Com mais de 1.300 km e 38 municípios no caminho, nova ferrovia vai ligar a capital federal a um porto e praias do litoral
O corredor ferroviário busca conectar áreas produtoras do interior a um terminal marítimo
Uma linha ferroviária planejada para cruzar o interior de Minas Gerais poderá conectar a produção do Centro-Oeste ao litoral do Espírito Santo. A Estrada de Ferro JK, também chamada de EF-030, possui um traçado apresentado pela Petrocity com 1.360,5 km e passagem prevista por 38 municípios. O projeto pretende ligar Brasília a São Mateus, onde também está planejado um terminal portuário, mas a autorização ferroviária ainda não significa que todos os trilhos estejam em construção.
Por onde passará a Estrada de Ferro JK entre Brasília e o litoral?
A ferrovia está planejada para sair de Brasília, atravessar Minas Gerais e alcançar São Mateus, no Espírito Santo. O trajeto busca conectar regiões produtoras que hoje dependem principalmente do transporte rodoviário para chegar aos mercados e aos terminais de exportação.
Segundo a Petrocity Ferrovias, responsável pelo projeto, a extensão apresentada atualmente é de 1.360,5 km.
No Espírito Santo, o traçado previsto inclui São Mateus, Jaguaré, Nova Venécia, Barra de São Francisco, Água Doce do Norte e Ecoporanga. Em Minas Gerais, a empresa aponta a passagem por áreas próximas a Teófilo Otoni, Montes Claros e Unaí.
A ligação com Brasília completaria o corredor entre o Distrito Federal e o litoral capixaba. Os municípios e o percurso definitivo ainda dependem das etapas técnicas necessárias à implantação.

Por que o projeto ferroviário prevê passar por 38 municípios?
O traçado foi planejado para atravessar áreas de produção e criar novas opções de transporte de cargas. A proposta prevê passagem por seis municípios capixabas, 31 mineiros e pela região de Brasília.
O projeto também considera pontos de apoio para receber mercadorias transportadas inicialmente por caminhões. Esses terminais poderão concentrar produtos e transferi-los para os vagões.
As principais funções do corredor estão distribuídas entre diferentes regiões:
Por que existem medidas de 1.310 km e 1.360,5 km para a ferrovia?
Os dois valores aparecem em apresentações feitas em momentos diferentes do planejamento. Um comunicado anterior do Governo de Minas Gerais descreveu a Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek com 1.310 km.
Na apresentação atual da Petrocity, o corredor completo possui 1.360,5 km. Essa é a medida utilizada pela empresa para descrever seu projeto entre Brasília e São Mateus.
A diferença mostra que os números precisam estar associados à versão do traçado. O percurso definitivo dependerá dos projetos técnicos e das autorizações necessárias para cada parte da implantação.
Como a ferrovia levará cargas até um porto no Espírito Santo?
O plano prevê transportar mercadorias do interior por vagões até a região portuária de São Mateus. O terminal marítimo também faz parte do empreendimento planejado, portanto a conexão completa depende de ambas as infraestruturas.
Produtos agrícolas, minerais e cargas industriais poderão ser recebidos em instalações ferroviárias e encaminhados ao litoral.
O documento técnico da ANTT sobre o corredor ferroviário descreve a divisão regulatória de trechos próximos a Barra de São Francisco.
Essa organização importa porque a autorização de uma parte da ferrovia não substitui os projetos e procedimentos necessários às demais ligações.
A integração entre ferrovia e porto também aparece em outros projetos brasileiros, como um grande complexo portuário planejado para receber navios de carga no litoral brasileiro.

A Estrada de Ferro JK já recebeu autorização para ser construída?
A ANTT concedeu autorização ferroviária à Petrocity para o trecho entre Brasília e Barra de São Francisco. O contrato de adesão foi celebrado em dezembro de 2021.
Em novembro de 2024, a agência aceitou o anteprojeto de engenharia para fins de declaração de utilidade pública de áreas necessárias à implantação.
A Decisão Sufer nº 119/2024 da ANTT também autorizou a empresa a promover desapropriações necessárias ao empreendimento, conforme os procedimentos legais.
Esses atos representam avanços administrativos. Eles não comprovam a instalação de toda a via permanente nem a entrada em operação do corredor.
Quando os trens poderão circular entre Brasília e São Mateus?
As fontes oficiais consultadas não confirmam uma data definitiva para a abertura completa da Estrada de Ferro JK. A empresa apresenta o empreendimento como planejado, com investimento estimado em R$ 15,5 bilhões.
A implantação ainda depende de licenciamento, projetos executivos, contratação das obras e preparação das áreas por onde os trilhos passarão.
O plano inicial concentra-se no transporte de cargas. A circulação de passageiros, mencionada em discussões sobre a expansão ferroviária, não possui um serviço regular confirmado para esse corredor.
A ligação entre Brasília e o litoral somente poderá funcionar depois da construção e das verificações técnicas dos segmentos necessários. Até lá, a Estrada de Ferro JK permanece uma proposta de conexão logística de longa distância.
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