A União Europeia tenta superar a guerra interna, para chegar a um acordo sobre o "coronabond"

05.08.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

A União Europeia tenta superar a guerra interna, para chegar a um acordo sobre o “coronabond”

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 19.07.2020 13:04 comentários
Economia

A União Europeia tenta superar a guerra interna, para chegar a um acordo sobre o “coronabond”

Reunidos pessoalmente em Bruxelas, pela primeira vez desde o início da pandemia, os líderes europeus estão em guerra aberta há três dias. Um grupo de países defende que a União Europeia repasse sem  contrapartidas fiscais ainda mais austeras o dinheiro obtido com o "coronabond" -- instrumento idealizado para injetar centenas de bilhões de euros na economia do bloco combalida pela Covid-19. O outro grupo é aquele das nações que só aceitam que o bloco assuma uma dívida com a emissão de títulos públicos pela Comissão Europeia se puderem verificar com lupa as contas dos vizinhos...

avatar
Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 19.07.2020 13:04 comentários 0
A União Europeia tenta superar a guerra interna, para chegar a um acordo sobre o “coronabond”
Foto: European Union 2020

Reunidos pessoalmente em Bruxelas, pela primeira vez desde o início da pandemia, os líderes europeus estão em guerra aberta há três dias. Um grupo de países defende que a União Europeia repasse sem  contrapartidas fiscais ainda mais austeras o dinheiro obtido com o “coronabond” — instrumento idealizado para injetar centenas de bilhões de euros na economia do bloco combalida pela Covid-19. O outro grupo é aquele das nações que só aceitam que o bloco assuma uma dívida com a emissão de títulos públicos pela Comissão Europeia se puderem verificar com lupa as contas dos vizinhos.

O maior pivô da discórdia é Mark Rutte, primeiro-ministro da Holanda, que lidera o segundo grupo, o dos “frugais”. Além de controlar as contas dos gastões do sul do continente, ele quer incluir uma cláusula que impõe o completo respeito ao estado de direito para que um país receba os recursos extras. O seu principal alvo é Viktor Orbán, que vem instaurando um regime autoritário na Hungria. O clima esquentou ainda mais depois que Orbán declarou que Rutte quer punir o seu país porque o odeia pessoalmente. O francês Emmanuel Macron e a chanceler Angela Merkel tentam encontrar uma solução de compromisso. Os líderes europeus querem chegar a um acordo nas próximas horas. A ver.

Na verdade, Rutte tenta conter os ímpetos anti-União Europeia dentro da Holanda, que terá eleições daqui a pouco. Por isso, endurece as negociações para que os seus opositores não o acusem de fazer os pagadores de impostos holandeses pagar pela irresponsabilidade fiscal dos outros e, ainda por cima, financiar um regime como o de Orbán. A insatisfação com Rutte pode levar, no limite, a que a Holanda saia do bloco que ajudou a criar. Do outro lado, a União Europeia vê com preocupação a possível saída do primeiro-ministro Giuseppe Conte do governo da Itália. A sua sobrevivência política está intimamente ligada ao sucesso das negociações em Bruxelas. Se não houver acordo satisfatório para a Itália, grupos anti-Europa italianos também ganharão força.

Como publicamos no final de março, França, Itália, Espanha e outros países europeus com a economia devastada pela Covid-19 sugeriram a criação do chamado “coronabond”, um título de dívida pública emitido pela Comissão Europeia para financiar a recuperação das 27 nações da União Europeia, sem que cada uma delas se endividasse individualmente.

A Alemanha, Holanda, Dinamarca e Áustria, os “frugais”, logo se disseram contra. Os alemães, no entanto, mudaram de ideia e uniram-se aos franceses, para propor que a Comissão Europeia captasse 500 bilhões de euros no mercado.

No final de maio, a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, propôs levantar no mercado 750 bilhões de euros para a recuperação econômica, na forma de “coronabond”. Mais do que França e Alemanha sugeriram. Desse total, 500 bilhões seriam considerados dívida comum e 250 bilhões distribuídos como empréstimo a ser pago por cada país beneficiado.

Dos 500 bilhões de euros, a Itália poderá ficar com 82 bilhões, a Espanha com 77 bilhões, a França com 39 bilhões, a Polônia com 38 bilhões e a Alemanha com 29 bilhões.

Quanto aos 250 bilhões que seriam reembolsados à Comissão Europeia, a Itália ficaria com  91 bilhões, a Espanha com 63 bilhões e a Polônia com 26 bilhões. França e Alemanha não precisam desse dinheiro.

Os títulos de dívida pública emitidos pela Comissão Europeia seriam pagos de 2028 a 2058. Como? Na forma de aumento das contribuições nacionais dos 27 países para a União Europeia, redução das despesas do bloco, criação de um “imposto digital” ou transferência de uma parte dos direitos de emissão de CO2.

Para ter direito aos recursos, os países seriam obrigados a apresentar planos de investimento e reformas compatíveis com os objetivos ecológicos já estabelecidos pela Comissão Europeia.

