ENTREVISTA: deputado revela pressões na reforma administrativa e diz que corporações são "minoria barulhenta"

25.10.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista
ENTREVISTA: deputado revela pressões na reforma administrativa e diz que corporações são “minoria barulhenta”
avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 10.09.2020 16:06 comentários
Brasil

ENTREVISTA: deputado revela pressões na reforma administrativa e diz que corporações são “minoria barulhenta”

O deputado federal Tiago Mitraud (Novo), presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa, ficou feliz que a proposta do governo tenha chegado ao Congresso ainda em 2020. Leia a entrevista...

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 10.09.2020 16:06 comentários 0
ENTREVISTA: deputado revela pressões na reforma administrativa e diz que corporações são “minoria barulhenta”
tiago-mitraud

O deputado federal Tiago Mitraud (Novo), presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa, ficou feliz que a proposta do governo tenha chegado ao Congresso ainda em 2020.

Em entrevista a O Antagonista, ele disse acreditar que, “dando um passo de cada vez”, o país poderá fazer ajustes necessários na administração pública.

Para Mitraud, o apoio da sociedade será fundamental para que as resistências das corporações do funcionalismo sejam vencidas. “Vai ter sempre uma minoria barulhenta”, afirmou.

O deputado também revelou ter conhecimento de que pressões impediram que a PEC enviada pelo governo Bolsonaro incluísse o Judiciário e tocasse no assunto do processo seletivo para comissionados.

Leia a entrevista:

O senhor gostou da reforma administrativa apresentada pelo governo? Não alcançar os atuais servidores faz dela uma reforma?

A última vez que o Bolsonaro tinha falado em reforma administrativa, ele havia sinalizado que o envio da proposta ficaria para 2021. Então, o primeiro ponto é dizer que o envio da reforma ainda em 2020, mexendo em pontos importantes, foi algo positivo.

Temo que ter em mente que a reforma administrativa, ao contrário das demais, tem uma complexidade própria e não será possível fazer tudo com uma PEC só. Já era esperado que a primeira proposta do governo não fosse conseguir resolver todos os problemas. O importante é abrir caminhos para outras mudanças. Teremos uma reforma bastante significativa, sim, dando um passo de cada vez.

Sobre abranger ou ou não os atuais servidores, a decisão de colocar os novos regimes jurídicos apenas para os novos servidores foi uma estratégia para impedir uma judicialização que poderia inviabilizar a aprovação da PEC. Por outro lado, quando a gente fala em vedações para servidores públicos, como férias de mais de 30 dias e aposentadoria compulsória como punição, não faz muito sentido deixar isso só para o futuro, sem incluir “membros de poder”.

O senhor acredita que será possível furar a resistência das corporações durante a tramitação?

Acho que sim. Essa resistência foi furada na reforma trabalhista e na reforma da Previdência. Havendo um bom alinhamento de parlamentares, como vejo que há, além de uma parcela da sociedade se mobilizando e pedindo a reforma, será possível.

Essas corporações, no fundo, são grupos pequenos. Tenho conversado com vários servidores que concordam com propostas de reforma administrativa, mas vai ter sempre uma minora barulhenta, que faz um barulho muito maior do que o que, de fato, essas pessoas representam.

O ponto da estabilidade tende a ser um dos debates mais acirrados. Por que discutir estabilidade provoca tanto arrepio?

A estabilidade não é um “manto sagrado”, mas também não é “bala de prata”. Precisamos chegar a um meio termo.

A estabilidade precisa ser vista como um instituto que protege o interesse público, não como um privilégio. E temos, sim, que proteger o servidores de serem coagidos por políticos querendo agir contra o interesse público. A estabilidade existe para garantir essa independência.

Agora, a estabilidade geral e irrestrita, como está previsto hoje, vai além do ponto e acaba gerando distorções. Mas a gente tem que entender que essa mudança não vai gerar, por si só, os ganhos significativos de eficiência que a máquina pública precisa. É um ponto.

Não há o grande risco de o jogo político massacrar o conteúdo da reforma e, no fim das contas, ser aprovado algo que não terá tanto efeito prático?

