A maior ponte estaiada do país cruza um dos maiores rios do mundo e acabou com a dependência da balsa entre duas cidades
A nova travessia eliminou uma etapa que fazia parte da rotina de moradores e motoristas
Uma enorme estrutura de concreto cruza as águas escuras do Rio Negro, sustentada por pilares e por cabos que descem de uma torre central. É a Ponte Rio Negro, também chamada de Ponte Jornalista Phelippe Daou, com 3.595 metros de extensão e ligação direta entre Manaus e Iranduba, no Amazonas. Inaugurada em 2011, a travessia substituiu a dependência das balsas e se tornou uma das maiores obras de engenharia da Amazônia.
Onde fica a maior ponte estaiada do Brasil?
A Ponte Rio Negro atravessa o rio de mesmo nome, ligando a cidade de Manaus ao município de Iranduba, na Região Metropolitana da capital amazonense. A estrutura faz parte da ligação rodoviária que permite seguir em direção a Manacapuru e outros municípios do interior.
Segundo a Associação Comercial do Amazonas, a ponte foi considerada a maior estrutura estaiada do Brasil em sua inauguração. A obra reúne uma longa sequência de pilares convencionais e uma passagem central sustentada por cabos de aço.
A travessia também se tornou um marco visual de Manaus. Sua estrutura pode ser observada das margens do Rio Negro, especialmente na região da Compensa, de onde a pista segue em direção à outra margem.

Como funciona a estrutura de cabos que sustenta a ponte?
A Ponte Rio Negro utiliza um sistema chamado estaiado, no qual cabos de aço ligados a uma torre central ajudam a sustentar o tabuleiro da ponte. O tabuleiro é a superfície sobre a qual os veículos circulam.
O trecho central possui aproximadamente 400 metros suspensos por cabos. A torre distribui parte do peso recebido pelos cabos até as fundações, enquanto os outros segmentos da ponte são sustentados por pilares distribuídos ao longo do rio.
A empresa SYSTRA Brasil, que participou do desenvolvimento do projeto de engenharia e do acompanhamento técnico das obras, registra a construção como uma ligação rodoviária planejada para integrar Manaus e Iranduba.
Os principais elementos da estrutura cumprem funções diferentes:
A ponte possui quatro faixas de circulação, sendo duas por sentido. Sua estrutura foi projetada para atender ao trânsito rodoviário sem bloquear a passagem das embarcações que navegam pelo Rio Negro.
Por que a construção da ponte acabou com a dependência das balsas?
Antes da inauguração, a ligação rodoviária entre Manaus e Iranduba dependia de embarcações para atravessar o Rio Negro. Motoristas precisavam embarcar seus veículos em balsas e aguardar a chegada à outra margem antes de continuar a viagem.
Em 25 de outubro de 2011, o Senado Federal registrou declaração de que a travessia por balsa levava entre 30 e 40 minutos, enquanto o percurso pela ponte poderia ser feito em aproximadamente cinco minutos.
A ligação terrestre trouxe mudanças para diferentes tipos de deslocamento:
- Carros particulares: passaram a atravessar diretamente para Iranduba sem embarque em balsa.
- Ônibus e transporte coletivo: ganharam uma passagem rodoviária para conectar municípios da região metropolitana.
- Caminhões: puderam transportar produtos e materiais entre as margens sem interromper a viagem para a travessia fluvial.
- Serviços públicos: passaram a contar com uma ligação terrestre para deslocamentos entre Manaus e cidades próximas.
As embarcações continuam importantes para outras comunidades amazônicas. A ponte mudou especialmente o transporte rodoviário entre essas duas margens do Rio Negro.

Quanto custou construir a Ponte Jornalista Phelippe Daou?
A construção teve custo divulgado de aproximadamente R$ 1,099 bilhão, incluindo a ponte e obras complementares. O projeto também contemplou acessos rodoviários, iluminação e estruturas de proteção para os pilares.
O investimento foi dividido entre financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com R$ 586 milhões, e recursos do Governo do Amazonas, com R$ 513 milhões.
As obras começaram em 2007 e exigiram serviços de fundação no leito do rio, construção dos pilares e montagem dos elementos superiores. A acidez natural das águas também exigiu cuidados com a durabilidade do concreto utilizado na estrutura.
O empreendimento foi inaugurado no aniversário de Manaus, em 24 de outubro de 2011, e recebeu inicialmente o nome de Ponte Rio Negro.
Como a ponte mudou a ligação entre Manaus e o interior?
A ponte criou uma ligação permanente para veículos que seguem de Manaus em direção a municípios como Manacapuru e Novo Airão, utilizando as estradas da margem oposta. Isso facilitou viagens de moradores, comerciantes e trabalhadores que dependem do acesso à capital.
A região de Iranduba possui atividades agrícolas e produção de materiais cerâmicos, como tijolos e telhas. A passagem rodoviária permite transportar esses produtos até Manaus sem a etapa de embarque dos caminhões nas balsas.
A travessia também passou a fazer parte da paisagem turística da capital. A Prefeitura de Manaus reconhece a ponte como uma das atrações visuais da cidade e realiza serviços de conservação em seus acessos e estruturas urbanas.

Qual é a importância da ponte para Manaus atualmente?
A Ponte Rio Negro continua sendo uma das principais ligações rodoviárias da Região Metropolitana de Manaus. Em 2017, recebeu oficialmente o nome de Ponte Jornalista Phelippe Daou, em homenagem a um dos fundadores da Rede Amazônica.
Além da circulação de veículos, a estrutura exige cuidados permanentes com pavimento, iluminação, sinalização e proteção dos pilares contra impactos de embarcações. Essas ações ajudam a manter o funcionamento da travessia sobre um rio com intensa movimentação fluvial.
Para quem cruza o Rio Negro pela rodovia, a obra representa uma ligação direta entre duas partes da região metropolitana. A sequência de pilares e cabos que aparece sobre a água também se tornou um dos elementos mais reconhecidos da paisagem de Manaus.
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