O que já é saudado como uma revolução (ou farra, pelos mais austeros) ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos de cada país. O coronabond só se concretizará se houver unanimidade entre as nações do bloco. A Holanda avisou desde o início que seria dura na queda. Além disso, falta chegar a um acordo para estabelecer o orçamento da União Europeia para o período de 2021 a 2028.

Caso os obstáculos sejam superados, os 750 bilhões de euros se somariam aos 540 bilhões de euros já reservados pela União Europeia na forma de empréstimos e ao trilhão que o Banco Central Europeu prometeu injetar no sistema financeiro do bloco, em função da crise causada pela Covid-19. Sem falar, é claro, do próprio budget ordinário da União Europeia.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Lula cai 7 pontos entre os independentes no 2º turno contra Flávio, indica Quaest

Lula cai 7 pontos entre os independentes no 2º turno contra Flávio, indica Quaest
2

Ideia aponta disparada na rejeição a Flávio

Ideia aponta disparada na rejeição a Flávio
3

Flávio anuncia vice nesta quarta

Flávio anuncia vice nesta quarta
4

Planalto acusa EUA de quebrar sigilo diplomático

Planalto acusa EUA de quebrar sigilo diplomático
5

Lula perde terreno para quase todos os desafiantes, indica Quaest

Lula perde terreno para quase todos os desafiantes, indica Quaest
6

“Deputado Paulo Pimenta, tome vergonha na cara”

“Deputado Paulo Pimenta, tome vergonha na cara”
7

Brasil rebaixa nível da relação diplomática com a Argentina

Brasil rebaixa nível da relação diplomática com a Argentina
8

Rússia bombardeia Kiev com mísseis e drones

Rússia bombardeia Kiev com mísseis e drones
9

Amiga de Lulinha visitou governo 40 vezes sem registro oficial

Amiga de Lulinha visitou governo 40 vezes sem registro oficial
10

Justiça afasta ex-juíza da Lava Jato por dois anos

Justiça afasta ex-juíza da Lava Jato por dois anos
1

Justiça afasta ex-juíza da Lava Jato por dois anos

Justiça afasta ex-juíza da Lava Jato por dois anos
2

Michelle e Rogério Marinho ganham força como possíveis vices de Flávio

Michelle e Rogério Marinho ganham força como possíveis vices de Flávio
3

Se os EUA invadirem o Brasil, “abro o portão”, diz Múcio

Se os EUA invadirem o Brasil, “abro o portão”, diz Múcio
4

Planalto acusa EUA de quebrar sigilo diplomático

Planalto acusa EUA de quebrar sigilo diplomático
5

Crusoé: Aécio desiste de ser candidato em 2026

Crusoé: Aécio desiste de ser candidato em 2026
6

Flávio anuncia vice nesta quarta

Flávio anuncia vice nesta quarta
7

Amiga de Lulinha visitou governo 40 vezes sem registro oficial

Amiga de Lulinha visitou governo 40 vezes sem registro oficial
8

Brasil rebaixa nível da relação diplomática com a Argentina

Brasil rebaixa nível da relação diplomática com a Argentina
9

"O tempo fará justiça a quem honrou a toga", diz Moro sobre Hardt

"O tempo fará justiça a quem honrou a toga", diz Moro sobre Hardt
10

Portinho diz que Gaspar era consenso entre Flávio e Rogério

Portinho diz que Gaspar era consenso entre Flávio e Rogério
1

Renan: “Eu não sou o Bukele, sou brasileiro”

Renan: “Eu não sou o Bukele, sou brasileiro”
2

Moro: “Lula tem Lulinha; Flávio tem Alfredo Gaspar”

Moro: “Lula tem Lulinha; Flávio tem Alfredo Gaspar”
3

Márcio Coimbra na Crusoé: Diplomacia de palanque

Márcio Coimbra na Crusoé: Diplomacia de palanque
4

Kim Kataguiri quer criminalizar encomenda de drogas pelos Correios

Kim Kataguiri quer criminalizar encomenda de drogas pelos Correios
5

Dia dos Pais: descubra o presente perfeito para cada signo

Dia dos Pais: descubra o presente perfeito para cada signo
6

Damares explica por que Priscila não foi escolhida vice de Flávio

Damares explica por que Priscila não foi escolhida vice de Flávio
7

Tarcísio tenta se afastar de duas marcas do bolsonarismo

Tarcísio tenta se afastar de duas marcas do bolsonarismo
8

Após ser cotada para vice, Daniella Marques apoia Gaspar

Após ser cotada para vice, Daniella Marques apoia Gaspar
9

Crusoé: Programas de Lula perdem tração

Crusoé: Programas de Lula perdem tração
10

Zambelli vai denunciar perseguição política ao Tribunal de Haia

Zambelli vai denunciar perseguição política ao Tribunal de Haia

Tags relacionadas

Alemanha Coronabond Eurobond França Holanda Hungria Itália Mark Rutte Pandemia União Europeia Viktor Orbán
< Notícia Anterior

O lockdown venceu o vírus

19.07.2020 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

“É um departamento de censura terceirizado”

19.07.2020 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.