Existe risco, sim, sempre existe. A gente já sabia que haveria essa pressão para retirar o Judiciário da reforma. E esse ponto foi retirado. Também soubemos que já houve uma pressão política para que a proposta enviada pelo governo não contemplasse o processo seletivo para comissionados. Esse ponto também acabou saindo do texto. Esse jogo político vai, infelizmente, sempre existir. Cabe a nós fazermos a nossa parte. E à sociedade pressionar o Congresso para que a reforma seja ampla, justa e coerente.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

As definições de golpismo foram atualizadas

As definições de golpismo foram atualizadas
2

Flávio pode perder foro e enfrentar novas etapas de investigações se for derrotado

Flávio pode perder foro e enfrentar novas etapas de investigações se for derrotado
3

Flávio tem apoio mais consolidado que Lula, indica pesquisa

Flávio tem apoio mais consolidado que Lula, indica pesquisa
4

Roberta Luchsinger declara voto em Flávio Bolsonaro

Roberta Luchsinger declara voto em Flávio Bolsonaro
5

Cantora lamenta não poder votar e recebe o carinho da torcida lulista

Cantora lamenta não poder votar e recebe o carinho da torcida lulista
6

Jovem morre em carreata de apoio a Flávio Bolsonaro em Goiás

Jovem morre em carreata de apoio a Flávio Bolsonaro em Goiás
7

Janones convoca “Exército do Lula” para última missão

Janones convoca “Exército do Lula” para última missão
8

Homem é preso após atropelar crianças em carreata pró-Flávio

Homem é preso após atropelar crianças em carreata pró-Flávio
9

Lula faz o diabo e consegue, nas pesquisas, colar em Flávio Bolsonaro

Lula faz o diabo e consegue, nas pesquisas, colar em Flávio Bolsonaro
10

Briga em carreata pró-Flávio termina com um morto em MS

Briga em carreata pró-Flávio termina com um morto em MS
1

Zanin prorroga votação até as 19h após pedido do PT ao STF

Zanin prorroga votação até as 19h após pedido do PT ao STF
2

TSE pausa apuração após decisão de Zanin sobre horário de votação

TSE pausa apuração após decisão de Zanin sobre horário de votação
3

Ativo no primeiro turno, STF fica ‘neutro’ na reta final da eleição

Ativo no primeiro turno, STF fica ‘neutro’ na reta final da eleição
4

Eleição de 2026 pode marcar aposentadoria compulsória de Lula

Eleição de 2026 pode marcar aposentadoria compulsória de Lula
5

Lula ataca Flávio: “Ele tem uma preferência por mentir”

Lula ataca Flávio: “Ele tem uma preferência por mentir”
6

Moro vota com camiseta em defesa da Lava Jato

Moro vota com camiseta em defesa da Lava Jato
7

Federação israelita condena saudação nazista em local de votação no Rio

Federação israelita condena saudação nazista em local de votação no Rio
8

Urnas já fechadas não serão reabertas, esclarece Zanin

Urnas já fechadas não serão reabertas, esclarece Zanin
9

Lula faz o diabo e consegue, nas pesquisas, colar em Flávio Bolsonaro

Lula faz o diabo e consegue, nas pesquisas, colar em Flávio Bolsonaro
10

TRE-DF descarta estender votação até as 19h

TRE-DF descarta estender votação até as 19h
1

Evair de Melo compara prorrogação da votação a estratégia de Maduro

Evair de Melo compara prorrogação da votação a estratégia de Maduro
2

Flávio ultrapassa Lula com 13,65% das seções apuradas

Flávio ultrapassa Lula com 13,65% das seções apuradas
3

Seif anuncia pedido de impeachment de Zanin após prorrogação da votação

Seif anuncia pedido de impeachment de Zanin após prorrogação da votação
4

Atuação de Nunes Marques no TSE foi “caótica”, diz Guimarães

Atuação de Nunes Marques no TSE foi “caótica”, diz Guimarães
5

Renan Santos: “O resultado das eleições está sendo maculado”

Renan Santos: “O resultado das eleições está sendo maculado”
6

“Zanin acaba de entrar na lista de prioridades do Senado”, diz Jordy

“Zanin acaba de entrar na lista de prioridades do Senado”, diz Jordy
7

Após pausa na apuração, Lula aparece em primeiro com 52,27% dos votos

Após pausa na apuração, Lula aparece em primeiro com 52,27% dos votos
8

Decisão de Zanin exige explicações claras, diz Tarcísio

Decisão de Zanin exige explicações claras, diz Tarcísio
9

Marçal critica prorrogação da votação e questiona decisão do STF

Marçal critica prorrogação da votação e questiona decisão do STF
10

PL pede que fiscais redobrem atenção após extensão da votação

PL pede que fiscais redobrem atenção após extensão da votação

Tags relacionadas

funcionalismo Jair Bolsonaro Judiciário PEC da reforma administrativa reforma administrativa servidores Tiago Mitraud
< Notícia Anterior

Toffoli 'colocou STF na vanguarda do combate à desinformação', diz Gilmar

10.09.2020 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

PAPO Antagonista com Kajuru e Heni Ozi Cukier

10.09.2020 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.