zema promete anistia a Bolsonaro e aponta “julgamento político”

Zema promete anistia a Bolsonaro e aponta “julgamento político”
6

Emendas são vetor central de corrupção, diz Flávio Dino

Emendas são vetor central de corrupção, diz Flávio Dino
7

EUA não descartam novo ataque contra o Irã

EUA não descartam novo ataque contra o Irã
8

Quaest: Amin e Carlos Bolsonaro tecnicamente empatados em SC

Quaest: Amin e Carlos Bolsonaro tecnicamente empatados em SC
9

Moro abre vantagem na disputa pelo governo do Paraná

Moro abre vantagem na disputa pelo governo do Paraná
10

Renan Filho e JHC têm disputa acirrada em Alagoas

Renan Filho e JHC têm disputa acirrada em Alagoas

Tags relacionadas

golpe do fundão Jair Bolsonaro Pandemia
< Notícia Anterior

Davati vende ilegalmente vacina contra gripe nos EUA

15.07.2021 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

AO VIVO: a boiada e a bolada - Papo Antagonista com Diego Amorim

15.07.2021 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Diego Amorim

Se formou em jornalismo pela UnB. Trabalhou no Blog do Noblat e no Correio Braziliense. Gosta da notícia e dos bastidores dela em qualquer área. Entre outros prêmios, ganhou duas vezes o Esso de Informação Econômica e duas vezes o Embratel. Está em O Antagonista desde abril de 2016, quando se juntou à equipe para a cobertura do impeachment de Dilma Rousseff. Desde então, não tem dado sossego a políticos de todos os partidos em Brasília. É chefe de redação de O Antagonista em Brasília.

Suas redes

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.